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O superpoder humano que nenhum outro animal tem

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Fazer uma pergunta exige reconhecer que algo está faltando no próprio conhecimento

Por Eduardo Marcondes Suave

Nas últimas décadas, cientistas ensinaram formas de linguagem de sinais a chimpanzés e gorilas, revelando habilidades impressionantes: eles conseguem expressar emoções, desejos e até enganar. A comunicação entre humanos e outros primatas avançou como nunca antes. Ainda assim, um limite permaneceu intacto: nenhum deles jamais fez uma pergunta.

Pesquisadores observaram que, embora esses animais compreendessem perguntas humanas, nunca tomaram a iniciativa de perguntar “por quê?”, “o que?” ou “onde?”. Essa ausência, repetida ao longo de anos de estudos, tornou-se uma das pistas mais claras sobre o que realmente distingue a cognição humana das demais espécies.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Fazer uma pergunta exige reconhecer que algo está faltando no próprio conhecimento. É uma centelha de curiosidade que surge cedo: crianças começam a perguntar “por quê?” quase assim que aprendem a falar. Enquanto outros primatas respondem ao ambiente, os humanos querem entendê-lo.

Essa diferença moldou tudo o que construímos. Primatas imitam; humanos inovam. Eles usam ferramentas; nós criamos ciência, arte, cidades e tecnologias que transformam o planeta. A capacidade de transformar dúvida em conhecimento é o motor da civilização.

Por isso, perguntar não é sinal de fraqueza — é nosso maior superpoder. A curiosidade nos tira da inércia, nos impulsiona a explorar e nos leva adiante como espécie. Quanto mais perguntamos, mais evoluímos

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Para quem quiser se aprofundar, estudos clássicos sobre linguagem e cognição em primatas incluem The Mind of an Ape, de David Premack; The Education of Koko, de Francine Patterson; e Kanzi, de Sue Savage-Rumbaugh. Uma abordagem mais ampla sobre o que nos torna humanos pode ser encontrada em Becoming Human, de Michael Tomasello, e Folk Physics for Apes, de David Povinelli.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Eduardo Marcondes Suave é médico graduado pela Santa Casa de Misericórdia de Vitória, com pós-graduação em Psiquiatria, Medicina Intensiva e Aplicações Complementares às Ciências Militares pela Escola de Saúde do Exército. Capitão do Exército Brasileiro, com atuação nas áreas de psiquiatria, terapia intensiva e medicina militar.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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