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Crônicas do cotidiano e profissional de Marketing

O Relógio do Apocalipse

Design Dolce Morumbi® sob Imagem de Rochak Shukla no Freepik

Os nossos problemas políticos e bélicos, que no fundo se equivalem, são exatamente os de milênios atrás

Sartre estava coberto de razão quando escreveu que a danação somos nós. E seguimos confirmando, com uma consistência admirável.

Os primeiros homens, ainda em pequenas tribos, caçavam e eram caçados. Nada muito sofisticado, mas funcional.

Mas, um belo dia, quando deixaram de serem nômades, o lote do vizinho pareceu maior, mas fértil e tal visão atiçou um desejo incontrolável de domínio da terra alheia.

Iniciaram-se as invasões e partir daí, ao longo de séculos, foi uma sequência ininterrupta de guerras, domínios, posses, poder, chacinas, etc., etc., etc. Ou seja, um Deus nos acuda…

Imagem de freepik

Os nossos problemas políticos e bélicos, que no fundo se equivalem, são exatamente os de milênios atrás.

Continuando o raciocínio, o que tem tudo isso a ver com o título? Ah! Eu precisava dessa pequena introdução para poder explicar o tal relógio.

Em 1947, cientistas que ajudaram a criar a bomba atômica decidiram transformar a preocupação em um aviso claro ao mundo.

Assim nasceu o Relógio do Apocalipse, um jeito simples de mostrar o quão perto estamos de causar nossa própria destruição.

Primeiramente, o relógio não existe fisicamente, ele é simbólico e tem como referência de perigo: armas nucleares, guerras e tensões, mudanças climáticas e tecnologias perigosas. E então “ajusta o ponteiro”.

Se você ainda está achando complicado, e é complicado imaginar algo tão abstrato e ao mesmo tempo tão “apocalíptico “, agora vai!

Pense assim:

Meia-noite = desastre mundial.

Antes da meia-noite = ainda dá tempo de evitar.

O reloginho do “juízo final”, não lê as horas, ele mede risco iminente. Resumindo, desde que o homem decidiu dar uma espiada na propriedade do vizinho, a ganância dominou o nosso ser e estamos pagando o preço bem alto.

Nesse exato momento há guerras pelo mundo. Também há mudanças climáticas e desastres da natureza. Todos esses fatores unidos fazem com que o relógio esteja a 90 segundos da meia-noite, o ponto mais próximo já registrado.

Tudo isso que eu escrevi acima deve ser lido com o Réquiem de Mozart, para um clima do fim do mundo irretocável. É, estou sendo sarcástica porque é melhor rir para não chorar..

Imagem de freepik

Eu fico pensando no que esse ponteiro está tentando nos dizer. No fim, ele não está ali para assustar, mas para clarear: entender o momento, cobrar decisões melhores e evitar o erro antes que ele aconteça. Melhor trocar o medo por lucidez.

Em última análise, muda o idioma, muda a bandeira, mas a cena é sempre a mesma: um americano, um russo, um árabe e um hebreu, sem pedras lascadas mas, com drones.

Acrescento ainda que, apesar de não estarem confinados “Entre Quatro Paredes”, e geograficamente distantes, o contexto é o mesmo. Citando o escritor, segue uma frase que fecha o pensamento:

— “Não há necessidade de brasas: o inferno são vocês.”

E você? Eu gostaria mesmo de saber a sua opinião a esse respeito.

Tic-tac, Tic-tac…

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Cecília Trigueiros é profissional de Marketing e cronista.
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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