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Designer e arquiteto de interiores

Sua casa e a luz que ela projeta

Como a iluminação certa transforma espaços e sensações

Quando você pensa em iluminação, qual é a primeira coisa que vem à mente? Para a maioria das pessoas, a resposta imediata se resume a escolher entre luz quente, fria ou neutra. Na prática, muitos arquitetos e designers de interiores costumam especificar a iluminação neutra ou quente por padrão. No entanto, acredito que o nosso papel principal deve ser o de interpretar a real necessidade do cliente, compreendendo como o globo ocular de cada indivíduo reage à intensidade e à temperatura da cor para proporcionar um conforto óptico verdadeiramente personalizado.

Para entender melhor essa dinâmica, vale relembrar as três temperaturas básicas de iluminação:

Luz Quente (2700K a 3000K): possui tom amarelado e transmite sensações de aconchego, relaxamento e conforto visual.

Luz Neutra (4000K): é intermediária e se assemelha à luz natural do dia, garantindo excelente fidelidade de cores sem cansar a vista.

Luz Fria (5000K a 6500K): clara e intensa, é ideal para estimular o foco, a atenção e a energia.

Como regra geral de projeto, recomendamos as luzes quentes para quartos e salas de estar, e as neutras para banheiros, cozinhas, escritórios, home offices, garagens e lavanderias. Porém, toda regra tem sua exceção! Por exemplo: em uma bancada de cozinha, uma fita de LED fria pode, pela percepção óptica de determinada pessoa, transmitir a sensação de enxergar melhor os alimentos e objetos ao redor.

Outro fator crucial — e que raramente é debatido — é a idade. Com o passar dos anos, são poucas as pessoas que conservam a mesma acuidade visual da juventude. Por essa razão, por mais que existam diretrizes e estudos oftalmológicos, a forma como cada um enxerga o espaço ao seu redor é absolutamente individual.

A harmonização entre luz, luminárias e estilo de decoração

Além da percepção visual, a escolha da temperatura de cor deve caminhar lado a lado com o tipo de luminária e com o estilo de decoração adotado no ambiente.

Luminárias técnicas, como spots e perfis de LED brancos ou neutros, costumam ser escolhas mais fáceis e sem margem para erro na hora da especificação. Já para peças de destaque, é preciso atenção ao “cenário” que se deseja criar:

Estilos Modernos e Minimalistas: pedem uma iluminação mais clara (neutra ou branca). Peças com linhas retas e design clean funcionam muito bem em salas, salas de jantar ou corredores. No Brasil, existe uma preferência cultural por luminárias mais simples e funcionais, até mesmo pela facilidade de manutenção e limpeza no dia a dia.

Estilos Clássicos e Marcantes: para quem aprecia luminárias mais robustas, com detalhes marcantes — seja no estilo Art Déco, Art Nouveau ou nos imponentes lustres de cristal Baccarat —, a iluminação quente é imbatível. Ela confere um ar dramático, sofisticado e acolhedor ao ambiente.

A grande lição da iluminação residencial é que a escolha ideal não depende de regras engessadas, mas sim de como a sua sensibilidade óptica enxerga e sente o espaço. A sua casa deve refletir a luz que faz você se sentir bem.

See You Soon!

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Paulo Di Mello é designer e arquiteto de interiores com trabalhos reconhecidos no Brasil e exterior e destaque em publicações como “Revista CasaCor“, “Revista Decorar”, “Portilato USA” e “Miami Beach Interior Design”. Busca agregar em seus trabalhos a identidade de seus clientes, criando trabalhos personalizados. Tem especialização em projetos voltados para a inclusão social, em especial para estabelecimentos comerciais, o que lhe permite emitir um selo de acessibilidade.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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