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Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

Sequestro umbilical

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Entre as dores do pós-parto e os julgamentos da sociedade, uma reflexão necessária sobre a empatia com as mulheres e o laço inquebrável da maternidade real

A mulher, e como o reflexo da árvore da vida, é naturalmente colocada em uma posição privilegiada, trazendo ao mundo, a cada gravidez, mais um ser abençoado com a potencialidade de mudar este mesmo mundo para melhor.

No entanto, algo que não é discutido desde a infância é que, ao gerar essa vida, a mulher muitas vezes é obrigada a hipotecar sua própria identidade, seus sonhos e desejos, aos olhos da sociedade, para preencher o papel da mãe perfeita.

A questão aqui não é apenas viver ou não viver, ser criada pela mãe ou não, mas se a mãe não preencher os requisitos socialmente aceitos, será justo arrancar dela o poder de ter gerado esse ser? E o que dizer dos nove meses que carregou, do momento concebido repleto de amor, da conexão que foi apagada?

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Não, não e não. O poder de gerar uma vida, dado por Deus, não deve ser retirado de nenhuma mulher, independentemente de suas escolhas ou comportamento.

Não importa quão imunda, promíscua ou delinquente ela possa parecer, esse direito não deve ser sequestrado. Pode-se argumentar que isso é ingênuo e inconsequente, mas para toda mãe, esse cordão umbilical nunca deve ser quebrado, a menos que ela mesma escolha fazê-lo, e mesmo assim, de alguma forma, sempre ficará vinculado.

É hora de as mulheres pararem de acreditar que o título de mãe é substituível, que qualquer outra pessoa pode desempenhar esse papel apenas por criar. Sejamos francas conosco mesmas: não existe substituta. Aceito que possa haver boas mães de criação, madrastas, avós, e assim por diante, mas nenhum desses títulos pode justificar a retirada da posição de uma mãe biológica na vida de uma criança (claro que existem exceções).

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Gerar uma criança pode parecer fácil, mas a gestação é um misto de emoções, e muitas mulheres, após o parto, perdem sua essência. As taxas hormonais ficam desequilibradas, surgem problemas como a depressão pós-parto, a auto rejeição, a dor da amamentação e a angústia de não se sentir suficiente, resultando em noites mal dormidas para garantir que a criança esteja saudável e salva.

Portanto, por favor, parem de sequestrar os cordões umbilicais de outras mulheres. Mãe é mãe, e não existe falta de capacidade para desempenhar esse papel. Podemos não ter a estrutura ideal para criar, mas isso não nos tira o título. Sejamos empáticas, mães são mães.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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