Há dores que não encontram abrigo nas palavras. Dores que silenciam a alma, estancam o tempo e parecem roubar a cor de tudo ao redor. Se hoje me apresento aqui, no Setembro Amarelo, não é como alguém que traz verdades absolutas, mas como uma obra em permanente construção — feita de histórias, perdas profundas, recomeços dolorosos, mas, acima de tudo, feita de vida.
A arte sempre foi minha companheira de travessia. Quando perdi minha mãe ainda jovem, encontrei na pintura, acolhida pelo apoio do meu pai, o canal para transformar o vazio em criação. Anos mais tarde, ao enfrentar a partida do meu companheiro, Maurício — a quem dediquei cada segundo do meu cuidado e do meu amor —, foram os pincéis que me seguraram de pé. No silêncio do ateliê, a tela não me julgava; ela acolhia as minhas lágrimas e recebia a minha coragem.
Por isso, quando olho para a minha paleta e escolho os tons de ouro e amarelo, não estou buscando apenas um efeito visual. O dourado é o meu testemunho de que a vida pode encontrar novos caminhos, mesmo através das frestas e das cicatrizes.
Muitas vezes encaramos a arte como mero entretenimento ou passatempo. No entanto, em momentos de angústia e de dor sufocante, o ato criativo funciona como um verdadeiro remédio para a alma. A arte dá contorno àquilo que nos habita internamente. Ela permite que a gente exteriorize a angústia sem precisar explicá-la em frases prontas. Ela transforma o silêncio em expressão e a dor em novos significados.
Mas é preciso ter a coragem de dizer: a arte é um respiro extraordinário, mas ela não caminha sozinha.
Cuidar da mente é um ato de profunda humildade e amor-próprio. Reconhecer que a carga está pesada demais e que precisamos de ajuda profissional não é sinal de fraqueza; é a maior prova de bravura que podemos dar a nós mesmos.
Neste Setembro Amarelo, o meu convite como artista e como mulher que já atravessou vales profundos é para que tenhamos um olhar mais atento e generoso — para dentro de nós e para quem caminha ao nosso lado.
Precisamos urgente criar espaços onde falar sobre a dor seja permitido, onde pedir ajuda não cause vergonha e onde a fragilidade seja acolhida com afeto.
Se você está passando por um momento difícil, se o peso do luto, da ansiedade ou da depressão parece insuportável, estenda a mão. Procure psicólogos, psiquiatras e redes de apoio. No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza um trabalho silencioso e salvará vidas diariamente através do telefone 188 (gratuito e 24 horas).
A arte acontece dentro de nós. Ela nos lembra que a nossa história não termina nos capítulos mais sombrios. Você importa. Sua vida importa. E sempre haverá uma nova cor esperando para ser misturada no seu amanhã.
E aproveito para convidá-lo a visitar a exposição “Entre o Visível e o Invisível A Arte Acontece em Nós”, que vaia até 8 de julho de 2026 no Jardim Pamplona Shopping (Rua Pamplona, 1704 – Jardim Paulista, São Paulo – SP, CEP 01405-002 – Gallery – Piso 1) e também a galeria permanente no Butantã Shopping (Av. Professor Francisco Morato, 2718 – Butantã, São Paulo – SP, CEP 05512-300 – Piso 1).
Curadoria: Amanda Sanzi
Apoio Cultural: Jardim Pamplona Shopping | @jardimpamplonashopping
Parcerias: Só Quadros, Intimidade & Gestão, André Luiz Negociant, Cartacho Tapetes, Ziar Design.
Divulgação: Dolce Morumbi® Grupo Sul News
Artes para esta matéria enviadas por Amanda Sanzi


































