A cultura da sustentabilidade não é uma opção para as empresas, mas uma questão de sobrevivência!

Eleine Bélaváry

Nas últimas duas décadas, o movimento da sustentabilidade avançou lentamente nas organizações. Porém, em 2020, com o advento do novo coronavírus que evidenciou o nível de vulnerabilidade da humanidade, assim como outros acontecimentos globais, a adoção de práticas sustentáveis tornaram-se imperativos para a perenidade dos negócios. Posicionamentos e atitudes são urgentes, com atenção especial para o aquecimento global. Portanto, é prioritário que as lideranças das organizações ressignifiquem sua forma de operar e produzir, e adotem o capitalismo de stakeholder, orientado pela noção de colocar o propósito à frente do lucro. Nesse modelo, o foco não é apenas o lucro dos acionistas, mas o bem de todas as partes interessadas da organização: colaboradores, fornecedores, consumidores, comunidade, meio ambiente, outros. 

Há muitos anos acompanho e admiro Ricardo Voltolini, fundador e CEO da Ideia Sustentável e da Plataforma Liderança com Valores, um dos maiores especialistas em sustentabilidade do Brasil e do mundo. Voltolini listou seis fatos – os quais reproduzo a seguir -, evidenciando que a sustentabilidade deixou de ser uma bandeira exclusiva de alguns poucos iniciados e passou a ser aspiração dos capitalistas, desconfortáveis com o aumento das desigualdades, o uso intensivo de recursos naturais, as mudanças climáticas e a visão excessivamente utilitária acerca de seres humanos.

Em agosto de 2019, 181 grandes empresas norte-americanas, associadas da Business Rountable, assinaram um manifesto público pró-empresas mais sustentáveis, propondo um reset no chamado “business as usual”. Na sequência, 230 investidores financeiros europeus, ligados à Ceres, assim como articuladores do Sistema B, acolheram o manifesto e se propuseram a caminhar juntos. Neste mesmo ano, um estudo realizado por 11 mil cientistas de 153 países decretou estado de emergência climática, revelando que o aquecimento do planeta evoluiu mais rapidamente do que estimavam suas pesquisas.

Em janeiro de 2020, Larry Fink, CEO da BlackRock, o principal investidor do mundo, divulgou uma carta aberta ressaltando a urgência de as empresas terem sustentabilidade na gestão e estratégia do negócio. Outra evidência da relevância do tema, foi o longo tempo dedicado à discussão do capitalismo de stakeholders no Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos.

Destaco aqui 8 princípios de negócios sustentáveis listados na plataforma, como fonte de inspiração para as lideranças das empresas acelerarem seus processos em direção aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável definidos na Agenda 2030 da ONU.

O mundo precisa de empresas:

  1. Capazes de colocar o propósito antes do lucro;
  2. Que tratem os humanos como humanos e não apenas recursos;
  3. Mais preocupadas em cooperar do que competir na construção de respostas para os dilemas da sociedade;
  4. Mais sensíveis à noção de interdependência;
  5. Mais éticas, cuidadoras e transparentes;
  6. Interessadas não só em zerar impactos, mas regenerar;
  7. Mais líderes orientados por valores;
  8. Que sejam parte da solução e protagonistas de uma nova economia.

Os consumidores estão cada vez mais antenados e conscientes, buscando marcas alinhadas a seus valores de vida. Por outro lado, tem sido uma tendência crescente os fundos que investem exclusivamente em negócios sustentáveis, com práticas de ESG (Environment, Social, Governance), visão de longo prazo e, portanto, mais preparadas para momentos de crise. É fundamental que a sustentabilidade e o propósito permeiem a cultura organizacional como um todo, atualmente, atributos essenciais para a sobrevivência das empresas.

Eleine Bélaváry é moradora do Morumbi, bióloga e Sócia proprietária da Connexion Negócios Sustentáveis

Imagem destacada da Publicação

Imagens cedidas por Eleine Béleváry

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