Vezes sem conta ouvimos, de forma frequente, que na véspera do tão aclamado “sim”, várias coisas acontecem ao ponto de os nubentes colocarem em cima da mesa a possibilidade de não avançarem para o pódio denominado altar.
E, no meio de tantos falatórios, tudo o que ouvimos como conselho é: “Orem, orem muito. Ajoelhem-se, porque o demónio não gosta de famílias.”
Olha, querido leitor, se isso é verdade ou não, também não tenho bases suficientemente fortes para catalogar ou assumir essa certeza. Mas que alguma coisa realmente acontece, acontece. A ansiedade do “para sempre” traz à flor da pele medos, desejos escondidos… acredita?
Sim, as energias negativas podem estar lá. Mas, antes delas, também podemos falar da ansiedade e da vontade de materializar tudo aquilo que se acredita que a vida de casado impedirá.

A ânsia de querer viajar pelas trilhas de corpos alheios, diferentes dos(as) seus(suas) parceiros(as), porque “merece” uma despedida. Afinal, em pouco tempo, a jaula será a sua nova morada e, por isso, é melhor fazer tudo, literalmente tudo, aquilo que é visto como errado ou pecado, porque a futura penitenciária não será branda.
E aí eu pergunto: ainda assim, são ações vindas dos infernos?
As escolhas erradas que fazemos no processo ou a caminho do “sim” são justificáveis e atribuídas aos invejosos e aos feiticeiros?
Entendam-me. Não nego a existência de uma avalanche de energias complexas e desconexas. Afinal, é um momento de vulnerabilidade e de muitas emoções. Mas será que tudo podemos assumir que são as energias?
Quando um dos parceiros decide pegar na vassoura e voar para garantir que um ritual certifique a permanência do outro na relação, isso ainda é energia negativa?
Quando um dos cônjuges decide aumentar os custos do casamento para poder ganhar algum dinheiro para os seus caprichos pessoais, isso ainda é energia negativa?
Quando um dos parceiros decide convidar alguém que, de antemão, ambos haviam descartado por ferir a sensibilidade de um deles e, no fim, o ofendido faz um verdadeiro fuzuê durante a cerimónia, isso ainda são energias negativas?
Quando as famílias decidem complicar, pedindo coisas que para um dos noivos são simplesmente intangíveis, ainda assim vamos culpar os demónios?

A minha reflexão de hoje pede-te, querido leitor, querida leitora, que sim, apesar de existirem conspirações, olhes também para as tuas próprias ações e procures perceber se, lá no fundo, não foste tu a inspiração ou o motivador dessa energia negativa.
Vamos assumir que, como humanos, temos as nossas falhas e os nossos erros, muitas vezes mal calculados, mas que, no fim, preferimos atribuir a culpa a uma terceira pessoa ou a uma entidade.
Vai casar-se?
Ore, sim.
Mas, acima de tudo, vigie sempre as suas ações.
O amor deve ser vivido quando o coração não se deixa enrolar pelo líquido amargo e viscoso da bílis.





























