Paciência

Claudia Alaminos

Olá queridos, já faz um tempo que tenho notado que a paciência que as crianças (e os adolescentes) têm para aguardar algo parece vir diminuindo gradativamente. Vocês também notaram isso? Eles não têm paciência para esperar sua vez, para acompanhar os pais no supermercado, nem para esperar o dia do aniversário para ganhar o presente. Querem tudo antes, adiantado.

É claro que a paciência deve aumentar à medida em que a criança cresce. Ela é sinal de amadurecimento. Um bebê recém nascido não tem nenhuma paciência. Quem já viu uma criaturinha dessas, tão pequena, com fome, se assustou com tamanha demonstração de descontentamento e urgência em ser satisfeito.

As crianças maiores e principalmente os adolescentes devem (ou deveriam) lidar com frustações e espera de uma maneira mais paciente.

Imagem por Alexandr Podvalny on Unsplash

Vocês já pensaram no significado da palavra paciência? Fui procurar e, de acordo com o dicionário do Aurélio online, destaco três significados possíveis:

1. Capacidade de tolerar contrariedades, dissabores, infelicidades;

2. Sossego com que se espera uma coisa desejada;

3. Perseverança.

Vamos refletir sobre o primeiro significado. Como aprendemos a sofrer? Contrariedades, dissabores e infelicidades são tipos de sofrimento e só conseguiremos suportá-los se aprendermos lidar com as frustrações.

photography of woman carrying baby near street during daytime
Imagem por Sai De Silva on Unsplash

Nos primeiros anos, o simples fato de sermos rígidos com o horário de ir para a cama ou termos regras claras do tipo espalhou/recolheu fazem com que a criança perceba que atividades não prazerosas acontecem rotineiramente e que temos que dar conta delas. O importante é não mudar as regras nas primeiras manifestações de raiva ou rebeldia. Nós, pais, também temos que utilizar nossa porção de paciência, embora às vezes, ceder pareça mais fácil e menos estressante.

O segundo significado diz respeito à capacidade de esperar. Quem nunca viu crianças correndo por entre as mesas num restaurante pelo simples fato de que não conseguem aguardar? Elas só ficam quietas quando estão com celulares ou tablets nas mãos para distraí-las. E por que a distração deve vir apenas do externo? Precisamos pensar em como vamos desenvolver um comportamento paciente de dentro para fora.

Perseverar é não desistir. E quando eu me esforço, espero, repito sem jogar tudo para o alto? Quando eu tenho esperança de ser recompensada. Esperança não é certeza mas é o que nos dá energia e paciência para continuar. Será que estamos ensinando as crianças a perseverar?

Tenho observado uma situação com várias famílias. Os pais reunidos com amigos, batendo papo na sala e de repente a criança chega e interrompe os pais querendo algum tipo de atenção. Esta situação se desenrola, majoritariamente (de acordo com a minha experiência) de duas maneiras: na primeira os pais interrompem a conversa instantaneamente e vão atender a demanda da criança; na segunda os pais dizem que não podem atendê-la naquele momento e que em pouco tempo irão procurá-la, o que não acontece porque o pedido da criança cai no esquecimento.

Imagem por Andre Guerra on Unsplash

Como ensinar a perseverar se atendemos imediatamente ou pedimos para aguardar e nunca atendemos? De novo, neste assunto, o ideal é o caminho do meio. Peça para aguardar, e quanto mais nova a criança, menor deve ser este tempo. Mas por favor, cumpra o que disse e vá procurá-la. Senão, por que esperar numa próxima vez se a esperança de ser atendida não existe?
Paciência é uma virtude tão necessária para a boa convivência entre as pessoas e também para evitar dissabores na vida da criança e principalmente depois, quando ela for independente.

Temos que ajudar nossos filhos a serem pacientes. Temos que ensiná-los. Sim, paciência se aprende. E lembrem-se que é melhor que nós aguentemos pitis e rebeldias dando limites com amor do que a vida se encarregue de mostrar que paciência é fundamental para os relacionamentos e a vida em sociedade.

Abraços maternos!

Claudia é mulher, esposa, mãe (de um rapaz e dois gatos), fonoaudióloga, psicopedagoga,
educadora parental em Disciplina Positiva, moradora do Morumbi e futura psicanalista.
Sem Educação nada é possível.
@claualaminos.

Imagem destacada da Publicação:
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