Estava lendo uma poesia de Carlos Drummond de Andrade percebi quão incrível foi a descrição dele em relação ao Ano Novo.
Ainda bem que alguém teve essa ideia genial em separar o tempo em fatias. Dividir o ano. Criar começos, inventar recomeços.
Acho que se o tempo fosse uma linha continua, sem pausas, talvez a gente desistisse no meio do caminho. Talvez fosse pesado demais carregar tudo de uma vez.
As fatias dão respiro. Elas nos permitem errar em dezembro e tentar de novo em janeiro.
Cansar numa semana e recomeçar na outra. Eu acho lindo isso.

A possibilidade de não precisar acertar sempre. De poder dizer que alguma parte não foi boa, mas que a próxima pode ser.
O ano em fatias não apaga o que passou, mas suaviza. Organiza. Oferece esperança. Talvez o encanto não seja no fato do ano ser novo, mas pelo fato de que a gente pode escolher viver diferente a cada pedaço.
Hoje não precisa ser grandioso. Só consciente. Porque quando a gente entende que o tempo tem partes, a vida fica menos pesada, fica mais humana, mais a cara da gente.





























