Por Marcelo Maia
Quando a bola não entra e os resultados em campo sufocam o torcedor, o clima esquenta. É inevitável. O futebol profissional do São Paulo Futebol Clube é a nossa paixão visceral, o coração da nossa instituição e o motor que move o sentimento de milhões de são-paulinos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.
Nos últimos dias, diante das oscilações em campo e das tensões políticas nos bastidores, vejo a revolta tomar conta dos debates nas alamedas e nos grupos do clube. O desejo de mudança rápida é legítimo, mas precisamos ter a maturidade de reconhecer um fato: não existem soluções mágicas de curto prazo. A reconstrução da credibilidade e da eficiência administrativa de uma instituição gigante como a nossa exige processo, tempo e, acima de tudo, consciência.
Muitos torcedores cobram pressionar o Conselho, alterar o Estatuto ou buscar caminhos imediatistas. No entanto, existe um elo fundamental nessa corrente que muitas vezes é negligenciado: o papel do associado.
A responsabilidade da representatividade
Já parou para pensar na dimensão da sua assinatura como sócio do São Paulo FC?
Uma comunidade de cerca de 10 a 15 mil associados do clube social carrega o poder — e o dever moral — de escolher o Conselho Deliberativo que, por sua vez, definirá o presidente e as diretrizes do clube. Em outras palavras: a voz e o voto do sócio representam a expectativa de uma nação de mais de 20 milhões de torcedores.

É uma responsabilidade gigantesca da qual nenhum associado pode fugir. O clube social é, sem dúvida, o nosso espaço de lazer, da convivência familiar e do esporte amador — e é fundamental votar em quem cuida bem das nossas dependências. Mas a nossa visão não pode parar na piscina ou nas quadras. O associado precisa entender que a saúde do clube social e o sucesso do futebol profissional estão umbilicalmente ligados.
Uma gestão profissional, austera e ética no futebol gera receitas, fortalece a marca e traz estabilidade para que o clube social continue crescendo e oferecendo o melhor para as nossas famílias. Da mesma forma, um Conselho bem-preparado e independente é a única garantia de que o futebol não será loteado por interesses políticos tacanhos.
Criar perspectivas, não apenas alimentar expectativas
Aqui vale uma reflexão sobre a forma como encaramos o nosso papel no Morumbi: é hora de trocar a expectativa pela perspectiva.
Ter expectativa é assumir uma postura passiva — é sentar-se na arquibancada, esperar que os outros resolvam os problemas e se indignar quando as coisas dão errado. Já construir perspectiva significa encarar a realidade de frente, assumir a responsabilidade do processo e agir com critérios claros.
Mudar a conduta do São Paulo e profissionalizar as instâncias administrativas não é um desejo para o futuro distante; é uma construção que começa agora, quando você decide em quem votar.

O dever do associado antes de depositar o voto
Para que o São Paulo inicie esse ciclo de profissionalização e respeito à sua história, o sócio precisa assumir o seu protagonismo:
- Buscar informação real: ir além do ruído das redes sociais, ler as propostas e entender o histórico dos candidatos.
- Exigir capacidade administrativa: avaliar se quem pede o seu voto tem histórico de gestão, ética e maturidade para lidar com a complexidade de um clube bilionário.
- Cobrar resultados com coerência: não votar por amizade cega ou favorecimento pessoal, mas pelo compromisso real do candidato com a instituição.
Protestar contra os erros é um direito de todos, mas construir a solução é um dever do sócio. O futuro do São Paulo Futebol Clube não será decidido apenas na bola que entra ou sai, mas na maturidade da nossa escolha no Conselho.
Se queremos um clube respeitado, vitorioso e sustentável, precisamos começar agindo, na urna, com a grandeza que a nossa camisa exige.
Um grande abraço a todos e seguimos juntos pelo nosso São Paulo!





























