Pouco se fala sobre o sentimento, a sensação de casar e sobre todo o burburinho que isso causa durante o processo. Eu mesma, querida leitora e querido leitor, só de mergulhar nesse cenário já sinto o estômago a dar cambalhotas desgovernadas, como se do meu próprio “sim” se tratasse.
E se eu, que apenas escrevo sobre o assunto, já me sinto assim, imagine quem verdadeiramente está a viver esse processo?
Para quem está de fora, o que se vê é o desgaste financeiro, o cansaço do tempo investido, os exageros nas compras, as guerrilhas familiares, os ajustes intermináveis no vestido, os kulungwanas (sons, feitos também em momentos de alegria). Mas quase nunca alguém pergunta verdadeiramente à noiva: “Estás bem? Tens a certeza do que vais fazer?”
E por que perguntariam?
A partir do momento em que ela diz “sim” ao pedido, já não cabe na nossa mente a mera possibilidade de desistência, confusão ou dúvida. Afinal, ela já aceito. E pronto.
Mas será que todas vão para o altar com certezas absolutas?
Será que o “sim” dito naquele momento foi totalmente sincero, ou foi um “sim” guiado pela pressão da surpresa e pelos olhares expectantes do tão celebrado noivo?

Sinceramente, pergunto-me se toda essa pressão durante o processo de preparação não abre espaço, em algum momento, para uma vontade silenciosa de desistir.
Porque há quem diga que são vários os momentos em que o pensamento de “desistir e fugir” aparece, quase como um presente vindo do obscuro.
Tanto que, na nossa sociedade moçambicana, há quem diga que nem se devem partilhar muitos detalhes dos planos de casamento, porque o diabo é astuto e fará de tudo para destruir a futura união.
E, verdade seja dita, várias tribulações realmente acontecem ao longo do percurso.
Mas seriam essas tribulações criadas pelo nosso subconsciente, pelo medo de que tudo dê errado, como se estivéssemos inconscientemente a chamar trovões negativos para impedir o brilho ensolarado do enlace matrimonial?
Ou seriam apenas acasos da vida e meras coincidências?
É difícil saber.
No final, o que mais se ouve é: “Preparar um casamento não é fácil, preparem-se.”
Dificilmente se ouve alguém dizer — salvo raras exceções — que foi um processo leve.
E se é tão desgastante para a noiva, será que em algum momento ela realmente desfruta disso?
Ou vive o dia do casamento quase como um ato político, algo que precisa cumprir para não enfrentar possíveis represálias familiares?
Pode ser confuso.
E não, não estou aqui a abrir espaço para desistências emocionais. De forma alguma!
Estou apenas a abrir espaço para refletirmos sobre o quão complexo pode ser o caminho até ao “sim” legal. Mesmo quando tudo parece perfeito, é possível que dúvidas apareçam — e isso não significa necessariamente que se deva dar asas a esse sentimento.
Mas, quando elas aparecem, como lidar com isso?
Com quem conversar?

Será justo puxar também o noivo para esse turbilhão emocional, quando ele próprio pode estar igualmente pressionado?
Há ainda quem diga que toda essa confusão não passa de falta de preparo psicológico e financeiro — que, quem tem essas duas bases não transforma o casamento num campo de batalha emocional.
Será verdade?
E será justo terceirizar as nossas dores e confusões dessa forma?
Sinceramente, espero que todas as noivas — e futuras esposas de muitos — consigam encontrar equilíbrio nesse processo e não se afundem em medos inexistentes… ou talvez existentes.
Que estejam firmes, não importa como.
Porque sim, o dia do “sim” é lindo e mágico.
Mas depois desse dia vem a realidade do “sim”: as conquistas, as derrotas e o dia a dia que se constrói até que a morte vos separe.
Por isso, não tome decisões de forma leviana, nem para agradar a outros. Faça por você.
E ainda assim, acredite: dúvidas podem surgir — e isso é humano.
Mas alimentar dúvidas infundadas, Rainha, não…
Isso pode destruir todo o sonho de um “sim”.
Seja forte e decidida.
Mesmo quando os trovões aparecerem, aprenda a transformá-los a vosso favor.
O caminho do “sim” pode ser complexo, mas não precisa ser duro.
Acredite.




























