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Despertar o melhor de cada pessoa através do autoconhecimento, da autenticidade e da conexão com sua verdadeira essência

Quantas Agnetas ainda estão adormecidas por aí?

Design Dolce Morumbi® | Divulgação

Uma reflexão sobre identidade, validação e a coragem de existir sem pedir permissão

Existem mulheres que aparentam ter uma autoestima inabalável. São fortes, competentes, produtivas, assumem responsabilidades, tomam decisões e enfrentam situações que muitas pessoas não conseguiriam suportar.

Elas não parecem inseguras.

Entretanto, força e autoestima não são palavras sinônimas.

Uma mulher pode ser extremamente forte para enfrentar o mundo e, ao mesmo tempo, sentir dificuldade para sustentar uma escolha que desagrade às pessoas importantes para ela. Pode liderar equipes, administrar uma empresa, conduzir uma família e resolver problemas complexos, mas ainda precisar do reconhecimento externo para confirmar o próprio valor.

Essa talvez seja uma das reflexões mais profundas despertadas por Meu Nome É Agneta, filme sueco disponível na Netflix. Não pretendo contar sua história nem revelar suas cenas mais importantes. Cada mulher merece encontrar Agneta sem antecipações e permitir que o filme dialogue com a sua própria trajetória.

Mas existe uma questão que o filme deixa latente: quem é você quando não está tentando corresponder às expectativas de ninguém?

Design Dolce Morumbi® | Divulgação

A mulher que aprendeu a existir pelo olhar do outro

A maioria de nós aprendemos quando meninas a sermos educadas, em diferentes graus, sobre como deveríamos nos comportar para sermos aceita. Aprendemos a ser agradável, responsável, compreensiva, prestativa e emocionalmente disponível.

Nem sempre esses ensinamentos são transmitidos por palavras. Eles aparecem nos elogios, nas críticas, nos modelos familiares, nas crenças compartilhadas e na forma como determinados comportamentos são recompensados ou rejeitados.

A menina percebe que recebe afeto quando corresponde. Que é elogiada quando não incomoda. Que é reconhecida quando atende às expectativas. Assim, pode começar a construir uma crença silenciosa: para ser amada, preciso ser aquilo que esperam de mim.

Na vida adulta, essa crença assume formas muito sofisticadas.

Essa mulher pode enxergar-se como independente, forte e autossuficiente. Entretanto, suas escolhas continuam atravessadas pela necessidade de reconhecimento. Ela procura ser admirada pela competência, indispensável no trabalho, necessária na família, desejada no relacionamento ou reconhecida por sua capacidade de suportar tudo.

Cuidar excessivamente dos outros é apenas uma das consequências. A questão mais profunda é que essa mulher pode abrir mão de sonhos, desejos, possibilidades e partes inteiras da própria existência para preservar a identidade pela qual aprendeu a ser aceita.

E o mais delicado: ela pode não perceber que está fazendo isso. Afinal, não considera seu comportamento uma anulação, mas a maneira correta de ser mulher, amar e pertencer.

Quando a autoestima depende da validação

A psicologia utiliza o conceito de autoestima contingente para descrever uma percepção de valor pessoal que depende do cumprimento de determinadas condições.

A pessoa sente que tem valor quando é elogiada, desejada, produtiva, bem-sucedida ou necessária. Porém, diante de uma rejeição, de uma crítica, da perda de uma função ou de uma decisão que não recebe aprovação, sua segurança interna pode desmoronar.

Isso não significa que desejar reconhecimento seja um problema. Todos precisamos, em alguma medida, de pertencimento e validação. A dificuldade surge quando o olhar do outro deixa de ser uma contribuição e se transforma na principal fonte de identidade.

Uma autoestima estruturada não elimina o desejo de ser reconhecida. Ela apenas impede que a ausência desse reconhecimento determine quem somos.

A liberdade emocional começa quando o olhar do outro deixa de ser o espelho no qual uma mulher procura confirmar a própria existência

A força que também pode esconder uma ferida

Durante muito tempo, associamos a autoestima fragilizada a uma mulher tímida, passiva, indecisa ou visivelmente insegura. Essa imagem é limitada.

Uma autoestima abalada também pode se esconder atrás do perfeccionismo, da produtividade excessiva, da necessidade de controle, da dificuldade de pedir ajuda e da busca permanente por resultados.

A mulher pode fazer muito não apenas porque deseja crescer, mas porque acredita que precisa provar o próprio valor. Pode buscar excelência não pelo prazer da realização, mas pelo medo de não ser suficiente. Pode transmitir autoconfiança e, internamente, viver em constante estado de avaliação.

Duas mulheres podem apresentar o mesmo comportamento, mas agir por motivações completamente diferentes. Uma busca resultados porque fez uma escolha alinhada à própria identidade. A outra age movida pelo medo de perder reconhecimento, afeto ou pertencimento.

Por isso, a pergunta não deve ser somente “o que estou fazendo?”, mas: de onde vem a minha necessidade de fazer isso?

Design Dolce Morumbi® | Divulgação

Inteligência emocional é reconhecer a motivação escondida

Inteligência emocional não significa controlar sentimentos, evitar conflitos ou permanecer serena em todas as situações. Significa reconhecer e compreender as emoções para realizar escolhas mais conscientes.

Uma mulher emocionalmente inteligente precisa identificar não apenas o que sente, mas o que está buscando por meio de suas decisões:

  • Estou dizendo “sim” por que realmente desejo ou por que tenho medo de decepcionar?
  • Estou permanecendo porque ainda faz sentido ou porque temo o julgamento?
  • Esse projeto representa um sonho meu ou uma tentativa de provar que sou capaz?
  • Estou sendo forte porque escolhi enfrentar ou porque não me permito demonstrar vulnerabilidade?

Essas perguntas exigem coragem. Elas podem revelar que algumas decisões aparentemente livres estavam condicionadas por crenças, medos e padrões aprendidos.

Reconhecer isso não deve gerar culpa. Deve gerar consciência.

Por que um filme pode despertar questões tão profundas?

Filmes não são apenas entretenimento. As histórias apresentam metáforas que nos ajudam a enxergar experiências internas difíceis de explicar diretamente.

Uma personagem pode representar um conflito que ainda não conseguimos nomear. Uma imagem pode simbolizar uma mudança que desejamos, mas ainda tememos realizar. Uma narrativa pode nos permitir observar de fora aquilo que estamos vivendo por dentro.

A ciência estuda esse fenômeno por meio do conceito de transporte narrativo. Quando nos envolvemos profundamente com uma história, nossa atenção, nossa imaginação e nossas emoções participam daquela experiência. Esse envolvimento pode influenciar reflexões, percepções e crenças.

As metáforas estabelecem pontes entre o que sabemos conscientemente e conteúdos emocionais que ainda não organizamos em palavras. Elas não nos entregam necessariamente uma resposta, mas podem produzir identificação, ampliar perspectivas e despertar perguntas.

É por isso que, em meus processos de desenvolvimento, faço questão de recomendar bons filmes aos meus clientes. Quando escolhida com intencionalidade, uma narrativa pode gerar reflexões e insights importantes, além de ajudar a pessoa a perceber seus comportamentos por um ângulo diferente.

O filme não realiza a transformação por nós. Mas pode iluminar algo que já estava pedindo para ser visto.

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Autonomia é tornar-se autora da própria vida

A Teoria da Autodeterminação, desenvolvida pelos pesquisadores Edward Deci e Richard Ryan, apresenta três necessidades psicológicas fundamentais: autonomia, competência e vínculo.

Autonomia não significa agir sem considerar consequências ou ignorar as pessoas ao redor. Significa participar verdadeiramente das escolhas que definem nossa existência.

Uma mulher pode ser competente, manter vínculos importantes e, ainda assim, sentir que não é autora da própria vida. Ela toma decisões, mas dentro de um roteiro construído para preservar aprovação, reconhecimento e pertencimento.

Amadurecer emocionalmente é aprender a diferenciar uma escolha consciente de uma escolha condicionada.

Liberdade emocional não é fazer tudo o que se deseja, a qualquer custo. É não precisar abandonar a própria identidade para continuar pertencendo.

O merecimento que não precisa ser conquistado

Outro tema profundamente despertado por Meu Nome É Agneta é o merecimento.

Muitas mulheres não acreditam conscientemente que sejam indignas. Entretanto, comportam-se como se precisassem conquistar diariamente o direito de descansar, desejar, mudar ou ser felizes.

Elas se autorizam a receber depois de entregar. A descansar depois de se esgotar. A comemorar depois de alcançar. A escolher por si mesmas somente depois de atender às expectativas externas.

A pesquisadora Kristin Neff explica que a autocompaixão envolve oferecer a si a mesma humanidade, compreensão e gentileza que ofereceríamos a alguém amado. Seus estudos também indicam que mulheres podem apresentar maior tendência ao autojulgamento e à ruminação diante de experiências dolorosas.

Neff propõe ainda o conceito de autocompaixão feroz: uma forma de cuidado que não apenas acolhe, mas também protege. Em alguns momentos, ser autocompassiva é compreender a própria dor. Em outros, é estabelecer limites, tomar uma decisão ou interromper uma dinâmica que ameaça nossa dignidade.

A maior força de uma mulher emocionalmente madura é reconhecer quando sua liberdade emocional está sendo ameaçada — e ter coragem de estabelecer limites.

Amor-próprio, portanto, não é apenas acolhimento. Também é posicionamento.

O filme encontrou-me em um momento decisivo

A experiência de assistir a um filme nunca é neutra. Levamos para a tela nossas histórias, nossas perguntas e até decisões que ainda não conseguimos nomear.

Eu já venho há muito tempo vivendo um processo de amadurecimento da liberdade do meu eu mulher. Assisti ao filme Meu Nome É Agneta em um momento especialmente significativo, enquanto buscava o fortalecimento para uma tomada de decisão muito importante.

O filme tocou a minha alma porque fortaleceu algo que já existia dentro de mim e precisava ganhar ainda mais força: a consciência da minha capacidade, do meu valor, do meu direito de escolher e do quanto eu mereço viver de maneira coerente com a mulher que me tornei.

Eu posso. Eu sou capaz. Eu mereço.

Também ouvi relatos de outras mulheres tocadas nesse mesmo lugar: o do merecimento. Merecer ser vista. Merecer ser ouvida. Merecer viver com dignidade emocional. Merecer fazer escolhas. Merecer experimentar alegria sem precisar pedir desculpas por isso.

Agneta não despertou em mim o desejo de fugir da minha vida. Ela fortaleceu a coragem de não fugir mais de mim mesma.

Design Dolce Morumbi® | Divulgação

Um convite para despertar

Convido você a assistir — ou reassistir — a Meu Nome É Agneta com atenção aos detalhes. Permita que o filme toque áreas mais profundas do seu eu e desperte perguntas que talvez estejam sendo adiadas.

Existe um momento próximo ao final que considero sublime e profundamente emocionante. Cada mulher merece vivê-lo sem antecipações. Foi uma cena que me levou às lágrimas e me fez pensar em quantas camadas uma mulher precisa retirar para conseguir se reencontrar — inclusive eu mesma.

Talvez exista uma Agneta adormecida dentro de você.

Não necessariamente uma mulher que deseja abandonar sua vida, mas uma mulher que precisa descobrir quanto de sua existência foi construída para receber aprovação.

Há dez anos atuo no desenvolvimento e na libertação emocional de mulheres. Para mim, isso nunca foi apenas um trabalho. Sempre foi um propósito de vida, também movido pela minha própria história, pelos meus recomeços e pelo caminho de amadurecimento que continuo percorrendo.

Por isso, deixo um convite às mulheres que desejam despertar a Agneta que existe dentro delas: permitam-se viver um processo profundo de autoconhecimento.

É possível iniciar esse caminho sozinha, mas contar com método, direcionamento e acompanhamento torna o processo mais consciente, sustentável, eficaz e transformador. O autoconhecimento nos ajuda a identificar crenças que pareciam verdades, reconhecer padrões silenciosos e construir escolhas mais alinhadas à nossa essência.

Eu permaneço à disposição para caminhar com mulheres que decidiram não fugir mais de si mesmas.

Porque despertar não é transformar-se em outra pessoa. É ter coragem de voltar para si mesma, sem pedir permissão para existir.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Ana Kekligian atua há quase uma década na área de desenvolvimento humano, ajudando mulheres a fortalecerem autoestima, autoconfiança e inteligência emocional através de uma abordagem voltada ao comportamento humano, vínculos afetivos e desenvolvimento pessoal. Educadora da Autoestima e da Autoconfiança, especialista em Inteligência Emocional e Dependência Emocional.
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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