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Africanamente Dolce

Erica Paiva

Moçambicana, é apresentadora do programa Primeira Página na Televisão de Moçambique (TVM) e traz aqui suas reflexões sobre a vida contemporânea.

O meu não querer do querer namorar

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

A vida é urgente, só se vive uma vez

O mundo do amor é lindo na perspectiva cinematográfica, literária, poética e musical. Todos os universos de Shakespeare, Disney, Netflix e companhia promovem o amor de forma tão linda e intensa que chega a provocar um ardor na alma, capaz de arrancar burburinhos apaixonados a cada segundo do olhar dos mais emotivos. Mas será que, na prática, temos tudo isso?

Hoje vamos nos apegar aos infortunados do amor. Aquelas pessoas que dão tudo — mas tudo mesmo — pelo amor. Que o vivem intensamente, como se o amanhã não existisse e que, por algum motivo, acabam vendo essa intensidade tornar-se frustrada e inalcançável. Seja pela falta de envolvimento da outra pessoa, pela inexistência de sentimentos correspondidos ou até mesmo pelo desaparecimento físico dela.

A frustração chega e a pergunta que fica é: como lidar com ela? Como gerir a emoção da frustração? Como aceitar que tudo aquilo que parecia maravilhoso foi interrompido e talvez nunca mais exista? O que fazer a seguir? Será que depois será possível encontrar um novo amor? Será que a pessoa irá permitir-se viver novamente? Será seguro dar outra oportunidade ao amor?

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Estas e outras questões são feitas por diversos desistentes do amor. Pessoas que, por não encontrarem respostas claras — ou alguém que as ajude a encontrá-las — acabam escolhendo o conforto. E o conforto, para muitos, será sempre permanecer avulso, solitário como um copo de arroz numa banca de mercado, ou simplesmente fechar a porta para qualquer oportunidade de amar alguém.

E eu te pergunto, caro leitor, querida leitora: é justo fechar a porta do amor por conta do medo? É justo dormir com essa vontade imensa de se apaixonar e, por medo, afogar-se no vício escandaloso de enrolar-se nas mantas e trocar de canais? É justo envolver-se sem emoção simplesmente porque tens medo de alimentar a tua fome com o fogo do amor?

Por que escolhes sofrer assim? Por que te parece mais fácil desaparecer do mundo das emoções?

São várias as questões que tenho para te fazer, mas também entendo e aceito que talvez não saibas explicar — e nem sequer entender — o que estás a fazer contigo mesmo, por medo insensato de fugir das emoções duras e profundas.

Voltar a amar não deveria ser algo doloroso. Não deveria assustar-te ao ponto de te comportares como uma tartaruga recolhida no seu casulo. Por mais duro que tenha sido o motivo desse recolhimento, não existe dor que não passe, desde que nos permitamos a isso.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Precisas, sim, primeiro buscar ajuda e cura. E depois, devagar, com calma e paciência, tentar amar outra pessoa.

A solidão é confortável, sim. Mas a luz do amor… ah, essa é tão linda e brilhante que até o sol tem inveja.

Querido leitor, querida leitora, permita-se recomeçar. Por mais despedaçado que acredites estar, tudo pode e deve melhorar. Afinal, para alguma coisa existe a cola, não é?

Então sai desse medo e dessa falta de fé em ti mesmo.

Tu podes amar de novo com todas as tuas forças e atenção. E se te frustrares novamente, levanta essa cabeça e tenta outra vez.

Como diriam em Maputo: “A vida é urgente, só se vive uma vez.”

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Erica Paiva vive em Maputo, Moçambique e é bacharel em direito e tem uma atuação ativa na área de comunicação, cultura e no social. Considera a escrita uma forma de se comunicar com o mundo, levando suas reflexões acerca dos contrastes da sociedade em seu cotidiano. Seus textos buscam compreender a alma humana e, ao mesmo tempo, devolver-lhe um pouco de beleza, reflexão e esperança

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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