Skip to content
Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

Bocas de Matilde

Figura em guache preto no papel Canson por Ana Helena Reis

Boa parte da fofoca é exatamente isso: remexer o que não nos diz respeito e, muitas vezes, descobrir que dentro não havia nada

Fofoca existe desde os tempos das cavernas. Antes da escrita, o ser humano já apontava para o vizinho da pedra ao lado e cochichava algo como: “Você viu com quem o Og saiu para caçar mamute?”. A civilização evoluiu, criamos internet, inteligência artificial, carros elétricos — mas seguimos profundamente interessados na vida alheia.

A palavra “fofoca”, dizem os estudiosos, pode vir de um termo africano ligado a “revolver” ou “invólucro vazio”. Achei bastante apropriado. Porque boa parte da fofoca é exatamente isso: remexer o que não nos diz respeito e, muitas vezes, descobrir que dentro não havia nada.

O mais curioso é que a fama de fofoqueiras ficou com as mulheres, mas uma pesquisa inglesa mostrou que os homens fofocam até mais. A diferença é apenas de embalagem. Enquanto elas admitem sem cerimônia — “menina, você soube?” — eles preferem chamar de “troca de informações”. O que é ótimo. Basta colocar um nome corporativo em qualquer hábito duvidoso e pronto: a fofoca vira networking.

A verdade é que falar da vida dos outros movimenta a humanidade. Move rodas de conversa, programas de televisão, canais de internet e carreiras inteiras. Tem gente que vive de expor a intimidade alheia e gente que sobrevive expondo a própria. O velho “falem mal, mas falem de mim” ganhou ring light, microfone e patrocínio.

Já para nós, mortais comuns, a experiência costuma ser menos glamourosa. Ninguém acorda feliz ao descobrir que virou assunto no grupo da família ou no café do trabalho. E, ainda assim, basta surgir um “você não sabe da última…” para a nossa ética sair discretamente pela porta dos fundos.

Por isso, este texto não é uma lição de moral. É quase uma confissão. Porque, se existe algo mais humano do que ouvir uma fofoca, é jurar que não gosta… enquanto pede os detalhes.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

Demais Publicações

Ao mestre, com carinho

O presente perfeito precisava ser praticamente autossuficiente

Sexualidade e desenvolvimento

Instrumentalizar um jovem com informações de qualidade em situações sexuais de forma realista pode ser um divisor de agua na sua vida!

Live commerce deixa de ser vitrine e vira estratégia de relacionamento

Empresária usa transmissões ao vivo para aproximar consumidor e marca, transformando interação em confiança e decisão de compra no varejo de joias

O tribunal do presente na tentação do anacronismo

Exigir que o passado obedeça à cartilha moral do presente não é sinal de evolução, mas de arrogância cultural — a fúria puritana sempre preferiu a condenação ao esforço da compreensão

Cemitérios históricos que são verdadeiros museus a céu aberto

Muito além de locais destinados às despedidas e à memória dos que partiram, alguns cemitérios preservam importantes registros da história, da arte e da sociedade

Dislexia

O primeiro sinal possível de dislexia é em relação a grande dificuldade que a criança tem em assimilar o que é ensinado

O Convite: proposta indecente ou terapia de casal?

Entre a provocação dos vizinhos e a ciência do afeto: o que acontece quando o desejo do outro nos obriga a acordar?

A cor reflete a personalidade da sua casa

Mais do que estética, a cor é a linguagem visual da sua identidade: ela molda atmosferas, desperta memórias e traduz a forma como você escolhe viver o seu espaço

O ambiente que você frequenta determina até onde você pode chegar

O verdadeiro valor de uma comunidade está no quanto você se envolve, contribui, aprende e constrói relacionamentos genuínos

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

dolce-mulher-publ-22-segredos-da-mulher-confiante-post-inst
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções