As experiências vividas desde o período que antecede o nascimento até os primeiros anos de uma criança podem fazer parte da investigação proposta pela biodécodage, abordagem terapêutica que busca compreender a relação entre acontecimentos, emoções e sintomas apresentados ao longo da vida. No Brasil, o Instituto Cintia Chiarelli (ICC) organiza a formação de profissionais na área desde 2018.
A proposta é olhar para além da manifestação apresentada pelo paciente e investigar sua história. Na prática da psicobioterapeuta Ligia Mabel, a biodécodage tornou-se uma das principais bases de trabalho em casos relacionados a doenças e sintomas, podendo ser combinada a outras formações, como psicogenealogia, terapia de sonhos e estudos sobre o período pré e perinatal.
“Eu percebia que faltava algo entre desvendar a origem de uma questão e conseguir trabalhar aquilo terapeuticamente”, explica Ligia, que iniciou sua formação em biodécodage em 2022. Ela também possui formação em medicina germânica, psicogenealogia, sonhos e pré e perinatal, além de estar cursando psicologia e pós-graduações em psicologia perinatal e luto perinatal.

Hoje, seu trabalho tem como foco principalmente futuros pais, gestantes e bebês de até três anos. A proposta é considerar, dentro da abordagem, aspectos relacionados à história familiar, à gestação, ao nascimento e aos primeiros vínculos como parte da investigação terapêutica. Os resultados são surpreendentes, como o caso de uma mãe que trouxe a filha de 6 anos porque a criança não conseguia dormir sozinha no próprio quarto e sempre acordava assustada. No caso, a cura estava na história da gravidez.
“Na primeira sessão, através de uma terapia lúdica, a criança já mostrou que a demanda do medo não era dela especificamente, mas sim da mãe. Com a abordagem, descobrimos que, durante a gravidez, a mãe vivenciou uma tentativa de assalto”. A terapeuta explica: nesse caso, houve o que chamamos de “imprint”, o registro no corpo do bebê que absorveu os hormônios de cortisol e adrenalina daquela mãe naquele momento. Após as abordagens terapêuticas, na semana posterior, a criança passou a dormir sozinha em seu próprio quarto.

Ligia ressalta, porém, que a biodécodage não substitui o acompanhamento médico. Em casos de doenças que exigem tratamento convencional, sua atuação é complementar e não envolve prescrição ou retirada de medicamentos. “Mas não podemos negar a importância do olhar multidisciplinar e, principalmente, enfatizar a importância de uma abordagem humana e acolhedora, especialmente quando falamos em infância”, enfatiza a terapeuta.
Para o ICC, a ampliação do interesse por abordagens que investigam a dimensão emocional e a história individual faz parte de um movimento de formação de profissionais interessados em integrar diferentes perspectivas ao atendimento terapêutico, atuando dentro da medicina integrativa.

Lígia Mabel Santos é psicobioterapeuta
@ligiamabelsantos | @institutocintiachiarelli
Colaboração da pauta:
Planta & Cresce Texto e Design






























