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Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

Ideia de amar

Design Dolce sob imagem por The Everett Collecton em Canva

Estar com alguém e ainda assim sentir-se só é o sinal mais claro de que algo está quebrado

O título acima pode parecer ilógico e abrir espaço para uma ambiguidade extensa — se é que essa expressão existe — mas posso garantir que, à medida que você for lendo, poderá se deliciar com meu fio de pensamento. Respire fundo e vamos destrinchar isso juntos.

Você já teve a sensação de estar com alguém que diz que te ama, mas cujas ações mostram o contrário? E mesmo diante de questionamentos, essa pessoa continua jurando de pés juntos que é você quem ela ama? Pois é. Talvez nem ela saiba o que está acontecendo.

Poderia dizer que “Ah, essa pessoa só tem dificuldade de expressar sentimentos”, mas hoje quero falar de outro tipo: aquele que acredita que ama, mas na verdade ama apenas a ideia de amar. Cria uma utopia do próprio sentimento, sem perceber que está manipulando o outro com juras desenfreadas.

Design Dolce sob imagem por Gaudi Lab em Canva

Esse tipo de pessoa existe, ainda que não seja comum. Suas ações parecem naturais, mas ignoram os pequenos momentos que são importantes para você. Vive uma vida dupla — sozinho e atrelado — sem demonstrar emoção ao compartilhar momentos de paz. Busca a rua em vez do conforto que você poderia ser.

Você pode se perguntar: “Não seria um narcisista?” Nem sempre. Às vezes, essa pessoa simplesmente desligou o amor dentro de si. Ela acredita que, desde que não te faça mal, está tudo bem. Só recobra a consciência quando você a confronta ou quando o peso social de ser alguém com valores a desperta — até o próximo desligar.

A pergunta que não quer calar: vale a pena estar nesse relacionamento? Difícil dizer. Você estará socialmente com alguém, mas fisicamente sozinha. Talvez, nos momentos em que mais precisar — aqueles que para ela são menos importantes — essa pessoa não estará lá.

Então, respondendo melhor: tudo depende da disposição dessa pessoa em perceber até que ponto quer estar com você. Se estiver disposta a pedir ajuda para melhorar — seja por si ou com apoio de terceiros — talvez valha a pena. Caso contrário, será tenebroso continuar.

Design Dolce sob imagem por Prostock Studio em Canva

Amar não significa estar grudado o tempo todo. Significa estar disposto a colocar o outro em primeiro lugar e se sacrificar, mesmo quando não é necessário. Perguntar se a outra pessoa está disposta a entender, a perceber como pode melhorar a relação, é essencial.

Amar é mais que um sentimento: é uma escolha de dar o melhor de nós ao outro, buscando juntos consertar o que está quebrado. Afinal, todos temos nossos cacos.

Se alguém acredita que amar é viver uma utopia, esmagando silenciosamente o outro no vale da solidão, achando que há vantagem nisso — impedindo-o de ser livre para viver um amor verdadeiro — então essa pessoa não está preparada para amar. Ela ama apenas a ideia de parte do amor, e ainda de forma egoísta.


Estreio esta coluna na Dolce Morumbi® com muito orgulho de estar escrevendo para o público brasileiro! Uma honra e um prazer e espero que você leitora e leitor, aprecie o que trarei aqui. Fico também à disposição para suas críticas e sugestões!

Sou comunicadora e apresentadora de televisão, e encontrei na escrita uma forma profunda e silenciosa de dialogar com o mundo. Escrever é, para mim, um gesto de escuta — uma maneira de refletir sobre a vida contemporânea, as relações humanas, o feminino, o masculino e os contrastes que moldam a nossa sociedade.

A escrita me convida a enxergar o cotidiano com mais lucidez, ternura e verdade. É um exercício de sensibilidade, uma prática de presença. Acredito no poder da palavra como ponte: ela desperta, cura, transforma, inspira.

Cada texto que nasce de mim carrega o desejo de compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, de devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança. Minhas palavras brotam da observação atenta da vida, dos encontros, dos silêncios, das tensões e delicadezas que definem o nosso tempo.

Escrevo sobre feminilidade, masculinidade, espiritualidade e comportamento social — temas que me atravessam e me movem. São caminhos pelos quais busco provocar reflexão e inspirar transformação.

Minha trajetória na comunicação me ensinou que as palavras, quando nascem da verdade, têm o poder de tocar profundamente. Elas alcançam lugares onde o olhar, às vezes, não chega.

Escrevo para mulheres e homens que buscam sentido em suas experiências. Escrevo para quem acredita que pensar e sentir ainda são atos de coragem. Escrevo para tocar — e, nesse toque, lembrar que ainda somos humanos.


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Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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