Labirinto

Paulo Maia

Por vezes o que torna a vida incansável é a espera na angústia e na vontade pelo excepcional

Vidas Atravessadas

Sorriso que me vem entre o sol e a lua
No mesmo caminho pela mesma rua
Sempre a chuva a me refrescar

Beijo solitário num momento escondido
Vidas atravessadas num trevo perdido
Quase sem o tempo a se entregar

Como vem, e é só
Tamanha a vontade de brincar com você
Não tem, e é só
Um mundo esperando pela nossa espera

Suspiros ofegantes em abraços roubados
Pernas em cambaleio num tremor sufocado
O que se sente vem arrebatar

Como vem, e é assim
A sedução em jogo com o acaso
Vem, e é assim
Teu sorriso sempre aceso para mim

Olhos Na Cidade

Photo by Matteo Modica on Unsplash

Com olhos na cidade,
no asfalto acendo as luzes
Em carros automóveis,
em trevos ou viadutos

Abusos em perigo, calçadas e dejetos
Entre becos e botecos, estamos sem saída

Acordando um pouco mal,
sem notícias do real

Acordo assustado, em faixa de pedestre
Faróis quadriculados, é signo que se obedece

Um igual bem ao meu lado,
emite a sua agonia
Sem ar-condicionado, repete o dia a dia

Um estrondo, um temporal,
uma tragédia semanal
Com os olhos na cidade

Uma Outra Transa

Sente-se um pouco aqui,
verá não tem mal nenhum
Prazer que se encontra assim,
esconde-se todo nu

Não repare, há sempre bagunça à solta
À vontade, respire com a alma pronta

Responda a tudo sempre,
bem forte e lentamente
Não deixe fugir e aguente,
é o corpo que grita e sente

É natural, a beleza de ser normal
Experimente uma dor
que está sempre ausente

Recobrar todos os sentidos,
sentir tesão novamente
Olhar com desejo livre,
rolar o corpo suavemente

Afinal, estamos sem final
Sem motivos, pra pensarmos em destino

Vamos gozar a vida como vivemos
Mergulhar no mundo onde nós veremos

O Homem Escondido

Água nos olhos
Os dedos dormentes
Na boca palavras
Mastigam os dentes

Cabelos compridos
O rosto escondido
A pedra cintilante
Bem perto do ouvido

O peito descoberto
Abaixo um umbigo
As pernas apresentam
Joelhos tremidos

O colo que esquenta
Um tatoo descolorido
E o corpo apresenta
O homem escondido

Do Meu Querer

Photo by Pietro Tebaldi on Unsplash

E assim ela fez mistérios
E negou seu coração
Com mais um sopro de lamento
Me aproximei da solidão

Do meu querer só tenho o sonho
De apostar melhor em mim
De acreditar que há lá fora
Um mundo que não tem fim

E assim ela fez encantos
Tornou-se minha oração
Como uma forte expressão de amor
Fez surgir uma canção

Do meu querer só a memória
Vive em meu mundo perdido
De acreditar que não há na história
Desejos proibidos

Colorido Ofuscado

Photo by Han on Unsplash

Fizemos tudo certo e nada funcionou
Estávamos bem perto. Em pó desmoronou

O mundo descoberto. Um sonho acordou
Uma estrada no deserto. A janela para o céu

O fogo do inferno aquece o meu

A história vem sem pressa
e atraí poderes naturais
O mundo que nos desperta,
acrescenta-nos plurais

Um colorido ofuscado vem às vezes merecer
Um retoque rebuscado, asas para poder voar

O frio do inverno congela o meu

Labirinto

Imagem destacada para a Publicação

Senti saudades lá de for
Queria ir, levar-me embora
Aqui não há mais tempo e hora
Eu tenho a solidão agora

Neste labirinto de corredores tortos

Circular em falso e errado
Ganhar espaço rindo à toa
Não finjo estar apaixonado
Escolho o tempo e não me encaixo

Neste labirinto de altos muros fortes

Então havia só o silêncio
Um alento no calor e dor
Um nevoeiro muito denso
Eu cego sigo navegador

Neste labirinto fechado na saída
Neste labirinto à sombra de um telhado

Paulo Maia é publicitário, um pensador livre e morador do Morumbi que mantém sua curiosidade sempre aguçada

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