Por Eduardo Marcondes Suave
Amigo leitor e amiga leitora!
Sentir prazer é uma das maiores dádivas da vida. A dopamina, neurotransmissor associado à recompensa, nos dá essa sensação ao saborear um bom prato, ao estar na companhia dos amigos, quando nos apaixonamos ou vivemos a intimidade do sexo. Buscar momentos de felicidade é saudável e necessário, pois dá cor à rotina e sentido às nossas escolhas.
O problema surge quando essa busca deixa de ser equilíbrio e se transforma em obsessão. O prazer, que deveria ser tempero, passa a ocupar o prato principal. É aqui que entra o hedonismo, uma filosofia que coloca o prazer como objetivo máximo da existência. Quando levado ao extremo, pode transformar algo natural em um estilo de vida egoísta e vazio.

Vale a pena se perguntar: até que ponto um instante de prazer compensa suas consequências? Um jogo de azar pode trazer adrenalina, mas também dívidas. Um gasto impulsivo pode trazer euforia, mas esvaziar sua conta bancária. O excesso de sexo, comida ou compras pode gerar um vazio ainda maior, acompanhado de culpa, arrependimento e problemas concretos.
Se a busca pela satisfação começa a prejudicar sua vida acadêmica, seu trabalho ou seus relacionamentos, é sinal de que algo saiu do controle. O hiperfoco em atividades prazerosas deixa de ser saudável e começa a se parecer mais com uma prisão do que com liberdade. A dopamina, que deveria ser aliada, se torna uma algema invisível.
A vida plena não está na busca incessante por satisfação, mas no equilíbrio. Aproveitar bons momentos, sem fazer deles o centro de tudo. Buscar o prazer pelo prazer pode parecer tentador, mas não garante felicidade duradoura. No fim, o que vale mesmo é viver de forma consciente, cultivando experiências que tragam sentido e não apenas um instante de euforia.

Fontes:
• Berridge, K.C., & Kringelbach, M.L. (2015). Pleasure systems in the brain. Neuron, 86(3), 646–664.
• Seligman, M.E.P. (2011). Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being. Free Press.
• Epicuro. Carta sobre a Felicidade (a Meneceu). São Paulo: Editora Unesp, 2002.