O texto de hoje, querida leitora, querido leitor, vai mesmo para as mulheres… ou para aquelas que se dizem mulheres, mas que, no fim, agem como verdadeiros canais vivos de destilação de veneno.
Ora vejamos. A mulher, em si, é um dos seres mais lindos e perfeitos da humanidade. É por ela que o mundo se desenvolve. É nela que aprendemos alguns dos mais nobres sentimentos humanos. É nela que encontramos amparo. É nela que aprendemos que é possível desafiar tudo e arriscar tudo por amor incondicional. E, por estas e muitas outras razões, as mulheres deveriam amar-se, respeitar-se e apoiar-se.
Mas… ah… o que vemos na sociedade é totalmente o contrário.
Entre as mulheres existe uma disputa visível e invisível completamente desnecessária. Para muitas mulheres, não é normal ver outra mulher ascender. Antes mesmo de conhecerem a sua história, já vem o comentário: “Ah, porque o marido ajudou.” Ou então: “É amante do João.” Quer dizer… diminuímo-nos a um ponto tão baixo que deixámos de acreditar que uma mulher pode simplesmente crescer por mérito próprio.

Acontece o mesmo quando vemos uma mulher feliz numa relação. Se tudo está bem, fazemos questão de procurar defeitos, rogar pragas e afirmar, sem qualquer prova, que ela fez macumba ou deu cabeçada. Porque, afinal, “ela bem, bem não tem atributos para ser apreciada e amada.”
E, num cenário ainda pior, vamos atrás desse parceiro. Quase nos atiramos para cima dele só para, mais tarde, termos o prazer de gritar: “Ah… só jinga, mas o homem dela dorme na minha cama.”
Hawena… aybo!
Temos sempre tempo e espaço para maldizer umas das outras. Mesmo com todo este movimento de “levantar mulheres”, pouco muda. O movimento continua tão pequeno quando comparado com a realidade que vivemos.
Basta entrar nas redes sociais para perceber que, muitas vezes, são as próprias mulheres a diminuir outras mulheres. E para quê? Inflação do ego? A custo de quê?
No fim, quem perde é a própria mulher.
Nunca conseguiremos conquistar um verdadeiro espaço de visibilidade e respeito na sociedade enquanto nós mesmas não nos valorizarmos.
Expliquem-me uma coisa: como podemos defender que uma mulher tem capacidade para liderar uma equipe, uma empresa ou até um país, se, quando ela está grávida ou doente, surge logo outra mulher a dizer: “Gravidez não é doença”; “São mimos”; “Que vá trabalhar”.

Onde criaremos um espaço seguro para pedir socorro, se, a cada tentativa de desabafo, dez mil pessoas tratam de espalhar a história?
São tantas situações que, por vezes, chega a nascer uma revolta tão profunda que quase nos faz deixar de acreditar na ascensão pura da mulher.
Será necessário um milagre para aprendermos a cuidar umas das outras?
Será preciso tanta dor para percebermos que apoiar outra mulher nunca diminui o nosso brilho?
Que possamos escolher, diante da luta ou da dor de outra mulher, estender a mão em vez de apontar o dedo. Que aprendamos a admirar o sucesso sem invejá-lo e a nunca celebrar o fracasso de outra mulher.
Sinceramente, sonho com um mundo onde uma mulher cuide da outra sem esperar nada em troca, sem condições e sem interesses. Juntas, podemos construir uma sociedade melhor.
A mulher é, sim, uma das maiores responsáveis pela formação de uma sociedade saudável.
Cuidem-se. E vigiem a vossa língua. Afinal, ela está logo abaixo do nariz, e o veneno que dela destilamos com tanta facilidade pode acabar por contaminar até o oxigénio puro que respiramos.





























