Querida leitora e querido leitor da nossa coluna Dolce Fashion, venha aqui comigo. Vamos falar de moda, sim, mas daquela moda que carrega história, memória e significado. Porque, muito antes das tendências e das passarelas, a roupa sempre foi uma extensão da mulher e do tempo em que ela viveu.
Desde a Grécia Antiga, entre os séculos V e IV a.C., o vestir feminino já comunicava identidade. O peplo e o quítone, com seus tecidos leves e drapeados naturais, respeitavam o corpo e refletiam uma ideia de harmonia e equilíbrio. Já na Roma Antiga, a stola indicava não apenas estilo, mas estado civil e posição social. Vestir-se era, desde então, um ato de pertencimento. Na verdade, a moda e o vestir sempre contou a história humana.

Na Idade Média, do século V ao XV, a roupa deixou de ser escolha e passou a ser regra. Cores, tecidos e volumes eram definidos por leis suntuárias. O vestir feminino comunicava moral, classe e obediência. Era uma identidade imposta e não construída. Ainda assim, cada detalhe carregava uma mensagem silenciosa.
Com o Renascimento, entre os séculos XV e XVI, o corpo feminino voltou ao centro da estética. Decotes quadrados, tecidos nobres e formas estruturadas revelavam poder, riqueza e imagem social. A mulher tornava-se símbolo, mesmo ainda presa a padrões rígidos.
No século XVIII, especialmente na França de Maria Antonieta (1755–1793), a moda atingiu um grau quase teatral. Saias amplas, anquinhas e espartilhos falavam de ostentação e hierarquia. Mas a história nos mostra como tudo muda: com a Revolução Francesa, em 1789, vestidos mais simples e inspirados na Antiguidade passaram a representar liberdade e novos ideais.



O século XIX marcou profundamente o corpo feminino. Entre 1830 e 1890, o espartilho moldava não só a silhueta, mas o comportamento. Em resposta, surgiram movimentos como o Dress Reform Movement, na década de 1850, questionando os limites impostos ao corpo da mulher. A moda começava, timidamente, a ouvir a voz feminina.
E então veio o século XX, trazendo rupturas lindas e necessárias. Nos anos 1920, após a Primeira Guerra Mundial, as mulheres adotaram vestidos soltos, silhuetas retas e cabelos curtos, símbolos claros de liberdade e autonomia. Já em 1947, Christian Dior apresentou o New Look, resgatando a feminilidade com cinturas marcadas e saias amplas, em contraste com os anos de escassez da guerra.



Hoje, querida leitora e querido leitor, vivemos um tempo precioso. A moda não dita mais uma única história. Ela acolhe todas. O que antes era regra, agora é escolha. O que era imposição, transforma-se em linguagem pessoal. Revisitar o passado nos ajuda a entender que cada roupa carrega uma narrativa, e que vestir-se é, acima de tudo, um gesto de consciência e afeto consigo mesma.
Na Dolce Fashion, acreditamos que moda é conversa, memória e identidade. E que cada mulher, ao se vestir, escreve silenciosamente sua própria história.
Espero você na próxima semana para desfrutarmos, abraços!




























