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Psicóloga clínica e hospitalar, psicoterapeuta com mais de 30 anos, escreve sobre autocuidado, autoestima e traz reflexões e orientações sobre saúde mental, comportamento e qualidade de vida.

Por que aceitar as mudanças?

O encontro entre a Terapia Cognitivo-Comportamental e Jung sobre a arte de se transformar

Você já reparou como a palavra “mudança” costuma vir acompanhada de um friozinho na barriga? Seja a transição de um emprego, o término ou início de um relacionamento, a chegada de uma nova fase de vida ou até uma alteração inesperada nos planos do dia a dia, nossa primeira reação quase sempre é resistir.

Afinal, o cérebro humano adora o terreno conhecido — mesmo quando ele já não está tão confortável assim.

Mas por que aceitar as transformações é tão vital para a nossa saúde mental? Para responder a isso, podemos unir a praticidade da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) à profundidade da Psicologia Analítica de Carl Jung. Juntas, essas duas visões mostram que mudar não é perder o chão, mas sim aprender a voar.

O olhar da TCC: como o apego ao controle gera sofrimento

Na Terapia Cognitivo-Comportamental, observamos que o grande problema diante de uma mudança não é o evento novo em si, mas a forma como a nossa mente o interpreta.

Quando somos pegos de surpresa, é comum surgirem pensamentos automáticos como: “Não vou dar conta”, “Tudo era melhor antes” ou “Isso é um desastre”.

Esses pensamentos disfuncionais ativam em nós sentimentos de ansiedade, angústia e paralisia.

A TCC nos ensina que querer que a vida permaneça estática é como tentar segurar a água com as mãos abertas. Quanto mais tentamos controlar o incontrolável, mais energia gastamos e mais frustrados ficamos. Aceitar a mudança, sob a ótica da TCC, significa desenvolver flexibilidade cognitiva: a capacidade de reestruturar nossos pensamentos, adaptar nossas expectativas e focar naquilo que está ao nosso alcance praticar no presente.

Imagem de magnific

O olhar de Jung: a mudança como convite à evolução da alma

Se a TCC nos ajuda a ajustar os pensamentos para o dia a dia, Carl Jung nos convida a olhar para o significado mais profundo da transformação. Para a psicologia junguiana, a vida é um processo contínuo de Individuação — o caminho de nos tornarmos quem realmente somos em nossa totalidade.

Jung dizia que não podemos nos transformar se nos agarrarmos desesperadamente a quem fomos no passado. As mudanças em nossa vida, especialmente as mais difíceis e inesperadas, funcionam como “chamados” do nosso inconsciente. Elas nos tiram da zona de conforto para que possamos integrar novas partes de nós mesmos que estavam adormecidas: nossa coragem, nossa resiliência e nossos verdadeiros valores.

Ficar preso ao passado é tentar viver um capítulo antigo do livro da sua vida, impedindo que a história avance. As crises que acompanham as transições são, na verdade, dores de crescimento.

Por que a aceitação é o verdadeiro ponto de virada?

É fundamental esclarecer: aceitar não é se resignar ou se conformar.

Resignar-se é cruzar os braços e se colocar no lugar de vítima. Aceitar, por outro lado, é um ato consciente de coragem. É dizer para si mesma: “A realidade mudou. Como posso agir a partir de agora com os recursos que tenho?”.

Quando você aceita a mudança

 Você economiza energia vital: Em vez de gastar forças brigando com o que já aconteceu, você canaliza sua mente para criar novas soluções.

Você descobre novas capacidades

É diante do novo que descobrimos forças internas que jamais imaginaríamos possuir.

Imagem de magnific

Você permite o fluxo natural da vida

A natureza nos ensina todos os dias sobre o ciclo das estações. As árvores precisam perder suas folhas no outono para que possam florescer com força na primavera.

Passos práticos para acolher o novo no seu dia a dia

Mude a pergunta que você se faz

Em vez de se perguntar “Por que isso tinha que acontecer comigo?”, experimente perguntar “O que essa nova situação pode me ensinar?” ou “Qual o próximo passo possível que posso dar hoje?”.

Separe o que você pode do que não pode controlar

Desenhe mentalmente dois círculos. No primeiro, coloque o que depende exclusivamente de você (suas atitudes, seus pensamentos, seu autocuidado). No segundo, coloque o que está fora do seu alcance (o comportamento dos outros, os eventos passados). Foque toda a sua energia apenas no primeiro círculo.

Seja gentil com o seu processo de adaptação

Toda mudança traz consigo o luto pelo que ficou para trás. Permita-se sentir saudades, mas não faça do passado a sua morada. Acolha suas inseguranças com autocompaixão, lembrando que aprender a caminhar em um novo terreno exige tempo e paciência.

A vida é movimento

A única constante em nosso universo é a transformação. Aceitar as mudanças não significa que o caminho será isento de incertezas, mas sim que você confia na sua capacidade de se reinventar a cada curva. Ao mudar a sua mentalidade e acolher a evolução da sua história, você deixa de ser refém das circunstâncias e se torna, verdadeiramente, a autora da sua jornada.

Mudar não é perder a sua essência — é permitir que a sua melhor versão finalmente desabroche.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

<a href=”https://www.linkedin.com/in/dramonicamathias”Dra. Mônica Mathias Faria é psicóloga clínica e hospitalar, atua como psicoterapeuta com mais de 30 anos de experiência é ainda especialista em Psicologia da Saúde (PUC-SP) e Oncologia (Albert Einstein). Neste espaço ela nos traz sua sólida bagagem com orientações leves, acessíveis e acolhedoras para ajudar você a cuidar da sua saúde mental e viver com mais harmonia.
Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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