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A política que vivemos todos os dias no São Paulo FC

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Por que não devemos nos afastar das decisões do nosso clube?

Por Marcelo Maia

Antes de entrar no tema central deste nosso novo encontro, quero fazer um agradecimento sincero pelo retorno e pelas mensagens que recebi após a publicação do primeiro artigo. É gratificante ver que a busca por uma reflexão serena sobre o futuro do São Paulo Futebol Clube encontrou eco em tantos amigos e associados.

Faço questão de reforçar logo de início: não sou e não serei candidato a nenhum cargo no Conselho Deliberativo nesta eleição. A minha motivação em escrever estas linhas é puramente a de um sócio que vive o clube há quase duas décadas e deseja provocar um debate inteligente, sensato e realista sobre a nossa comunidade.

Nas conversas do dia a dia, é quase automático ouvir a frase: “Eu detesto política” ou “A política é um ambiente sujo, feito de interesses particulares”. É plenamente compreensível que essa percepção exista — afinal, os escândalos e os maus exemplos nos empurram diariamente para a desconfiança. Mas precisamos ter a coragem de olhar para o conceito sem preconceitos: a política em si não é o problema; o problema são as intenções e as atitudes das pessoas que a fazem.

Como já nos ensinava a filosofia clássica, somos seres sociais e políticos por definição. A política não pertence exclusivamente às câmaras municipais, aos parlamentos ou às disputas partidárias. Ela atravessa a nossa vida diária de forma constante e inevitável.

Divulgação

Nós fazemos política quando negociamos a convivência em nossa família, quando alinhamos projetos no ambiente de trabalho, quando organizamos as regras do nosso condomínio ou quando buscamos o consenso entre amigos na escolha de um lazer. A política nada mais é do que a ferramenta humana necessária para organizar o convívio, equilibrar forças, mediar conflitos e estabelecer regras para que uma comunidade viva em harmonia.

Quando trazemos essa lógica para o São Paulo FC, percebemos que o clube social é um ecossistema vivo de relações políticas. A questão não é escolher se teremos ou não política no Morumbi — ela sempre existirá, pois onde há pessoas reunidas em prol de uma instituição, há necessidade de gestão e mediação. A verdadeira questão é: que tipo de política queremos praticar e permitir que pratiquem em nosso nome?

Como o Paulo Maia brilhantemente analisou recentemente aqui neste Portal, ao tratar das lições de Maquiavel na obra O Príncipe (As lições sem romantismo nem ilusões de Maquiavel às vésperas do voto – 17/08/26), olhar para a política exige despir-se de romantismos e ilusões. A política real lida com a natureza humana como ela é, e não como gostaríamos em nossos sonhos ideais.

Achar que um clube gigante como o São Paulo será governado apenas por “boas intenções” sem articulação, diplomacia e pulso firme é uma ingenuidade perigosa. O jogo institucional exige pragmatismo, capacidade de escuta, negociação responsável e, acima de tudo, caráter.

Por isso, quando nos aproximamos das eleições para o Conselho Deliberativo, a atitude mais inteligente do sócio não é se afastar ou demonizar o processo. A omissão apenas abre espaço para que projetos pessoais e corporativismos ganhem força. O nosso papel é examinar o comportamento, o histórico e a vida pregressa dos candidatos.

Se o instrumento da política é neutro, o que determina se ele construirá ou destruirá o clube é a ética de quem o manuseia.

Divulgação

Ao avaliar quem merece o seu voto para o Conselho, convido você a olhar para além dos discursos inflamados e das promessas mirabolantes na véspera do pleito. Observe:

  • Como esse sócio se comporta no dia a dia do clube quando não há holofotes?
  • Ele sabe dialogar e construir pontes, ou busca o conflito constante apenas para gerar engajamento em grupos de mensagem?
  • Ele tem histórico de serviço prestado à nossa comunidade, ou só aparece em anos eleitorais?
  • Ele demonstra equilíbrio e respeito às regras e ao estatuto da nossa instituição?

A política que constrói um São Paulo FC forte não nasce de milagres; nasce da soma de escolhas conscientes feitas por sócios que não se deixam cegar pelo pessimismo. O resgate da credibilidade do nosso clube está em nossas mãos e no nosso discernimento.

Nos próximos dias, continuaremos essa nossa conversa, avançando sobre os caminhos práticos para fortalecer o nosso conselho e zelar pelo patrimônio das nossas famílias no Morumbi.

Um grande abraço a todos e uma excelente reflexão!

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Marcelo Maia, sócio do SPFC há quase 20 anos, empresário e consultor, é também diretor e sócio da Touchédigital Marketing OnLine e conselheiro no Portal Dolce Morumbi®

@marcelo_emaia

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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