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Como pedir ajuda salvou um projeto e me tornou um líder melhor

Levantar a mão não é sinal de fraqueza: é inteligência emocional

Por João Paulo Pedote

Era o final de 2023. Eu havia sido recém-contratado para o cargo de coordenação administrativa de um programa municipal, e uma das metas previstas era abrir lojas colaborativas para que cidadãos pudessem vender seus produtos artesanais. Precisávamos implantar uma loja colaborativa de artesanato, e o prazo dado pelo cliente estava se esgotando.

Já havíamos inaugurado outras lojas antes, porém essa, em especial, apresentava desafios diferentes: não havia prestadores de serviço disponíveis para desenhar e assinar o projeto de segurança específico solicitado pelo shopping.

Comecei a me desesperar, porque achava que não conseguiria resolver aquilo sozinho – e eu estava certo.

Lembro-me de estar no escritório de casa, apoiando a cabeça na cadeira e começando a entrar em pânico, pois não conseguia enxergar uma saída. Fiz várias pesquisas com empresas especializadas em projetos para shopping centers, porém nenhuma trabalhava com o sistema exigido pelo shopping ou conseguiria atender ao prazo disponível. As opções que eu tinha em mente se esgotaram e cheguei a um verdadeiro “beco sem saída”.

Foi então que me lembrei do que a coordenadora anterior sempre dizia em situações assim: “Vamos pedir ajuda para a equipe! Ninguém larga a mão de ninguém.” Escrevi uma mensagem no grupo de trabalho perguntando se alguém conhecia um profissional que pudesse nos atender. Um dos colaboradores comentou que tinha um contato na área e me passou o número de telefone.

Em resumo, esse profissional era bombeiro e engenheiro. Ele conseguiu nos atender em tempo recorde, orientou-nos sobre qual sistema seria ideal para suprir as demandas de segurança do shopping e ainda se disponibilizou para cumprir os prazos de instalação, inclusive fora do horário comercial. O que poderia levar duas semanas foi concluído em apenas três dias, e a inauguração da loja foi um sucesso.

A sensação de varrer a loja na madrugada anterior à inauguração e perceber que aquele espaço só estava pronto porque várias pessoas haviam contribuído para o processo foi marcante. Levei essa experiência comigo para a vida, aplicando esse aprendizado tanto nesse projeto quanto em muitos outros.

Imagem de freepik

Superando crenças irracionais multisseculares

Ainda é muito comum, em nossa sociedade, a ideia de que líderes não podem errar e devem demonstrar segurança o tempo todo. Nesse contexto, pedir ajuda pode ser interpretado como sinal de fraqueza ou insegurança.

Esse era o meu caso. Percebi que carregava a crença irracional de que “não posso demonstrar fraqueza, ou usarão isso contra mim e serei prejudicado”. No entanto, nesta vida, eu não havia passado por experiências que justificassem esse medo quase paralisante.

Segundo a conscienciologia — ciência que estuda a consciência — levamos aprendizados e experiências de uma vida para outra. E isso também pode acontecer com crenças irracionais. Talvez, em alguma época, demonstrar dúvida pudesse ser interpretado como fraqueza e gerar riscos maiores para o grupo. Porém, nos dias atuais, pedir ajuda revelou-se a melhor solução possível, especialmente em posições de liderança.

Percebo hoje que demorei muito tempo para pedir ajuda naquele contexto porque acreditava não haver alternativa. Somente quando enfrentei o medo e estendi a mão aos colegas, solicitando suporte, consegui encontrar uma solução.

O resultado foi positivo não apenas para o trabalho, mas também para mim como pessoa. Depois dessa experiência, comecei a pedir ajuda mais cedo, participando das soluções de forma mais colaborativa e valorizando a contribuição dos outros. E, para minha surpresa, ninguém tentou me atacar ou “puxar meu tapete”. Pelo contrário: as pessoas passaram a se sentir mais corresponsáveis e parte importante do trabalho.

Pensamentos, sentimentos e energias

A conscienciologia também propõe que tudo aquilo que pensamos, sentimos e fazemos afeta nossa realidade e a das pessoas ao nosso redor de maneira objetiva. Ou seja, nossas energias pessoais carregam ideias e sentimentos em todos os momentos e influenciam diretamente as situações que vivenciamos.

Quando penso que “é errado pedir ajuda”, isso afeta minhas emoções, sentimentos e energias. E minhas energias passam a carregar esse padrão de crença irracional, antiga, desatualizada e limitante. No caso das lideranças, esse efeito reverbera de forma ainda mais intensa no grupo e no ambiente de trabalho.

Por outro lado, quando compreendo que pedir ajuda é uma possibilidade positiva, minhas emoções e energias permitem que outras pessoas também contribuam com seus pensamentos, sentimentos e capacidades. Essa conexão em torno de um objetivo comum cria uma força coletiva capaz de resolver situações que a liderança, sozinha, talvez não conseguisse enfrentar.

Imagem de freepik

Sozinhos vamos mais rápido, juntos vamos mais longe

Esse foi um aprendizado que nunca mais esqueci: existem coisas que não conseguiremos fazer sozinhos, mas isso não significa que elas não possam ser realizadas em grupo.

Reconhecer os próprios limites é fundamental. Levantar a mão e pedir ajuda cria a oportunidade para que outras pessoas se conectem com você, com o propósito maior e com a transformação positiva da realidade.

Todas as pessoas — especialmente aquelas em posições de liderança — podem cultivar ambientes mais colaborativos por meio de seus pensamentos, sentimentos e energias. Sejam pequenos hábitos cotidianos ou grandes esforços coletivos, toda ação voltada ao melhor para todos é válida e importante.

Pedir ajuda deixa de ser uma atitude que poderia depreciar alguém perante o grupo e passa a ser um gesto de inteligência emocional e maturidade. Além disso, abre espaço para novas soluções e horizontes que, individualmente, talvez ainda não fossem percebidos.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

João Paulo Pedote graduado em Psicologia, com pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas Municipais. Atualmente trabalha na área de gestão de políticas públicas. Pesquisador da consciência, tem como foco de estudo a relação entre a autoaceitação consciencial e a autoliderança evolutiva.

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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