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Das ideias inatas ao propósito de vida

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

As ideias inatas podem ser um indicador importante para identificar o propósito de vida pessoal

Por João Paulo Pedote

É possível trazer ideias para esta vida? O que elas podem dizer sobre nós mesmos e sobre os caminhos que podemos seguir?

Desde a juventude, eu achava que tinha alguma coisa para fazer nesta vida. Não conseguia explicar exatamente o que era, mas carregava uma sensação íntima de que saberia identificar quando encontrasse.

Por mais que ninguém tivesse me falado sobre essa sensação ou explicado seu significado, ela permanecia presente, como se fosse uma ideia que eu já soubesse desde que nasci. Mas será que era apenas coisa da minha cabeça? Como isso funcionaria e para que serviria?

Eu não percebia outras pessoas à minha volta falando sobre isso, mas nem por isso descartava essa sensação. Guardei esse “saber” dentro de mim e fiquei esperando, porque sentia que, em algum momento, seria importante me lembrar dele.

Foi então que comecei a estudar diferentes linhas de conhecimento e, na conscienciologia, encontrei informações e conceitos que considerei interessantes e consistentes para estudar a consciência de forma mais ampla, considerando as bioenergias, as diferentes dimensões e o fluxo evolutivo do cosmos. Para isso, são propostas muitas palavras e conceitos novos que procuram explicar fenômenos e percepções que vão além dos cinco sentidos.

Entre esses conceitos estava o de “ideia inata”. Foi quando algumas peças do quebra-cabeça começaram a se encaixar, formando um quadro muito maior.

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Experiências e aprendizados antes desta vida

As ideias inatas, segundo a conscienciologia, são informações que trazemos conosco antes de nascer, que não foram ensinadas durante a infância nem aprendidas simplesmente pela observação e imitação das pessoas próximas.

Segundo essa teoria, cada um de nós pode ter experiências anteriores a esta vida e aprender coisas importantes sobre si mesmo, sobre os outros e sobre o universo. Esses aprendizados poderiam contribuir para que a pessoa encontre, na vida atual, um caminho com o qual se sinta mais realizada e satisfeita.

Como nem sempre essas ideias inatas são óbvias ou totalmente claras para a própria pessoa, a conscienciologia apresenta técnicas, práticas e exercícios para que cada um possa investigá-las, mapeá-las e listá-las por si mesmo.

Um desses exercícios poderia começar com algumas perguntas:

  • Você tem algum valor que é marcante desde a infância e que pode até ser diferente daquele predominante em sua família?
  • Existe alguma linha de conhecimento pela qual você sente grande afinidade e facilidade para aprender e assimilar, como se estivesse apenas “relembrando”?
  • Você percebe uma conexão maior com determinado grupo de pessoas ou com determinado ambiente, sem saber explicar exatamente o porquê?

Segundo a conscienciologia, as ideias inatas podem ter diferentes significados, inclusive estar relacionadas a experiências ou lembranças de vidas passadas. Uma das aplicações que considero mais evolutivas desse cabedal de conhecimentos que cada um traz consigo é fazer a seguinte pergunta: “Como eu posso fazer escolhas melhores para todos com aquilo que eu já sei?”

Propósito e ideias inatas

As ideias inatas podem ser um indicador importante para identificar o propósito de vida pessoal. Ou seja, podem apontar para um direcionamento que alinha nossos princípios e valores e servir como referência para as escolhas sobre aquilo que queremos fazer da nossa vida.

Um exemplo pessoal seria a ideia inata de querer ajudar as pessoas de alguma maneira. Essa ideia foi amadurecendo até se transformar no desejo de participar de algum projeto relacionado ao desenvolvimento das pessoas. Com o tempo, foi se desenhando para mim a ideia de uma escola de desenvolvimento humano. Encontrei outras pessoas que tinham ideias parecidas e isso me motivou a me qualificar profissionalmente para poder contribuir para que essa ideia se tornasse realidade.

Quando penso hoje no meu propósito de vida, percebo que ele está se direcionando para colaborar com a educação e a expansão da cognição, para que as pessoas possam crescer por conta própria, gostar mais de si mesmas e desenvolver autonomia e realização pessoal.

Ou seja, aquela ideia inata já parecia apontar para esse caminho, mas eu ainda não conseguia compreendê-la dessa maneira.

No início, eu tinha apenas a sensação de que precisava fazer algo importante. Depois, essa sensação foi tomando a forma de ideias que ficaram mais claras com o tempo e, posteriormente, apontaram para aquilo que hoje compreendo como um propósito maior na minha vida.

O mesmo poderia acontecer com uma pessoa que, por exemplo, desde cedo sente grande afinidade com a água. Mais tarde, identifica a ideia de criar ferramentas para tornar a água própria para o consumo. Com o tempo, essa ideia pode se transformar no propósito de construir uma empresa ou projeto que forneça equipamentos acessíveis para o tratamento de água em regiões mais secas e necessitadas de diferentes países.

Nesse caso, seu propósito de vida poderia estar relacionado a colaborar com o acesso das pessoas a um recurso natural essencial: a água potável. E, desde a infância, algumas ideias e afinidades já poderiam estar apontando para esse caminho.

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Valorização das ideias inatas e materialização do propósito de vida

Quando estamos na correria do dia a dia, precisamos lidar com muitas informações, responsabilidades e pressões. Isso pode acabar ofuscando as ideias inatas que trazemos conosco.

Em alguns momentos, porém, temos lampejos, insights e percepções mais sutis que nos conectam novamente com aquela sensação familiar de algo que já conhecemos ou com a sensação de que precisamos realizar algo importante para nós e para os outros.

Valorizar aquilo que pensamos e sentimos pode ser muito importante, porque talvez ninguém ao nosso redor pense de maneira semelhante. E é justamente nesse momento que podemos ter a oportunidade de acrescentar algo novo e colaborar com o grupo.

Cada consciência é singular e, por isso, pode trazer contribuições igualmente singulares, capazes de ajudar outras pessoas e o coletivo a crescer.

Assim, é possível que as ideias inatas sejam pistas que nos ajudem a alinhar nossos valores e princípios em direção a um propósito pessoal. Elas podem esclarecer um caminho que, de alguma maneira, já sabíamos, lá no fundo, que poderia nos trazer uma realização pessoal verdadeira.

Seja por meio de um projeto, trabalho, livro, empreendimento ou voluntariado, cada pessoa pode encontrar maneiras de materializar seu propósito, compartilhar suas ideias singulares com os outros e construir um senso de realização pessoal nesta vida.

Talvez aquela sensação que carregamos desde cedo, mesmo sem saber explicar, não seja algo que precise ser imediatamente compreendido. Talvez seja apenas uma pista.

E, ao longo da vida, podemos aprender a reconhecer essas pistas, investigar de onde vêm e descobrir o que podemos fazer com aquilo que já sabemos.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

João Paulo Pedote graduado em Psicologia, com pós-graduação em Gestão de Políticas Públicas Municipais. Atualmente trabalha na área de gestão de políticas públicas. Pesquisador da consciência, tem como foco de estudo a relação entre a autoaceitação consciencial e a autoliderança evolutiva.

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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