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Crônicas ilustradas sobre a vida e o cotidiano

Posto, logo existo

Ilustração de Ana Helena Reis feita com caneta nanquim em papel Canson

Com as redes sociais, surgiu um novo tipo de invisibilidade

Recentemente, assisti à peça O Figurante, com Mateus Solano, e saí do teatro com uma pergunta martelando: somos protagonistas ou apenas figurantes da nossa própria história?

No monólogo, Solano interpreta um figurante profissional — alguém que sonha em viver um personagem com voz, rosto, presença… mas nunca sai do fundo da cena. Invisível.

Esse teatro me fez pensar na vida real. Quantos de nós nos sentimos assim?

Com as redes sociais, surgiu um novo tipo de invisibilidade. Há os que estão dentro da rede e os que permanecem fora, invisíveis ao mundo cibernético.

Para fazer parte desse universo virtual, criamos versões idealizadas de nós mesmos, guiadas por um roteiro imaginário em que sempre somos bem-sucedidos, felizes, viajando, cercados de pessoas e conquistas— tudo para postar, compartilhar, viralizar e, assim, escapar do anonimato.  É como se só existíssemos se postarmos algo. “Posto, logo existo.”

Nos espelhamos em influencers, novos “semideuses digitais”, e vamos nos afastando de quem realmente somos.

Fica a reflexão deixada por Solano:

 “Na ânsia de fazer parte desse mundo, acabamos por nos afastar de nós mesmos a ponto de não saber se somos protagonistas ou figurantes de nossa própria história.”

Já pensou nisso?

Design Dolce sob imagem por Jacob Lund em Canva

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Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Helena Reisé escritora, pesquisadora e professora. A escrita de artigos, textos jornalísticos e resenhas esteve sempre presente na vida profissional como presidente da MultiFocus Inteligência de Mercado. A partir de 2019 começou a se dedicar à escrita e publicação de textos em prosa: contos, crônicas, poemas e resenhas, sempre relacionados a fatos e situações do cotidiano. Ao pensar na forma de publicação de seus escritos, foi buscar um outro gosto seu: a pintura e o desenho. Daí surgiram as ilustrações que dão sentido ao próprio nome do seu blog, Pincel de Crônicas. Em 2024 lançou seus primeiros livros solo, “Conto ou não Conto” e “Inquietudes Crônicas”.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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