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Será que, após tempos difíceis, teremos finalmente homens fortes no São Paulo FC?

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

O tamanho da crise e a dureza destes tempos difíceis estão, finalmente, forjando lideranças de atitude?

Por Marcelo Maia

O pensador Michael Hopf imortalizou uma frase que se tornou uma das maiores lições sobre a história e a governança das instituições: “Tempos difíceis criam homens fortes; homens fortes criam tempos fáceis; tempos fáceis criam homens fracos; e homens fracos criam tempos difíceis.”

Ao olhar para a trajetória das grandes instituições — e o nosso São Paulo Futebol Clube não é exceção —, percebo quanto esse ciclo se aplica à nossa vida política e social.

Quando um clube passa por longos períodos de vitórias, hegemonia e prosperidade, instala-se uma sensação perigosa de conforto. É natural do ser humano tomar a estabilidade como algo garantido, esquecendo que o sucesso de hoje é fruto do trabalho árduo e da disciplina de ontem. O excesso de conforto acomoda, mima e faz com que a vigília diminua. É nesse terreno de desatenção e complacência que os problemas germinam, nos trazendo de volta aos “tempos difíceis”.

Hoje, ninguém nega que enfrentamos momentos desafiadores na política e na gestão do clube. No entanto, estes fatos recentes e inéditos nos bastidores do Morumbi nos obrigam a uma reflexão profunda.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

O sinal vindo do Conselho Deliberativo

As decisões recentes do Conselho Deliberativo — ao determinar medidas drásticas e expulsões de nomes de forte peso na instituição, como o presidente Júlio Casares, o CEO Márcio Carlos Magno, o diretor do Clube Social, Dedé, e a liderança social Mara Casares — chocaram pelo ineditismo e pela rapidez.

Há quem possa interpretar um movimento como este com ceticismo, enxergando apenas uma manobra temporária de contenção de danos, o famoso “cala a boca” para acalmar os ânimos da torcida e dos associados. No entanto, a celeridade e a gravidade dessas punições indicam algo que não pode ser ignorado: pode estar surgindo aí uma mudança real de postura na governança do clube.

Será que o tamanho da crise e a dureza destes tempos difíceis estão, finalmente, forjando lideranças de atitude? Posições firmes assim sinalizam que pode haver um movimento sério em direção a uma administração mais sólida, ética e comprometida com a reconstrução do São Paulo.

A ilusão da solução rápida e a necessidade da vigília

Mesmo diante de passos firmes e inéditos como esses, é fundamental mantermos os pés no chão. Há um alerta fundamental que precisamos fazer a todos os são-paulinos: não existem revoluções mágicas da noite para o dia. Comportamentos, hábitos e mentalidades consolidados ao longo de anos não mudam no estalar de dedos de um pleito.

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Em momentos de insatisfação, é comum depositar na próxima eleição do Conselho Deliberativo a expectativa de uma virada automática. “Basta trocar os nomes para que tudo se resolva”, pensa-se. No entanto, exceto em cenários de ruptura radical — o que definitivamente não é o caso nem o desejo de uma instituição democrática como o São Paulo FC —, a mudança exige processo e maturidade.

Trocar nomes e aplicar punições históricas é um marco relevante, mas a verdadeira virada exige mais. Avaliar o perfil dos candidatos, escolher conselheiros preparados, éticos e verdadeiramente comprometidos com o futuro do clube é uma etapa indispensável. Mas a eleição não é o fim do processo; é apenas o começo. Uma urna não transforma uma cultura se o comportamento da comunidade que a envolve permanecer passivo no dia seguinte.

O futuro do São Paulo dependerá do equilíbrio entre duas atitudes contínuas:

  1. A postura dos eleitos e conselheiros: Para além das medidas punitivas, cabe às lideranças assumirem a responsabilidade de gerir com austeridade, transparência e profissionalismo, honrando a confiança do sócio.
  2. A vigília ativa dos associados: Acompanhar, cobrar e manter o rigor no cotidiano do clube. A mudança cultural não se encerra na urna e nem em uma votação histórica do Conselho; ela é construída no dia a dia.

Homens fortes para tempos melhores

Se os tempos difíceis têm a virtude de revelar posições de coragem e expulsar a complacência, precisamos que esse impulso se transforme em um projeto duradouro de gestão.

Superar os gargalos da administração do futebol e do clube social exigirá homens e mulheres fortes, capazes de sustentar decisões difíceis e implementar uma governança profissional a longo prazo.

A pergunta que fica para todos nós, são-paulinos, é simples: estamos diante do início de uma nova era de maturidade política ou apenas de um capítulo passageiro? A resposta dependerá da nossa capacidade coletiva de transformar a indignação de hoje no hábito da responsabilidade de amanhã.

Um grande abraço e seguimos juntos pelo São Paulo!

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Marcelo Maia, sócio do SPFC há quase 20 anos, empresário e consultor, é também diretor e sócio da Touchédigital Marketing OnLine e conselheiro no Portal Dolce Morumbi®

@marcelo_emaia

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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