Padrões familiares repetitivos: por que fazemos as mesmas escolhas?

Ana Kekligian

Como a série Maid exemplifica esse comportamento geracional

Talvez você já tenha reagido a alguma situação em sua vida e pensou “Eu estou ficando igualzinha à minha mãe ou igual ao meu pai”.

Ou já deve ter percebido algum tipo de padrão repetitivo que vem de gerações em sua família como; perfeccionismo, teimosia, agressividade, procrastinação, violência, ou até mesmo Alcoolismo, obesidade e muitos outros. 

Pode apostar que, todas as famílias têm padrões repetitivos, o problema é que, quando não prestamos atenção nestes comportamentos, eles tendem a nos acompanhar por muito tempo, gerando sofrimento, se estendendo a outros membros de gerações posteriores.

Atualmente, este tema vem sendo abordado na nova série da Netflix, Maid, que foi inspirada em uma história real contada no livro Superação: Trabalho Duro, Salário Baixo e Dever de Uma Mãe Solo, de Stephanie Land.

Na série, através da perspectiva da protagonista, esta temática atual está sendo debatida e levando discussões sobre a violência doméstica, o abuso psicológico, a maternidade e a busca por assistência do governo e o quão difícil pode ser consegui-lo.

A atriz principal, assim como diversas mulheres ao redor do mundo, é uma mãe solo que está aprendendo a lidar e a reconhecer relacionamentos abusivos, ao mesmo tempo que precisa trabalhar e viver com o mínimo necessário para sustentar sua filha com dignidade.

A partir de todo este enredo, aproveito para trazer uma analogia através desta trama.

Maid | Netflix | Divulgação

A série aborda os Padrões Repetitivos Familiares que a protagonista começa a perceber durante os episódios e, este reconhecimento, a ajuda a compreender o porquê de certas escolhas suas e como elas também impactam a vida de sua filha.

Na trama, ela acaba vivenciando as mesmas situações que sua mãe viveu. Mas por que este padrão acontece?

Nós repetimos padrões de forma inconsciente e, estes comportamentos, acontecem porque nós precisamos vivenciar nossas feridas e confirmar que elas realmente existem.

Possuímos registros em nossas mentes, que estão sendo passados de geração para geração e, tendemos a experienciar as mesmas situações que nossos antepassados vivenciaram a fim de reconhecer nossas feridas no mundo atual.

Diante disto, é preciso quebrar esses padrões negativos a partir do autoconhecimento. Nós carregamos estes padrões de forma inconsciente há muito tempo e não nos damos conta de como eles nos prendem.

Na série, a protagonista começa a perceber os seus comportamentos repetitivos e, quando isto acontece, ela enxerga que eles estão em vários âmbitos de sua vida como mulher, esposa, filha e mãe.

E, a partir do momento que ela coloca consciência nisso e percebe que, além de repetir atitudes de sua mãe, também está repassando para a sua filha, ela ganha uma razão inabalável para ressignificar as suas dores e curar a sua criança ferida.

Esta criança ferida e estes padrões limitantes podem ser trabalhados através de reprogramações, dentro de um processo de Inteligência Emocional que age de forma consciente e inconsciente na ressignificação de situações dolorosas do passado e contribui para a quebra registros limitantes.

Este processo de autoconhecimento é tão importante para nós, mulheres!

Maid | Netflix | Divulgação

Pois, muitas vezes, temos dificuldades em perceber que estamos repetindo padrões e podemos nos colocar em situações perigosas sem ao menos termos consciência disso e herdar os mesmos comportamentos para os nossos filhos.

Violência psicológica, codependência e sentimento de impotência e paralisia diante da situação são alguns padrões que limitam a vida de muitas mulheres e que, por falta de conhecimento da própria história, não conseguem reagir à situação.

É necessário compreender que nossos relacionamentos são baseados em trocas e compartilhamentos justos e nunca sobre violência e abusos. É necessário acolher e olhar com carinho para si mesma e para qualquer outra mulher que precise de ajuda.

Quero aproveitar para contar um pouco da história da minha família.

Um dos padrões que carregamos por gerações, é a desvalorização da mulher, e esse é um ponto muito importante que a minha avó e provavelmente, minha bisavó, tataravó e outras, vem quebrando há tempos. Isto porque, uma geração sempre vem melhor que a outra.

No entanto, eu reconheço que, na minha história, eu quebrei padrões muito fortes e a minha filha também continua a quebrá-los. Por isso, eu até me emociono ao perceber estas quebras, e em como eu e minha filha construímos uma relação mais equilibrada e evoluída.

Eu consegui compreender comportamentos quanto ao desenvolvimento das mulheres e a liberdade em dizer não começando com a minha mãe. Ela foi para o mundo dando gritos de liberdade!

Por isso, minha maior conquista é não ter reproduzido muitos comportamentos destrutivos com meus filhos, embora identifique outros que foram ou que estão sendo trabalhados. Somos imperfeitas e erraremos sempre ao mesmo passo que podemos acertar.

Como dica final, quero deixar um Curta Metragem brasileiro e premiado chamado Vida Maria. Ele é um exemplo maravilhoso de como os padrões familiares repetitivos atuam dentro de uma estrutura e como isto, caso não haja uma quebra de fluxo, pode prejudicar a vida das mulheres de uma mesma família por várias gerações.

Espero que você tenha aproveitado a leitura e que aproveite esta oportunidade para praticar o autoconhecimento a fim de quebrar padrões limitantes para melhorar a sua vida e a das próximas gerações. E conte comigo!

Estamos juntas nesta caminhada!

Ana Kekligian é Master Coach de Desempenho e Especialista em Inteligência Emocional com foco na vida pessoal e profissional. Idealizadora da EBC (Empresa Brasileira de Coaching). Atualmente, possui cinco importantes certificações internacionais pelo IBC (Instituto Brasileiro de Coaching): Professional & Self Coaching, Coaching Ericksoniano, Master Coach, Inteligência Emocional e Análise Comportamental. Conta também com a certificação de Especialista em Inteligência Emocional pela SBIE (Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional), Especialista em Produtividade com: Triad Certified Productivity Specialist, formada pela TriadPS e Master Analista Comportamental pelo Instituto ILG. Atuou por quase 20 anos no mercado corporativo como executiva de marketing com destaque para o marketing direto e publicitário. E é CEO de suas emoções.

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