Por Márcia Miari
Por que esse tema?
Refletindo sobre o quanto a intuição está presente em meu cotidiano, resolvi pesquisar e escrever sobre como esse mecanismo acontece, principalmente quando estou buscando respostas, procurando compreender algo novo ou solucionar alguma questão repetitiva que não chega a uma definição ou finalização.
Percebo, no meu caso, que a intuição ocorre de maneira leve e rápida, como um “flash cognitivo” que percebo internamente. Chamo assim de “flash” porque realmente é uma rápida imagem, palavra ou sensação que acontece internamente, referente especificamente a alguma situação, e que aparece em momentos em que estou mais relaxada, porém em busca de solucionar ou criar algo, reelaborar sentimentos ou auxiliar pessoas em determinadas situações.
Um exemplo simples, prático e recente foi a própria escolha dessa temática para escrever. Eu estava refletindo sobre questões que pudessem ser relevantes para compartilhar na escrita desta coluna e “tive a intuição” de escrever sobre a própria intuição. Concomitantemente, senti uma euforia positiva como uma confirmação quando refleti sobre a ideia.
Ao longo dos anos, fui compreendendo que a intuição funciona como um auxílio às diretrizes que estou procurando ter no dia a dia a respeito de questões inconclusivas, certezas absolutas ou dúvidas e receios diante das decisões, ou simplesmente da vivência prática diária.

Intuição na ciência convencional
A intuição é chamada também de instinto e, dentro da ciência convencional, é definida como resultado de diversos processamentos que ocorrem em nosso cérebro, que compara a informação sensorial e as experiências atuais com o conhecimento formado pelas memórias de experiências passadas, preparando o cérebro para lidar com as situações da melhor maneira possível. Sendo assim, a experiência pode fazer a intuição melhorar.
A intuição é também a capacidade de compreender, decidir ou saber algo de forma imediata, sem a necessidade de um raciocínio lógico ou consciente.
O cérebro junta memórias passadas, padrões e experiências, compara com o momento atual e rapidamente pode resultar e funcionar como um sinal que pode auxiliar na tomada de decisões, principalmente sob pressão.
Na psicologia, a teoria de Carl Jung descreve a intuição como uma função mental, uma forma de percepção que traz informações do inconsciente.
O psicólogo Daniel Kahneman, responsável por pesquisas sobre a psicologia do julgamento e da tomada de decisão, defende que a intuição é automática e pode falhar se não houver experiência real no assunto. Portanto, a intuição pode ser definida também como um resultado prático de aprendizado ao longo da vida.
Partindo desses pressupostos, podemos concluir que a intuição não é algo mágico, místico ou um “dom especial”, mas sim um resultado prático de aprendizados acumulados ao longo da vida.
Intuição na conscienciologia
A intuição, segundo a conscienciologia, é um fenômeno de percepção extrassensorial ou parapsíquico, com a capacidade de acessar informações sem passar por um processo lógico ou racional. É entendida como um fenômeno de percepção instantânea, apreensão íntima ou acesso direto a informações que dispensam a mediação do raciocínio lógico linear. Ela é vista como uma manifestação avançada das capacidades da consciência e do parapsiquismo.
Partindo da teoria proposta pela própria ciência convencional sobre a intuição ser resultado de aprendizado ao longo da vida, podemos expandir, através do Paradigma Consciencial, essa compreensão, considerando um de seus pressupostos, a serialidade, ou seja, que não estamos vivenciando nossa primeira vida, mas que já vivenciamos outras existências e que esta vida atual faz parte de nossa série evolutiva.
A partir desta expansão da teoria, podemos então constatar que as experiências que adquirimos em retrovidas (vidas anteriores) e que estão marcadas em nossa holomemória (memória total), que guarda tudo o que vivenciamos desde nossa primeira existência, também compõem, mesmo que de maneira inconsciente, o arcabouço de aprendizados que já adquirimos em nossa evolução.

Aspectos importantes para a percepção e avaliação do conteúdo intuitivo
Autodiscernimento: diferenciar impulsos emocionais e avaliar o senso íntimo de coerência, realizando um treino de lucidez.
A lucidez é um atributo da consciência que interage com a multidimensionalidade (outro pressuposto do Paradigma Consciencial, que considera a existência de múltiplas dimensões além da dimensão física).
A intuição, com discernimento e lucidez, pode agir em conjunto com as sinaléticas parapsíquicas (reações energéticas do parapsiquismo) que a pessoa pode ter, compondo o insight durante os eventos diários.
Autocoerência: refletir e avaliar os conteúdos intuitivos, verificando se têm coerência, se fazem sentido e se não estão enviesados por algum medo ou insegurança pessoal. Se possível, anotar e pensar a respeito depois; não agir por impulso diante do insight e, inclusive, verificar se está no momento de agir, pois às vezes há necessidade de dar um tempo de decantação à ideia para uma melhor avaliação dos possíveis resultados que podemos alcançar.
Acalmia: a experiência da intuição exige acalmia. Medos, tristeza, euforia e ansiedade podem dificultar a experimentação intuitiva; portanto, há necessidade de aprendizado de autocontrole emocional, entendimento das emoções e autoconhecimento.
Aplicabilidade
Uma maneira de conviver e aproveitar as intuições de maneira positiva, que procuro aplicar, é ter uma caderneta para anotá-las no formato em que vierem — palavra, frase, imagem, sensação —, procurando descrever o mais detalhadamente possível, com dia e data em que ocorreu. Essa anotação é importante para uma avaliação posterior do conteúdo e para a criticidade sobre o mesmo.
Muitos eventos ocorrem simultaneamente em nosso cotidiano e passam de maneira rápida e, por vezes, até despercebidos. Portanto, se não anotamos, a chance de as coisas ficarem perdidas ou enviesadas é muito grande.
Percebo, realmente, que a intuição é resultado de vivências e pode servir como alerta para coisas positivas ou eventos que exigem maior cautela.
Se utilizarmos a intuição com discernimento e intencionalidade sadia, poderemos ter bons resultados não apenas para nós mesmos, mas também para uma assistência grupal, promovendo uma mudança de patamar positiva em nossa evolutividade.
Pode ser uma ferramenta importante e construtiva em nosso desenvolvimento pessoal e auxiliar de maneira essencial nas tomadas de decisão tão necessárias em nossa existência.





























