Sartre estava coberto de razão quando escreveu que a danação somos nós. E seguimos confirmando, com uma consistência admirável.
Os primeiros homens, ainda em pequenas tribos, caçavam e eram caçados. Nada muito sofisticado, mas funcional.
Mas, um belo dia, quando deixaram de serem nômades, o lote do vizinho pareceu maior, mas fértil e tal visão atiçou um desejo incontrolável de domínio da terra alheia.
Iniciaram-se as invasões e partir daí, ao longo de séculos, foi uma sequência ininterrupta de guerras, domínios, posses, poder, chacinas, etc., etc., etc. Ou seja, um Deus nos acuda…

Os nossos problemas políticos e bélicos, que no fundo se equivalem, são exatamente os de milênios atrás.
Continuando o raciocínio, o que tem tudo isso a ver com o título? Ah! Eu precisava dessa pequena introdução para poder explicar o tal relógio.
Em 1947, cientistas que ajudaram a criar a bomba atômica decidiram transformar a preocupação em um aviso claro ao mundo.
Assim nasceu o Relógio do Apocalipse, um jeito simples de mostrar o quão perto estamos de causar nossa própria destruição.
Primeiramente, o relógio não existe fisicamente, ele é simbólico e tem como referência de perigo: armas nucleares, guerras e tensões, mudanças climáticas e tecnologias perigosas. E então “ajusta o ponteiro”.
Se você ainda está achando complicado, e é complicado imaginar algo tão abstrato e ao mesmo tempo tão “apocalíptico “, agora vai!
Pense assim:
Meia-noite = desastre mundial.
Antes da meia-noite = ainda dá tempo de evitar.
O reloginho do “juízo final”, não lê as horas, ele mede risco iminente. Resumindo, desde que o homem decidiu dar uma espiada na propriedade do vizinho, a ganância dominou o nosso ser e estamos pagando o preço bem alto.
Nesse exato momento há guerras pelo mundo. Também há mudanças climáticas e desastres da natureza. Todos esses fatores unidos fazem com que o relógio esteja a 90 segundos da meia-noite, o ponto mais próximo já registrado.
Tudo isso que eu escrevi acima deve ser lido com o Réquiem de Mozart, para um clima do fim do mundo irretocável. É, estou sendo sarcástica porque é melhor rir para não chorar..

Eu fico pensando no que esse ponteiro está tentando nos dizer. No fim, ele não está ali para assustar, mas para clarear: entender o momento, cobrar decisões melhores e evitar o erro antes que ele aconteça. Melhor trocar o medo por lucidez.
Em última análise, muda o idioma, muda a bandeira, mas a cena é sempre a mesma: um americano, um russo, um árabe e um hebreu, sem pedras lascadas mas, com drones.
Acrescento ainda que, apesar de não estarem confinados “Entre Quatro Paredes”, e geograficamente distantes, o contexto é o mesmo. Citando o escritor, segue uma frase que fecha o pensamento:
— “Não há necessidade de brasas: o inferno são vocês.”
E você? Eu gostaria mesmo de saber a sua opinião a esse respeito.
Tic-tac, Tic-tac…





























