Olá, querido amigo e querida amiga da nossa coluna Doce Fashion!
Tenho refletido muito sobre a maneira como as pessoas estão se apresentando ao mundo, e como querem ser vistas. Vivemos em uma época em que somos estimulados a mostrar tudo, a conquistar, a parecer felizes, bem-sucedidos e seguros. Mas, em meio a tantas imagens cuidadosamente construídas, será que estamos realmente observando o que acontece dentro de nós? Como estilista e conhecedora da moda, manifestar em uma peça ou em um guarda-roupa a essência de uma pessoa é conhecer sua personalidade e sua maneira de estar na vida, convivendo com uma sociedade em evolução.
Nunca tivemos tantos recursos para transformar nossa aparência, tantas referências para construir um estilo e tantas possibilidades de projetar uma imagem, e cada vez mais as imagens são contrastantes. Perdoe minha maneira de me expressar, mas infelizmente as pessoas estão mostrando, através de sua maneira de vestir e seu comportamento, uma total falta de ordem estrutural, emocional e de segurança em seu poder pessoal. Entretanto, parece que, em alguns momentos, quanto mais tentamos mostrar quem somos, mais nos afastamos daquilo que verdadeiramente sentimos. E isso é notável para pessoas que são posicionadas.
É uma das grandes contradições do nosso tempo: estamos cada vez mais preocupados com a imagem que transmitimos, mas nem sempre encontramos espaço para compreender a pessoa que existe por trás dela.

O que acontece quando a imagem que mostramos ao mundo deixa de representar aquilo que sentimos?
Um olhar inspirado na psicanálise nos convida a compreender que nem sempre temos plena consciência das razões que orientam nossas escolhas. Eu sempre falo que cada um no seu quadrado. Não adianta você querer usar um perfil que não condiz com você e sua personalidade. Quer uma prova? Vamos lá. Você é uma empresária ou empresário de perfil forte, líder, audacioso e se veste com elegância, cortes retos, tecidos sofisticados e cores marcantes. Você é convidado para uma reunião de negócios e começa a falar gíria porque está na moda, colocar roupas coloridas e estampas exageradas. Você consegue imaginar como isso pode influenciar na maneira que as pessoas irão te comprar? Deixando claro que adoro cores e estampas exageradas, mas, cada ambiente e perfil se vendem de uma maneira. Existem desejos, conflitos, inseguranças e necessidades de reconhecimento que nem sempre conseguimos identificar com clareza. Muitas vezes, tentamos corresponder às expectativas da família, da sociedade, do ambiente profissional ou dos grupos aos quais desejamos pertencer. Aos poucos, podemos construir uma versão de nós mesmos que recebe aprovação, mas que já não traduz inteiramente nossa verdade.
E o corpo, que tantas vezes tentamos controlar, esconder ou modificar, também participa dessa história.

O cansaço que ignoramos, a tensão que acumulamos, a postura que se fecha, a expressão que perde a leveza e a dificuldade de relaxar podem ser sinais de que algo merece atenção. O corpo não é um tradutor infalível dos nossos sentimentos, e cada manifestação precisa ser compreendida em seu contexto. Ainda assim, ele faz parte da nossa experiência emocional e pode nos convidar a olhar com mais cuidado para aquilo que estamos vivendo.
Quantas vezes continuamos dizendo que está tudo bem quando estamos exaustos? Quantas vezes sustentamos uma imagem de força porque acreditamos que demonstrar fragilidade diminuirá nosso valor? E quantas vezes tentamos transformar o exterior sem nos perguntarmos o que, de fato, desejamos transformar em nossa vida?
Talvez uma parte da nossa inquietação venha justamente dessa distância entre o que sentimos, o que pensamos, o que fazemos e o que mostramos. Por isso, estarmos conscientes e prestando atenção em nossos movimentos de amor-próprio, autocuidado, saúde emocional, física e mental são alicerces de beleza, empoderamento, reconhecimento e valores, que facilitam negócios, experiências e felicidade.

Moda tem a ver com beleza e construção de uma imagem que retrata você com sua verdade da melhor maneira possível para construir sua vida dentro dos pilares humanos. Família, sociedade, amor, trabalho e vida particular.
Quando não reconhecemos nossas próprias necessidades, podemos buscar respostas nas referências externas. Passamos a copiar estilos, perseguir padrões de beleza, adotar comportamentos e reproduzir modelos de sucesso que parecem funcionar para outras pessoas, e que para você se tornam catástrofes. A comparação se torna constante, e a aprovação alheia começa a ocupar um espaço que deveria pertencer ao nosso próprio discernimento.
É nesse momento que a aparência deixa de ser uma expressão da identidade e corre o risco de se tornar uma espécie de proteção. Por isso se você precisar procure profissionais que primeiramente te ajudarão a conhecer seus desafios para solução, e em seguida profissionais de imagem que transformam em força e fazem você se encontrar com sua verdadeira essência.
Vestimos uma personagem para parecermos mais fortes, mais jovens, mais sofisticados, mais ricos ou mais interessantes. Tentamos comunicar uma segurança que ainda não sentimos, uma posição que não conquistamos ou uma personalidade que acreditamos ser mais valorizada. Não há problema em experimentar, mudar ou reinventar a própria imagem. A moda sempre foi um território de transformação. O problema começa quando sentimos que precisamos abandonar quem somos para merecer aceitação.

A questão não é parecer diferente. É preciso parecer alguém que não somos para nos sentirmos suficientes.
Na moda, observo como as tendências podem ser ferramentas extraordinárias de expressão, mas também podem se transformar em armadilhas quando deixamos de fazer escolhas conscientes. Uma roupa pode nos ajudar a revelar uma nova fase, fortalecer nossa presença e comunicar nossos valores. Entretanto, nenhuma peça, marca ou transformação estética consegue, sozinha, resolver um conflito de identidade ou preencher uma necessidade emocional.
Ao longo dos meus anos de experiência com imagem pessoal, moda e mercado de luxo, compreendi que a verdadeira sofisticação exige mais do que conhecimento sobre cores, proporções, tecidos e combinações. Ela exige discernimento. É preciso saber escolher, mas também saber por que escolhemos.
Uma mulher pode estar impecavelmente vestida e não se sentir confortável consigo mesma. Pode usar as marcas mais desejadas e ainda depender da aprovação dos outros para reconhecer seu valor. Da mesma forma, alguém pode escolher uma aparência simples e transmitir uma presença extraordinária, porque existe coerência entre sua imagem, sua postura e aquilo que acredita.

É aqui que precisamos resgatar o verdadeiro sentido da elegância.
Elegância não é uma tentativa de esconder imperfeições humanas. É a capacidade de construir uma presença que respeite nossa identidade, nosso contexto e as pessoas com quem convivemos. Não significa permanecer igual para sempre, mas permitir que as mudanças externas acompanhem transformações verdadeiras, em vez de servirem apenas para disfarçar inseguranças.
O luxo, quando compreendido para além da ostentação, também nos ensina sobre escolhas. O valor não está apenas no que exibimos, mas na intenção, na qualidade, na autenticidade e na experiência que construímos. Existe sofisticação em não precisar provar tudo, em reconhecer nossos limites e em compreender que a identidade não se compra pronta, nem se constrói exclusivamente a partir do olhar alheio.
Talvez este seja um bom momento para fazermos uma pausa diante do espelho. Não apenas para observar a roupa, o cabelo ou aquilo que gostaríamos de mudar, mas para olhar com honestidade para a pessoa que está ali.
Não precisamos abandonar a vaidade, rejeitar a moda ou deixar de cuidar da aparência. Pelo contrário: cuidar de nós mesmos pode ser um gesto de carinho, respeito e valorização. O convite é para que esse cuidado não se transforme em uma cobrança permanente nem em uma busca interminável por uma versão idealizada de nós mesmos.
Antes de mudar o guarda-roupa, talvez seja necessário rever algumas crenças. Antes de buscar uma nova imagem, talvez seja importante compreender o que já não nos representa. E, antes de tentar impressionar o mundo, precisamos descobrir se estamos confortáveis com a pessoa que nos tornamos.
Com carinho, espero que seja uma boa reflexão e te aguardo na próxima semana.
Abraços!






























