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Despertar o melhor de cada pessoa através do autoconhecimento, da autenticidade e da conexão com sua verdadeira essência

A menina que você foi ainda influencia a mulher que você se tornou

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Como as feridas da infância podem reaparecer na vida adulta em forma de medo, autocobrança, dependência, controle e dificuldade de construir relações saudáveis

Antes de se tornar a mulher que você é hoje, você foi uma menina tentando compreender o mundo, descobrir seu valor e encontrar segurança nas pessoas que estavam ao seu redor.

Talvez essa menina tenha sido muito amada, mas pouco ouvida. Talvez tenha crescido tentando não dar trabalho, buscando aprovação, escondendo sentimentos ou aprendendo que precisava ser perfeita para ser reconhecida. Talvez tenha vivido ausências, rejeições, críticas, humilhações, injustiças ou quebras de confiança.

Também é possível que tenha sido tão protegida que não conseguiu experimentar, errar e desenvolver segurança para enfrentar a vida com autonomia.

Os anos passaram, mas algumas das respostas emocionais construídas naquela época podem ter permanecido.

E é assim que a menina ferida, muitas vezes silenciosamente, continua influenciando os comportamentos da mulher adulta.

A infância termina. Mas algumas formas de proteção aprendidas nela podem atravessar muitos anos.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Quando tentamos mudar somente o comportamento

É comum uma mulher reconhecer que precisa mudar determinado comportamento:

  • Preciso parar de me envolver com pessoas indisponíveis.
  • Preciso aprender a dizer não.
  • Preciso confiar mais.
  • Preciso deixar de controlar tudo.
  • Preciso parar de aceitar tão pouco.
  • Preciso ser menos dependente.

Ela compreende racionalmente o que deveria fazer. Lê, estuda, recebe conselhos e até decide agir de outra maneira. Entretanto, diante de uma situação emocionalmente desafiadora, volta a repetir o mesmo padrão.

Isso acontece porque nem sempre o problema está apenas no comportamento. Muitas vezes, ele está no significado emocional que aquela situação carrega.

Uma mulher pode saber que precisa estabelecer limites e, ainda assim, sentir culpa ao dizer “não”. Pode perceber que uma relação a prejudica e continuar tentando salvá-la. Pode desejar proximidade, mas afastar-se quando começa a se envolver emocionalmente. Pode conquistar resultados importantes e continuar acreditando que nunca é boa o suficiente.

Quando olhamos somente para o comportamento, corremos o risco de chamar de fraqueza aquilo que, durante muito tempo, funcionou como proteção.

As feridas não aparecem da mesma maneira em todas as mulheres

Experiências da infância não determinam, sozinhas, quem uma mulher será. A intensidade, a frequência, o contexto e a existência de vínculos seguros também influenciam a forma como cada pessoa atravessa essas experiências.

Ainda assim, algumas marcas podem reaparecer na vida adulta:

  • Abandono: pode se manifestar no medo constante de perder alguém, na dependência emocional ou na dificuldade de ficar sozinha.
  • Rejeição: pode aparecer na busca excessiva por aprovação, na comparação, na insegurança ou no afastamento como forma de evitar uma nova dor.
  • Crítica e humilhação: podem alimentar vergonha, perfeccionismo, medo de errar e uma voz interior extremamente severa.
  • Traição: pode favorecer desconfiança, ciúme, necessidade de controle e dificuldade de se entregar emocionalmente.
  • Injustiça: pode contribuir para rigidez, autocobrança, dificuldade de demonstrar vulnerabilidade e necessidade de provar valor o tempo todo.
  • Superproteção: mesmo quando nasce do amor, pode dificultar o desenvolvimento da autonomia e aumentar o medo de decidir, errar ou enfrentar frustrações.

Isso não significa que toda mulher que teme ser abandonada tenha vivido abandono, nem que todo comportamento adulto possa ser explicado pela infância.

Significa que vale a pena investigar quando uma reação é intensa, repetitiva e desproporcional ao que está acontecendo no presente.

A mulher adulta pode reagir à situações de hoje com o medo que a menina de ontem ainda não conseguiu elaborar.

O que um comportamento tenta proteger

Uma criança não possui os mesmos recursos emocionais de uma mulher adulta. Ela não consegue analisar profundamente o que está vivendo, questionar a estrutura familiar ou compreender as limitações dos adultos.

Ela apenas sente — e tenta encontrar uma forma de sobreviver emocionalmente.

Para não ser rejeitada, pode aprender a agradar. Para não ser humilhada, pode tentar ser perfeita. Para não ser traída, pode começar a controlar.

Para não sofrer com a ausência, pode tornar-se dependente — ou decidir que nunca mais precisará de ninguém. Para não decepcionar, pode assumir responsabilidades que não pertencem a ela.

Esses comportamentos podem ter protegido aquela menina em algum momento. Porém, quando continuam ativos na vida adulta, podem comprometer relacionamentos, escolhas profissionais, autoestima, autonomia, saúde emocional e a realização de objetivos.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

A ligação com os sabotadores

Algumas dessas respostas também podem ser percebidas por meio dos chamados sabotadores: mecanismos automáticos de pensamento e comportamento que se intensificam diante do estresse, do medo ou da sensação de ameaça.

Nesse modelo, são identificados dez sabotadores: crítico, controlador, esquivo, hiper-realizador, hiper-racional, hipervigilante, inquieto, insistente, prestativo e vítima.

Esses sabotadores ajudam a formar padrões: comportamentos, pensamentos e respostas emocionais que se repetem, mesmo quando já não são saudáveis. Eles podem prejudicar relacionamentos, escolhas, desempenho profissional, autoestima, bem-estar e a realização de objetivos. Reconhecê-los é perceber não apenas o que fazemos, mas o que nos leva a repetir aquilo que não nos faz bem.

Uma mulher que cresceu sendo constantemente criticada pode desenvolver uma autocrítica severa ou tentar provar seu valor por meio do Hiper-Realizador.

Aquela que aprendeu que precisava ser útil para receber amor pode fortalecer o Prestativo, colocando todos à frente de si mesma.

Quem viveu instabilidade, traição ou imprevisibilidade pode tornar-se Hipervigilante ou Controladora, tentando antecipar riscos e impedir novas dores.

Já o Esquivo pode levar a mulher a fugir de conflitos, decisões ou conversas difíceis porque, em algum momento, evitar foi a maneira encontrada para se proteger.

Não existe, porém, uma relação automática entre uma ferida e um sabotador. Uma mesma experiência pode gerar respostas diferentes, e vários sabotadores podem coexistir.

O mais importante é perceber que a autossabotagem nem sempre é preguiça, fraqueza ou falta de força de vontade. Muitas vezes, é uma estratégia antiga sendo aplicada a uma realidade que já mudou.

Não se trata de culpar o passado

Olhar para a infância não significa culpar os pais por todos os problemas da vida adulta. Nossos cuidadores também carregavam suas histórias, limitações, medos e feridas.

Compreender a origem de um padrão não serve para alimentar ressentimentos. Serve para assumir uma responsabilidade mais consciente sobre aquilo que fazemos com a nossa história a partir de agora.

A pergunta deixa de ser apenas “Por que eu ajo assim?” e passa a incluir:

  • O que esse comportamento tenta evitar?
  • Do que ele acredita estar me protegendo?
  • Em que momento aprendi a reagir dessa maneira?
  • Essa proteção ainda é necessária?
  • Qual resposta mais saudável posso desenvolver hoje?

Quando uma mulher compreende o que existe por trás de seu comportamento, ela deixa de lutar apenas contra aquilo que aparece. Passa a cuidar também da raiz.

Você não precisa continuar repetindo para sobreviver

Tomar consciência não apaga o que aconteceu, mas muda o lugar de onde construímos o futuro.

A mulher adulta pode desenvolver os recursos que a menina ainda não possuía. Pode aprender a estabelecer limites, sustentar suas escolhas, acolher suas emoções, construir autonomia e se relacionar sem precisar se abandonar.

No dia 03 de novembro, às 19h15, realizarei o workshop Feridas Emocionais da Infância.

Será um encontro para aprofundarmos cada uma dessas feridas, identificarmos os sabotadores relacionados aos nossos comportamentos e compreendermos como a menina que fomos ainda pode influenciar a mulher que somos.

Também trabalharemos a conexão com a criança interior e os primeiros caminhos para cuidar dessas marcas com mais consciência, fortalecendo a autoestima, a autonomia emocional e a construção de relações mais saudáveis.

Se você reconhece comportamentos que se repetem, mesmo quando já sabe que eles a prejudicam, talvez não lhe falte força de vontade.

Talvez esteja faltando compreender a origem daquilo que você tenta mudar.

Você não precisa continuar corrigindo apenas o comportamento. É possível conhecer a raiz e começar uma transformação mais profunda.

Participe do workshop e venha compreender a história que existe por trás dos seus padrões. Inscreva-se: 11 94756-5478

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Kekligian atua há quase uma década na área de desenvolvimento humano, ajudando mulheres a fortalecerem autoestima, autoconfiança e inteligência emocional através de uma abordagem voltada ao comportamento humano, vínculos afetivos e desenvolvimento pessoal. Educadora da Autoestima e da Autoconfiança, especialista em Inteligência Emocional e Dependência Emocional.
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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