Como lidar com o apagão de profissionais que não querem liderar?

Ana Paula Padro, CEO do Infojobs e especialista em RH, explica sobre o fenômeno do “quiet ambition”, que virou tendência de carreira entre a geração Z

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Nos últimos anos, as mudanças no panorama profissional, impulsionadas pelas novas gerações, vêm redefinindo o conceito tradicional de sucesso no trabalho.

Cada vez mais, os profissionais estão repensando suas prioridades, direcionando sua ambição para aspectos da vida pessoal e questionando a obsessão pela ascensão hierárquica nas organizações. Essa tendência é particularmente proeminente entre os membros da Geração Z, que estão desafiando as normas estabelecidas em relação ao trabalho e à carreira.

De acordo com dados da Visier, somente pouco mais da metade (55%) dos funcionários da Geração Z expressam interesse em alcançar cargos executivos de alto escalão, como C-level, reforçando o chamado “quiet ambition”. 

Este movimento representa um alerta ao modelo tradicional de carreira corporativa, que se baseia em promoções e ascensão à liderança como principal incentivo.

De acordo com a pesquisa, apenas 4% dos funcionários consideram a promoção ao alto escalão como um objetivo prioritário de carreira. A pesquisa mostra que 38% dos entrevistados estão interessados em assumir cargos de gestão de equipes em algum momento, enquanto 62% preferem permanecer em suas posições atuais, sem responsabilidades de liderança direta. 

Segundo Ana Paula Prado, CEO da HR Tech Infojobs e especialista em Recursos Humanos, essas mudanças refletem uma transformação profunda na mentalidade dos trabalhadores modernos: “As empresas enfrentam o desafio de se adaptar a essa nova realidade, redesenhando suas estratégias de gestão de talentos para atender às expectativas de evolução dos colaboradores e manter suas estruturas sustentáveis com planos de sucessão. Isso significa não apenas repensar os modelos de carreira tradicionais, mas também desenvolver uma cultura organizacional forte e que promova a autonomia, o crescimento pessoal e a realização profissional em diferentes formas de contribuição, não apenas aquelas vinculadas à hierarquia formal”. 

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Com isso, a carreira em Y ganha destaque, sendo uma abordagem de desenvolvimento profissional que oferece aos indivíduos a oportunidade de explorar múltiplas trajetórias dentro de uma organização.

Tradicionalmente, ao ingressar na carreira, a maioria dos profissionais concentra-se exclusivamente em um único objetivo: alcançar salários mais atrativos e sucesso nos negócios através da ascensão a cargos de liderança no futuro. Embora essa perspectiva seja compreensível para muitos, surge a questão: o que acontece com aqueles que se destacam em suas habilidades, mas não possuem aptidão ou vontade de liderar equipes?

Para Ana Paula, a carreira Y permite que os profissionais optem por diferentes direções ao longo de sua jornada profissional. Isso pode incluir a oportunidade de se aprofundar em uma especialização ou de assumir papeis mais generalistas, dependendo de suas habilidades e interesses. 

A executiva também comenta sobre outras possibilidades, como a em Z ou Diagonal, por exemplo, oferece uma combinação de movimentos verticais e horizontais, permitindo que os profissionais ganhem experiência em diferentes áreas, enriquecendo seu perfil. E também a carreira em Espiral, na qual se aprofunda uma expertise central através de experiências em diversos contextos, promovendo um desenvolvimento contínuo. Já para aqueles que buscam diversidade e autonomia, a carreira de Portfólio pode ser ideal, gerenciando múltiplas carreiras ou empregos simultaneamente. 

Essas flexibilidades proporcionam uma maior sensação de realização e satisfação no trabalho para profissionais com esses perfis, ao mesmo tempo que promove uma cultura organizacional mais dinâmica e adaptável às mudanças do mercado. Cada estilo de carreira reflete uma maneira diferente de navegar no ambiente de trabalho moderno, oferecendo oportunidades únicas para o crescimento pessoal e profissional”, analisa Ana.

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Diante dessas mudanças, Prado destaca a importância das empresas reconhecerem que o sucesso no trabalho vai além de meras promoções e títulos: “Isso não apenas fortalecerá sua posição competitiva no mercado, mas também garantirá que estejam preparadas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do futuro do trabalho”, continua Ana Paula Prado. 

A executiva explica que o fenômeno já está afetando muitas empresas, que precisam adequar seus planos de desenvolvimento para manter os colaboradores engajados e em constante evolução. 

Para se adaptar, de certa forma, esse cenário, Ana aconselha ao RH das empresas a desenvolverem programas de incentivo e escuta constante para que o colaborador veja as oportunidades onde está e de onde pode ir. “Isso faz com que se sinta pertencente à organização e se sinta evoluindo, o que pode ser uma boa estratégia de retenção de talentos”, conclui.

Ana Paula Prado, CEO da HR Tech Infojobs

Com mais de 54 milhões de perfis cadastrados e 35 milhões de visitas ao mês, o Infojobs é a HR Tech líder no Brasil e há 19 anos desenvolve soluções de tecnologia para o RH das empresas. Além da plataforma de oportunidades profissionais com cadastro de currículos gratuitos e busca de talentos, a empresa oferece soluções integradas com o Pandapé, software de RH que organiza e agiliza a gestão completa dos processos de recursos humanos (da atração ao recrutamento, admissão digital, e gestão de talentos), com ferramentas de tecnologia avançadas e completas. De acordo com a pesquisa Kantar Ibope, o Infojobs foi a marca mais lembrada pelos candidatos em 2022 e 2023, e de acordo com o Grupo Top RH foi reconhecida nos últimos quatro anos como a empresa Top of Mind de RH. Sendo parte do Grupo Redarbor, o maior grupo de empregos na América Latina e terceiro maior do mundo, o Infojobs possui atualmente mais de 35 mil empresas que confiam em seus serviços, como Grupo Carrefour, Grupo Souza Lima, Vigor e Sodexo.

Colaboração da pauta:

NR7 | Full Cycle Agency

Giulia Martins | [email protected]

Curadoria por:

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