Skip to content

Uma voz para desacelerar o mundo

Foto por Cecília Paixão

Entre a paixão por carros, o passado itinerante no interior e uma virada corajosa de carreira, o cantor de 29 anos transformou suas transmissões ao vivo em um refúgio de cura, contemplação e presença real para milhares de fãs

Por Paulo Maia

Em um mundo hiperconectado, onde o excesso de telas e a velocidade das informações costumam dispersar nossa atenção, encontrar algo que nos faça parar de verdade é um evento raro. É exatamente essa a sensação de quem navega pelo TikTok e cruza com uma transmissão ao vivo de Jôzza (nome artístico de Josafá de Albuquerque Cavalcante Júnior).

Dono de um timbre cativante, suave e ao mesmo tempo visceral, o cantor paulista de 29 anos não entrega apenas música: ele oferece uma experiência contemplativa. Aqui na seção “Estrelas da Dolce”, hoje conhecemos a trajetória de um artista que superou a hesitação, abandonou a zona de conforto dos escritórios e descobriu que sua voz tinha o poder de mudar a frequência de quem o escuta.

Um caminho itinerante e o despertar “tardio”

Diferente de quase 90% dos cantores que costumam afirmar que “já cantavam antes de aprender a falar”, a relação de Jôzza com a música não nasceu na infância. Nascido em Santo André e criado pela mãe — a quem dedica profunda gratidão —, ele teve uma infância itinerante, mudando-se constantemente entre diversas cidades do interior paulista, como Votorantim, Mairinque, Piedade e Iperó.

Durante muito tempo, o que realmente ocupava o coração do garoto eram os carros. Ele cresceu com a certeza de que trabalharia no universo automotivo, chegando a ingressar na faculdade de Eletrônica Automotiva aos 17 anos. Porém, o verdadeiro divisor de águas aconteceu aos 14 anos, em um acampamento de carnaval da igreja.

Convocado para cantar em um karaokê valendo pontos para a gincana local, Jôzza surpreendeu a todos. A regente do coral o convidou na hora. Sem qualquer conhecimento prévio de teoria, ele começou a abrir vozes, criar arranjos de ouvido e apaixonar-se pela música. A nova paixão comprimiu o amor por automóveis até ocupar todo o seu espaço.

A coragem de romper com a “segurança” do CLT

O caminho até viver da própria arte, no entanto, não foi uma linha reta. Sentindo-se deslocado no ambiente do laboratório da faculdade, Jôzza teve a coragem de trancar o curso e buscar seu rumo. Trabalhou como temporário em livrarias e tornou-se Jovem Aprendiz no escritório central de uma grande rede de varejo no centro de São Paulo.

Foi nessa época que o destino mexeu suas peças de forma generosa. Jôzza conheceu a Dra. Blacy Gulfier, fundadora do renomado Centro Científico da Voz e fonoaudióloga de grandes estrelas do mercado nacional. Percebendo o talento bruto daquele jovem que não tinha condições de pagar o valor integral da mensalidade, Dra. Blacy concedeu-lhe uma bolsa e o adotou como aluno e colaborador.

Ali, ao longo de oito anos de aprendizado e bastidores — trabalhando na produção vocal de grandes programas de TV —, Jôzza desenvolveu sua bagagem técnica e sua maturidade artística. Mas ainda faltava um passo: colocar a própria cara a tapa e cantar com a sua própria voz.

Em meados de 2024, após um profundo processo de autoconhecimento e espiritualidade, Jôzza entendeu que estava se escondendo atrás de uma zona de conforto. Decidiu deixar a estabilidade profissional para tentar a vida como artista solo. No início de 2025, a pouquíssimos dias de encerrar seu contrato e prestes a divulgar aulas de canto para sobreviver, recebeu o convite de uma agência de criadores para experimentar o TikTok.

“Eu saí do trabalho numa sexta-feira. Na segunda, abri minha primeira live com um celular, uma ring light simples e um violão que eu arranhava muito mal. Em uma semana, eu já tinha fãs reais entrando todos os dias para me ouvir. Não era sobre dinheiro ainda; era sobre ser ouvido. Ali eu soube que não faria mais nada na vida a não ser live”, relembra o cantor.

O magnetismo do repertório e a arte da presença

O que torna a live de Jôzza um fenômeno de retenção no TikTok é a escolha refinada de seu repertório e a sua entrega interpretativa. Passeando pelo Folk brasileiro, pelo Pop/Rock internacional e, principalmente, pelas joias da MPB das décadas de 80 e 90 (tendo Milton Nascimento como sua maior referência autoral), Jôzza não tenta copiar ninguém. Ele acessa a atmosfera mental de cada canção e imprime sua própria assinatura.

Fora das performances, ele é leve, descontraído e brincalhão. Mas quando solta a voz, cria uma espécie de “catarse” que desconecta o ouvinte do estresse diário e o traz de volta para o momento presente.

“Eu sempre vivi muito no mental, viajando nos meus pensamentos desde criança. Quando entendi como o foco no momento presente mudou a minha vida, decidi levar essa intenção para a minha música. Quero que a pessoa saia da minha live diferente de como entrou. O canto, para mim, é um trabalho de existência e conexão espiritual”, explica Jôzza.

Reconhecido no ecossistema da plataforma — tendo vencido premiações como a oportunidade no Brabus Music Show —, Jôzza consolida sua trajetória mostrando que o talento autêntico não precisa de fórmulas prontas. Basta um microfone, uma intenção verdadeira e uma alma disposta a cantar para emocionar quem está do outro lado da tela.

Acompanhe Jôzza

TikTok: @jozzacantor1

Instagram: @jozzacantor

Fotos por Cecília Paixão (@ceciliapaixaofotografia)

Paulo Maia é publicitário formado em Comunicação Social, editor do Portal Dolce Morumbi®, atua há mais de 30 anos como profissional de comunicação e marketing.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Demais Publicações

O São Paulo FC que a gente vive e o dever de não desistir do nosso clube

Procurar e valorizar exemplos positivos não é ingenuidade; é um ato de responsabilidade com o futuro do clube

Tudo começa com “Veja bem…”

Nada me irrita mais do que fazer uma pergunta simples e não receber uma resposta simples

A beleza encontra inovação, negócios e futuro na Beauty Fair 2026

Novos modelos de negócio surgiram e o próprio profissional da beleza passou a ter uma relação diferente com sua carreira

Cachoeiras no caminho de sua viagem

Conhecer as grandes cachoeiras do mundo é uma maneira de descobrir a força e a beleza do planeta em seu estado mais impressionante

O luxo invisível: quando o antigo encontra o novo

O futuro do luxo não está em abandonar o passado, mas em saber dialogar com ele

Unindo forças contra o bullying

O papel da família e da escola na proteção de crianças e adolescentes

Coincidências existem? O tecido invisível das sincronicidades

O termo sincronicidade, criado pelo psicólogo Carl Gustav Jung procura descrever dois ou mais eventos que acontecem ao mesmo tempo sem que exista entre eles uma ligação física ou uma relação convencional de causa e efeito

Cinco dicas mostram como usar superfícies inspiradas em pedra natural na decoração da casa

Materiais com visual mineral ganham espaço em projetos residenciais que buscam sofisticação, desempenho e integração entre arquitetura e decoração

Ela não está louca, está perimenopáusica

Oscilações hormonais podem afetar sono, humor e memória antes dos primeiros fogachos

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

arte-painel-dolce-cantiga-crianca_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções