Receber parceiros em psicoterapia exige muita sensibilidade e habilidade clínica. Geralmente, os casais chegam ao consultório com demandas que não conseguiram resolver sozinhos — conteúdos e conflitos muitas vezes armazenados por anos, sem que nenhuma das partes tenha tomado a iniciativa de romper o ciclo.
São inúmeros os fatores que levam os parceiros a buscarem ajuda, mas um deles se destaca pelo silêncio: a sexualidade. Ainda existem muitos tabus quando o assunto gira em torno do sexo. É raro encontrar casais que conversem abertamente sobre o tema. Fala-se sobre finanças, férias escolares, criação dos filhos e política, mas a vida íntima raramente é abordada com naturalidade.
É importante lembrar que essas barreiras não surgem por acaso. É preciso levar em consideração o repertório e o histórico de cada parceiro. Quanto mais rígida e repressiva tiver sido a educação de uma pessoa, maior será sua dificuldade em tratar do assunto na vida adulta — lembrando que são poucas as pessoas que de fato receberam uma educação sexual saudável durante o seu desenvolvimento.

No consultório — seja no formato presencial ou online —, as principais queixas iniciais envolvem a busca por melhorar a comunicação, resolver conflitos constantes, superar quebras de confiança (como traições) ou lidar com mudanças drásticas na rotina que abalam a estabilidade do casal.
O que mais se observa na prática clínica é a falha na comunicação alimentada pela instabilidade emocional. Quando os parceiros não conseguem expressar o que sentem sem gerar discussões, os conflitos escalam rapidamente. O diálogo torna-se improdutivo, gerando mágoas acumuladas e acusações mútuas.
Curiosamente, na maioria das vezes, o casal não traz a questão da sexualidade logo na primeira sessão. No entanto, à medida que o processo terapêutico avança e o ambiente se torna seguro, surgem as queixas sexuais que até então pareciam inexistentes.
Quando essas demandas aparecem, nosso papel é propor modificações no repertório do casal para favorecer a resposta sexual. Contudo, para gerar essa mudança de comportamento, é fundamental promover, antes, as condições cognitivas, situacionais e emocionais adequadas.

Qualquer modelo de relacionamento que enfrente dificuldades na convivência pode — e deve — buscar ajuda profissional, independentemente da faixa etária ou do gênero. O distanciamento afetivo, a falta de intimidade e a ausência de uma comunicação assertiva são os principais sinais de alerta de que é o momento de recorrer a um especialista.




























