Skip to content
Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

A separação e os seus amigos

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Muitos deles, que antes eram “apoio”, passam a ser vistos como problema

Vivemos em um mundo cheio de ideais, regras, posturas sociais e padrões.

Mas quando entramos nas questões emocionais e amorosas, as coisas não são assim tão simples.

Quando se fala em separação, a primeira recomendação é sempre a mesma:

“Procurem ajuda antes de se separarem.”

“Vão falar com os padrinhos.”

“Vão falar com os tios.”

“Vão falar com os vossos pais.”

Mas eu pergunto: será que estas pessoas são mesmo capazes de resolver?

Ou, por vezes, acabam por piorar a situação?

Porque, sejamos honestos. Mesmo sendo padrinhos, familiares ou amigos próximos, existe quase sempre uma simpatia maior por um dos lados.

E quando isso acontece, numa discussão, a tendência é clara: vamos apoiar mais aquele com quem temos mais ligação, mais afinidade, mais carinho.

E no fim, deixamos de ajudar.

Passamos a tomar partido.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Então será que essas pessoas, que nos conhecem tão bem, são realmente as mais indicadas para resolver?

Dependendo da maturidade de cada um, eu não sei.

E é aqui que entra outra questão:

E a terapia?

Uma pessoa neutra.

Alguém de fora.

Uma terapia de casal.

Uma abordagem diferente para tentar evitar a separação.

Pode ajudar? Pode.

Mas olhando para a nossa realidade, para o nosso contexto africano, como é que nós vemos a terapia?

Não vemos com bons olhos.

Ainda existe muito a ideia de que terapia é “coisa de quem tem problemas mentais”.

Que vamos expor a nossa vida a estranhos.

Que não vale a pena.

E, muitas vezes, mesmo quando se decide ir, nem se diz toda a verdade.

Ou pior: vai só um dos lados.

São poucos os casais que, antes de chegarem à palavra “separação”, escolhem sentar-se juntos e procurar ajuda profissional.

O que fazemos, na maioria das vezes?

Vamos aos amigos.

Vamos à família.

Vamos acumulando.

Vamos adiando.

E, no fim, a separação chega.

E quando chega, os “amiguinhos da separação” já não têm muito a fazer.

Pelo contrário.

Muitos deles, que antes eram “apoio”, passam a ser vistos como problema.

Porque ajudaram demais um lado.

Porque tomaram dores que não eram deles.

Porque deixaram de ser neutros.

E há casos ainda mais extremos.

Famílias que entram em conflito direto.

Que invadem, que confrontam, que criam guerras baseadas numa única versão da história.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

E aí já não se fala apenas da separação. Fala-se dos estragos causados pelos amigos da separação.

E eu pergunto: vale mesmo a pena?

Ou não seria melhor procurar alguém neutro, preparado, com ferramentas para ajudar o casal?

Alguém que não tenha interesse emocional em nenhum dos lados.

A terapia de casal.

Há quem diga: “Eu prefiro ir ao meu pastor.” Nada contra.

Mas é preciso reconhecer: o pastor também fala a partir de uma visão.

De um contexto. De uma crença.

E, infelizmente, muitas vezes a orientação é:

“Minha filha, aguenta.”

“Minha filha, suporta.”

“Do lar não se sai.”

E, com isso, continuamos em relações tóxicas, em relações doentes, em relações que já perderam o equilíbrio.

Tudo porque temos medo da vergonha. Medo do julgamento. Medo de sair.

E, no meio disso tudo, os “amigos da separação” vão alimentando mais ruído do que solução.

Por isso, deixo-te uma reflexão: vais escolher os amigos da separação ou vais escolher resolver, de verdade, a tua relação?

Porque, no fim, ninguém vive as consequências além de ti.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

Demais Publicações

O gesto na escuridão

O caráter como construção diária

Por que as vilãs parecem sempre conseguir o que querem?

A verdade é simples e uma pouco desconfortável: quem se prepara mais, normalmente chega mais longe

Se tudo é sugerido, o que ainda é escolha sua?

A inteligência artificial já influencia muito mais do que decisões. Aos poucos, ela também começa a moldar preferências, opiniões e até identidades.

Nova loja da Decathlon no Morumbi Town facilita a rotina de quem quer treinar no dia a dia

Com formato inédito no Brasil e foco em corrida, fitness e natação, espaço aposta em conveniência, proximidade e novidades de produto para integrar o esporte à rotina urbana

Menu da minha pausa

Diferente da maternidade, que acaba sendo uma escolha, a menopausa não é opcional

A vida nos impõe dureza

A violência e o medo tentam nos esvaziar, mas a nossa natureza é feita de algo muito mais profundo

Com nova NR-1, empresas passam a responder por riscos ligados à saúde mental

Por Adriana S. Carreira A atualização da NR-1 marca uma inflexão relevante na forma como as empresas brasileiras

Torturante band-aid no calcanhar

Acho que não existe coisa pior do que sentir a presença de alguma coisa que não deveria dar sinal de vida

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

publ-gisele-ribeiro-reiki-16.10.25-1-1
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções