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Psicóloga Comportamental e Cognitiva, Neuropsicóloga, Psicopedagoga

Crianças altamente sensíveis

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Crianças que são altamente sensíveis muitas vezes somatizam a dor dos amigos e precisam desenvolver limites emocionais

Crianças empatas ou altamente sensíveis são capazes de sentir profundamente as emoções e o ambiente ao seu redor, muitas vezes absorvendo sentimentos alheios. Elas demonstram empatia desde cedo, reagindo a emoções alheias com compaixão, mas podem sobrecarregar-se com estímulos fortes e precisar de apoio para gerenciar essa carga emocional intensa.

Se você convive com crianças que são altamente sensíveis, verá que muitas vezes elas somatizam a dor dos amigos, e que você terá que a ajudar a desenvolver limites emocionais — aprender que é possível ser gentil e empática sem precisar absorver o sofrimento físico do outro.

Para ajudar a criança a fazer a distinção do que é dela o que é do outro, você pode usar a técnica do “Detetive do Corpo”. O objetivo é ensinar que o corpo dela é como uma casa: algumas sensações moram lá dentro, outras são apenas “visitas” que vieram de fora.

Sempre que ela reclamar de uma dor física após ver um amigo sofrer, ajude-a a investigar com calma:

“Essa dor apareceu antes ou depois de você ver o seu amigo?”

“O seu corpo estava bem enquanto você tomava café ou brincava sozinho?”

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Dicas práticas de abordagem:

Validar e diferenciar: quando a criança disser que está com dor porque o amigo está, diga: “Eu vejo que você é muito gentil e se importa com seu amigo. Mas essa dor é dele, o seu corpo está saudável. O que podemos fazer para ajudar o amigo sem que você precise ficar doente também?”

Explique que ela tem um coração-espelho.

Diga: “Sabe quando você olha no espelho e vê o seu reflexo? O seu coração faz isso com os amigos. Se o amigo está com dor, o seu coração reflete a dor dele. Mas o reflexo no espelho não é você de verdade. É só uma imagem.”

Ensine ela a dizer para si mesma: “Eu vejo a dor do meu amigo, mas o meu corpo está seguro e saudável.”

Ajude a criança a “devolver” a dor que não pertence a ela com as seguintes técnicas:

O escudo imaginário:

Peça para a criança desenhar ou imaginar um escudo ou “bolha de luz” ao redor dela. Explique que esse escudo é especial: ele deixa o carinho e a amizade entrar, mas a dor de barriga ou a dor de cabeça do amigo batem nela e voltam para a nuvem.

A caixa de devolução:

Use uma caixa vazia. Quando ela sentir a dor do amigo, diga: “Vamos colocar essa dorzinha que é do [nome do amigo] aqui na caixa para ela descansar? Agora o seu corpinho está livre para brincar”.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Para ajudar uma criança empática a ser solidária sem absorver o sofrimento físico, o segredo é substituir o “sentir igual” pelo “fazer algo”. Precisamos ensinar que a melhor forma de ajudar um amigo não é ficando doente com ele, mas sim sendo a pessoa que traz o “remédio” (carinho, distração ou ajuda).

“Em vez de sentir a dor de barriga dele, que tal você pegar um copo de água para ele?” ou “Vamos fazer um desenho bem colorido para ele se sentir melhor?”.

Ensine que ser um bom amigo é como ser um médico ou enfermeiro: eles cuidam de quem sofre, mas precisam estar bem e fortes para poder ajudar.

Se o amigo estiver muito mal, ensine que o carinho pode ser enviado de longe:

Sugerir que a criança grave um áudio, mande um beijo de longe ou faça uma oração/pensamento positivo.

Isso ajuda a criança a sentir que cumpriu seu papel de amiga sem precisar do contato físico ou emocional profundo que causa a somatização.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Mineira de Poços de Caldas, Cynthia Wood Passianottoé formada pela Universidade São Marcos, com especialização em Neuropsicologia e em diversas outras áreas que focam na formação infantil e adolescente. Mãe de 2 filhos, casada com o também psicólogo Luciano Passianotto, Fundou e dirige o espaço Crescendo e Aprendendo no Morumbi, no qual se dedica no trabalho educacional e de orientação à educação de crianças e adolescentes há mais de 20 anos.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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