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Milagres

Sesc Pompéia, São Paulo, Brasil
Imgem por Andreia Reis, São Paulo, Brasil, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

Enquanto no passo a passo de pura reflexão, percebi os milagres da vida que passam escondidos no batidão do corre!

Por André Naves

As caminhadas são parte da minha vida. Nelas que eu proseio com Deus, penso, organizo as minhas pendengas da mente. É caminhando que eu me entendo comigo mesmo e com Ele. Dia desses, aqui em São Paulo, na esquina da Diana com a Palestra Itália, eu reparei em algo que sempre esteve lá, mas que eu nunca tinha enxergado! Sabe quando a gente se acostuma com a paisagem e, em vez de descobrir o extraordinário no ordinário, a gente faz justo o contrário? A gente se acostuma. Vira rotina. A gente diminui tudo de mais extraordinário em algo simplesmente comum, ordinário.

Pois bem. Eu estava lá, naquela esquina, esperando o sinalzinho verde para atravessar. Olhei para o lado e pronto! SESC Pompeia em toda sua solidez modernista. Eu fiquei até com vergonha. É que eu adoro o Sesc. Sempre vou lá. Teatro, exposições, shows… Tem vez que eu vou até lá só para dar uma volta. Fiquei envergonhado mesmo: como que eu sempre via mas nunca enxergava? Aquele edifício da Lina Bo Bardi é um marco modernista. Como eu podia ignorar? Que caminhada era essa que fechava meu entendimento? Justo eu, que admirava tanto aqueles traços, tão brutais e humanos? Tão imprevisíveis como a gente? O concreto era a carne! O vermelho, o sangue! O povo, o espírito!

Interior do Sesc Pompéia, Cidade de São Paulo, Brasil | Imagem por CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

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E enquanto no passo a passo de pura reflexão, percebi os milagres da vida que passam escondidos no batidão do corre! A tradição que, de geração em geração, foi sendo construída, não sem obstáculos e dificuldades, até se materializar no gênio de uma imigrante, uma arquiteta modernista ítalo-brasileira, uma pessoa extremamente humana como todos nós, cheia de acertos e defeitos! Ela fugiu para cá, veio beber da Luz, estava enojada com as trevas miseráveis do Velho Mundo! Veio para cá, contra todos os dramas da vida, e aqui construiu Beleza! A Beleza!

E, para trás, somos frutos de gerações… Não somente um “eu”, mas sim um “nós”! Sorrisos, contentamentos e bençãos!

Esse é mais um dos milagres cotidianos!

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Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

André Naves é Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Escritor e professor

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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