Como ajudar seu filho adolescente que odeia estudar

Claudia Alaminos

Como psicopedagoga tenho tido o privilégio de conviver com pais e mães cujos filhos, ao entrarem na adolescência, passam a dizer aos quatro ventos que odeiam estudar e, por isso, têm seu rendimento escolar diminuído.

Normalmente na primeira fala vem o relato das maravilhas que viveram na infância, de que família e criança eram orgulhosas de seu desempenho escolar e motivação para aprender e, ao finalizar, aparecem a angústia e a decepção frente à postura do filho em relação às suas obrigações escolares na adolescência. Neste momento, percebo que os pais estão exaustos em tentarem melhorar esta situação e procuram ajuda profissional por se sentirem impotentes e sem saber o que fazer diante da situação.

Na tentativa de solucionar este enigma, vamos deixar o desempenho escolar de lado por um momento e pensar o que diferencia crianças e adolescentes em busca de pistas para esta mudança drástica.

Crianças são totalmente dependentes dos adultos, necessitam de regras claras e tomam estas regras como leis. Elas tendem a obedecer aos pais e, quando desobedecem, veem o ato como passível e merecedor de punição. Tentam chamar atenção do adulto e agradá-lo é muito importante. Neste momento os pais são uma extensão da criança e todas as decisões relacionadas a ela passam pelos adultos.

Na adolescência eles cresceram! Muitos deles já estão maiores que os pais e as vezes, a aparência nos engana. Olhamos para eles e os enxergamos adultos, o que ainda não são. Apesar de serem muito mais independentes do que as crianças e terem o grupo de pares/amigos como referência, precisam de apoio dos pais. Ao perderem esta proteção de maneira brusca, sentem-se vulneráveis e inseguros. Os adolescentes têm ouvido com frequência: você é quem sabe, você escolhe, a decisão é sua. Será mesmo que eles podem decidir tudo o que lhes é delegado?

Outra questão importante da adolescência: eles têm opiniões formadas e querem autonomia para conquistar um lugar no mundo dos adultos. São mestres em argumentar voltando holofotes apenas para os pontos positivos de suas convicções, muitas vezes opostas às dos pais. Resumindo: eles querem liberdade e autonomia. Mas não duvidem, eles ainda precisam de proteção e acolhimento quando algo dá errado ou quando sofrerem frustrações.

Foto por Jessica Alberto
Foto por Tonny Tran

Voltemos ao assunto inicial da nossa conversa retomando os pontos discutidos aqui.

A criança quer agradar, sabe as regras e conhece o desejo dos pais. Quando há interesse dos adultos em relação a ela, sobre suas brincadeiras, seus personagens, suas roupas e comidas preferidos, isso a impulsiona ao interesse pelas atividades escolares. Além do prazer em aprender, a criança ainda tem o bônus dos elogios e do brilho nos olhos dos pais quando se dá bem na escola. Este é um belo incentivo, não?

Mas aí chega a adolescência. Muitas mudanças físicas e emocionais acontecem e os pais não se interessam mais por seus gostos e suas opções. É a máxima: “eu só quero que ele seja feliz”.  Qual é o último ponto que os pais tendem a focalizar? A escola. E na maioria das vezes não é um interesse genérico, mas está ligado à cobrança. Tanto é, que normalmente o assunto se volta sobre as matérias que o aluno tem as piores notas. Os diálogos (ou talvez monólogos) versam sobre perguntas como: amanhã tem prova de matemática? Já estudou para geografia? Saiu a nota de português?

Pois é, meus queridos, os adolescentes não querem que seus pais lhes desejem felicidade e se desincumbam deles. Os comportamentos que aparecem na adolescência e que não aconteciam quando eram menores são uma amostra de como ele está lidando com as perdas que a saída da infância lhe impusera. Eles precisam ser focalizados, mas de maneira diferente do foco que receberam quando eram crianças.

Os pais precisam aprender a ter um filho adolescente. Experimentem uma nova abordagem. Interessem-se genuinamente (sem críticas) pelas roupas que usa, as músicas que ouve, a visão que tem sobre política ou sobre um relacionamento amoroso. Talvez o olhar sobre o jovem mude e a sensação de rebeldia e afronta troquem de lugar com surpresa e admiração pelo adulto que está se tornando.

Aprenda com seu adolescente, deixe claro que não sabia a informação nova que lhe trouxe, faz bem para as duas partes. Tente um final de semana diferente e peça a ele que faça a programação de acordo com seus gostos e planos. Veja e mostra vídeos engraçados no celular ou computador, mande uma mensagem pelo WhatsApp, não precisa ser nada demais. Algo do tipo “saudades” ou “pensei em você agora” é suficiente.

Imagem por Jeshoots.com

E quanto ao mau desempenho escolar? Se o aparecimento dele dependeu apenas das questões da adolescência, com este novo foco do interesse dos pais, ele tende a melhorar. Na verdade, todos nós crescemos, mas ainda precisamos da atenção e da aprovação daqueles que amamos. O brilho nos olhos dos pais os impulsiona a melhorar.

Para além do amor que sente e sempre sentirá, olhe para seu rapaz ou moça com benignidade. Ele ainda não consegue tomar todas as decisões sobre sua vida. Tente percebê-lo(a) como uma pessoa novinha em folha e veja lindas mudanças acontecerem.

*Este texto não pretende substituir nem generalizar os problemas escolares na adolescência. Ele é um relato de experiência e uma sugestão de abordagem inicial. Procure um profissional capacitado sempre que precisar de orientações específicas e/ou tratamento.

Abraços maternos.

Claudia é mulher, esposa, mãe (de um rapaz e dois gatos), fonoaudióloga, psicopedagoga,
educadora parental em Disciplina Positiva, moradora do Morumbi e futura psicanalista.
Sem Educação nada é possível.
@claualaminos.

Imagem destacada da Publicação:
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Comentário

  1. Meu filho estava assim também, então decidir ficar de olho no celular dele com esse programa o http://www.apinc.com.br consigo ver muita coisa


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