O ano virou.
Mas e a chave — virou?
O pensamento mudou de lugar?
O que ainda pesa na mochila que você insiste em carregar para o tempo que nasce?
Solte as pedras.
Aquelas que no passado feriram os pés, atrasaram o passo, ensinaram pela queda.
Elas cumpriram o papel delas.
Agora, ficam.
O velho repousa atrás de você.

Não como perda, mas como página virada.
O caminho à frente é oportunidade aberta, amplitude de início.
Início de tempo.
De vento.
De cheiros que ainda não têm nome.
A roupa antiga já não serve.
Desgastou.
Moldou quem você foi, mas não quem você é agora.
Ela pertence a outra história.
A música mudou de tom.
O ritmo é outro — mais ousado, mais vivo, um convite claro ao desconhecido.
Afine-se.

O tempo pede equilíbrio e atenção fina ao que faz o coração vibrar.
Há um novo sentido no ar.
O vento toca o rosto como promessa.
Cheira a esperança.
A café recém-coado.
A pão quente sobre a mesa.
Temperos novos se espalham no ambiente, provocam o paladar, desafiam o hábito, chamam para a coragem de experimentar.
O voo agora é livre.
Calmo.
E o chão, mesmo em movimento, se constrói firme sob os pés.
Na estrada que nasce sem pressa, olho o horizonte com resiliência no peito e a decisão íntima de viver tudo o que o universo ainda guarda para mim.





























