Sabe aquele café que você combina há semanas? A mensagem de alguém querido que ficou para responder com calma? Às vezes, a gente termina o dia depois de resolver tanta coisa e percebe que deixou justamente esses encontros para depois. Não faltou vontade. Entre um compromisso e outro, o tempo passou, e aquilo que parecia poder esperar ficou para amanhã.
Vivemos num mundo que muda depressa. Ainda elaboramos experiências da pandemia, aprendemos a conviver com a inteligência artificial e procuramos distinguir o que merece confiança em meio a tantas informações. Nas conversas mais próximas, notícias falsas e polarizações podem ocupar o espaço que antes era da curiosidade de ouvir o outro.

Por isso, falar de saúde mental também é olhar para os nossos vínculos. A Organização Mundial da Saúde destaca a importância da conexão social para a saúde física e mental, considerando o apoio que trocamos e a qualidade das relações. Talvez você reconheça esse valor depois de uma boa conversa: contar uma novidade, dividir uma dúvida, rir de uma lembrança.
Isso atravessa as amizades, o trabalho, a vida a dois, a maternidade, a paternidade e os espaços de espiritualidade. Em cada um desses lugares, podemos observar como escutamos, expressamos o que sentimos e recebemos o que o outro tem a dizer. Há conversas que aproximam porque nos permitem conhecer algo que a pressa não deixava perceber.

E você também precisa encontrar lugar nessa atenção. Talvez queira voltar a caminhar, marcar uma consulta ou retomar algo de que gosta. Colocar-se na agenda é reservar espaço para esses cuidados. Às vezes, isso exige compartilhar uma responsabilidade ou pedir apoio para que esse tempo seja possível.
É com esse convite que começo a nossa Dolce Travessia: escolha algo importante que você adiou e dê um primeiro passo nesta semana. Marque o café, faça a ligação, reserve aquele horário. Uma ponte pode começar assim, quando damos tempo e presença ao que merece fazer parte da nossa vida.





























