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Apaixonada por vendas/comunicação. Especialista em PNL, ajudo profissionais a alavancaram suas vendas.

Cansei de ser resiliente

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Talvez amadurecer seja descobrir que nem toda batalha precisa ser vencida, algumas precisam ser encerradas

Durante muito tempo, disseram que eu era resiliente. E eu recebia isso como um elogio. Resiliente é quem cai e se levanta. Quem enfrenta. Quem suporta. Bonito, não é?

Até o dia em que você percebe que existe um lado sombrio da resiliência. Aquele lugar onde você começa a relevar tudo. Mais uma pedrada. Mais uma palavra áspera. Mais uma decepção. Mais uma espera. Mais uma vez em que você precisa ser forte porque alguém não conseguiu ser. E você aguenta. Porque é resiliente. Você se adapta. Você compreende. Você perdoa. Você espera. Você sustenta. E, pouco a pouco, as pessoas começam a acreditar que você aguenta qualquer coisa. Afinal, você sempre aguentou.

É aí que a resiliência pode se transformar em uma armadilha. Porque quando você demonstra força o tempo inteiro, as pessoas podem esquecer que você também sente.

Quando você nunca desaba, ninguém pergunta se você está cansada. Quando você resolve tudo, ninguém percebe que também gostaria, algumas vezes, de ser cuidada. Quando você sustenta todo mundo, ninguém se lembra de perguntar: “Mas quem está sustentando você?”

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

E talvez essa seja uma das maiores crueldades de ser considerada forte. As pessoas começam a acreditar que você é de aço. Que não precisa de colo. Que não precisa de ajuda. Que não precisa ouvir um “deixa que eu resolvo dessa vez”.

A gente precisa parar de romantizar a mulher que aguenta tudo. Porque algumas vezes ela não está sendo forte. Ela está simplesmente cansada demais para explicar que chegou ao limite.

E existe uma diferença enorme entre resiliência e tolerância.

Não é aceitar qualquer coisa. Não é permanecer onde você é desrespeitada. Não é justificar comportamentos que machucam. E, principalmente, não é transformar a sua capacidade de suportar em autorização para que os outros continuem colocando peso sobre você.

Por isso, hoje eu quero dizer uma coisa. Cansei de ser resiliente. Cansei de precisar provar que consigo. Cansei de ser a pessoa que “dá conta”. Cansei de ouvir “eu sabia que você conseguiria” quando, na verdade, eu queria que alguém tivesse percebido que eu não queria precisar conseguir sozinha. Cansei de encontrar um lado positivo em tudo.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Eu não quero uma lição, quero respeito. Eu não quero ser forte, quero apoio. Eu não quero entender o outro, quero que alguém me entenda. E talvez amadurecer seja descobrir que nem toda batalha precisa ser vencida. Algumas precisam ser encerradas. Nem toda situação precisa ser relevada. Algumas precisam de limite. Nem toda pessoa precisa receber mais uma oportunidade. Algumas precisam receber um adeus.

Talvez a verdadeira força não esteja em dizer: “Eu aguento mais uma.” Talvez esteja em conseguir dizer: “Não. Essa foi a última.”

E se alguém se decepcionar porque eu não sou mais aquela pessoa que aguenta tudo, tudo bem.

Talvez essa pessoa tenha se acostumado demais com a minha resiliência. E não saiba nada sobre meus limites.

Cansei de ser resiliente. Agora eu quero ser, humana.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Mari Possidonio é especialista em comunicação estratégica, persuasão e Programação Neurolinguística aplicada a resultados. Com mais de 20 anos de experiência capacitando times comerciais e líderes, ela ajuda empresas e profissionais a vender mais, se posicionar melhor e influenciar com ética e intenção. Master Practitioner certificada pela The Society of NLP, Mari transforma comunicação — verbal e não verbal — em uma ferramenta prática de decisão, conexão e conversão. Seu trabalho é focado em desenvolver pessoas para que comuniquem com clareza, autoridade e presença, gerando impacto real nos negócios, nas relações e nos resultados

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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