Essa tua pele tem gosto de verso proibido, cheiro de palavra sussurrada à meia-luz.
Teus cachos caem sobre o rosto como vinhas indomáveis, e eu me perco feliz no abismo lento do teu olhar.
Você me atravessa inteira.
Não apenas a alma, mas o corpo que estremece ao ser chamado.
Me desfaz em lascas quentes, me espalha em gemidos silenciosos, e depois, com paciência ritualística, me recompõe como quem cria um feitiço com as próprias mãos.
Só você sabe me tirar o chão com um toque e me ensinar o céu com um suspiro.
Ergue-me ao êxtase enquanto minha pele aprende a linguagem das nuvens suaves, frágeis, perigosamente próximas.
Você choveu em mim.
Jan de jardim, de seiva e tempestade.
Abriu sulcos no meu peito, plantou amor onde antes havia espera, e eu floresci molhada de desejo, inteira, viva, rendida ao mistério de ser tua criação.






























