Escuro, solidão, abandono e pessoas estranhas são alguns dos medos mais comuns apresentados pelas crianças, e devem ser encarados como algo natural e até certo ponto saudável, uma vez que pode protegê-los de riscos reais como pessoas e animais estranhos, lugares altos, água, fogo.
Alguns medos podem até ser estimulados, com informação, para que eles desenvolvam cautela sem exageros. Assim, terão a percepção do risco e a atitude de autoproteção. Agora, quando o medo começa a interferir no comportamento da criança, é hora de tomarmos algumas medidas, pois, se não for tratado adequadamente, pode se agravar e virar fobia. Identificar a origem do medo infantil é um processo que exige dedicação, pois boa parte desses temores tem origem na imaginação (fértil) das crianças, mas mesmo o risco sendo imaginário, o sentimento da criança é real, então devemos respeitar.
É preciso estar atento aos sinais demonstrados por nossos filhos.

Medos reais podem surgir de situações que a criança vivenciou e de alguma forma não foram positivas. Veja os mais comuns:
Médico, dentista, vacinas
Ficar diante de uma pessoa estranha com objetos ameaçadores; que são postos nos dentes, na garganta, no ouvido, no peito, nos braços, pode ser uma experiência bem desagradável para algumas crianças. Uma boa ideia é distraí-la com brinquedos durante o exame ou vacina.
Adaptação na escola
Separar-se dos pais por períodos prolongados é difícil para qualquer criança. Os pequenos se sentem muito desprotegidos na fase de adaptação. Seja fiel aos horários, e esteja esperando por ele na saída da escola.
Violência e negligência afetiva
Pais que deixam os filhos emocionalmente desamparados porque estão sempre cansados, agressões físicas, ameaças, humilhações, todo tipo de sofrimento físico e psíquico pode gerar medo e marcar a criança por toda a vida.
Já os medos imaginários aparecem sem justificativa e são causados pela imaginação fértil das crianças. Os mais comuns são:
Escuridão
O escuro favorece a imaginação das crianças. Alguns segundos no escuro antes de dormir, conversando com o pai ou a mãe, são uma forma de estimular a criança a vencer a inquietação. Deixar uma luz indireta próxima à cama também ajuda muito.
Ficar sozinho
Na imaginação da criança, a ausência de uma pessoa da família por perto pode significar que ela está à mercê de todos os perigos. Esclareça que você não vai desaparecer da vida dela! Fale sempre a verdade, de preferência olhando-a nos olhos.
Fantasia
Bruxas, monstros, fantasmas e personagens folclóricos sempre farão parte do imaginário infantil. São elementos presentes nas historinhas que as crianças ouvem e assistem e nas brincadeiras que fazem. Esse universo lúdico é fundamental para o desenvolvimento dos pequenos ao estimular sua capacidade inventiva, função importante do pensamento.
Dicas para ajudar seu filho a enfrentar o medo:
- Acolha e Valide o Sentimento da criança. Nunca diga que o medo é “bobeira”. Para a criança, o medo é real. Acolha, abrace e mostre que ela está segura com você;
- Converse com a criança sobre o que ela sente. Incentive-a a nomear o medo e procure entender a raiz do problema;
- Fale a verdade sobre os medos reais para que ele construa noções de perigo. Mas faça isso sem aterrorizá-lo;
- Não force a criança a enfrentar o que a assusta de imediato. Se for medo do escuro, deixe uma luz fraca no início, diminuindo a intensidade aos poucos.
- Conte histórias, leia livros ou invente contos onde o personagem supera medos semelhantes;
- Brinque com seu filho e entre na fantasia dele. Experiências lúdicas ajudam os pequenos a lidar com seus anseios. Fazer um spray repelente para monstros é uma ótima ideia para que a criança consiga enfrentar seu medo brincando.
- É importante que ele tenha algo familiar à mão para enfrentar os temores na hora de dormir. Pode ser a pelúcia preferida, um paninho, ou o animalzinho de estimação;
- Elogie a coragem da criança quando ela superar um desafio, por menor que seja.

Lembre-se:
Jamais use o medo da criança como meio de poder: além de extremamente cruel, ameaças de deixar o filho sozinho ou no escuro, só aumentam o medo e a sensação de insegurança.
Jamais repreenda, ridicularize ou obrigue seu filho a enfrentar a situação que lhe dá medo sem que ele esteja preparado. Essas atitudes podem causar desequilíbrios psicológicos e emocionais na criança.
Policie-se para que seus próprios medos não os influenciem (as crianças aprendem por imitação e repetição). Caso isso aconteça, procure esclarecer que o medo é só seu e que não deve ser imitado.
Não transfira para o bicho papão a sua responsabilidade em colocar os limites necessários para que seu filho lhe obedeça. Portanto, nunca o ameace ou crie temores de origem fantasiosa para convencê-lo a obedecer. Essas ameaças não educam e podem criar uma ansiedade desnecessária.

Apesar dos medos infantis serem comuns, os pais devem fazer o possível para que seus filhos não os desenvolvam. Isso é possível evitando críticas, humilhações, castigos em excesso e desvalorização da personalidade da criança.
Avalie a intensidade do medo e fique atento para o limite da normalidade, que é a rotina saudável de vida. O amor e o apoio dos adultos são fundamentais para a criança superar ansiedade, insegurança e medos.
Quando o medo começa a paralisar a criança, atrapalhando o sono, a escola ou a socialização, é importante buscar ajuda de um psicólogo infantil.





























