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Mulheres contam desafios que enfrentam no mundo do empreendedorismo

Design Dolce sob imagem por Dean Drobot em Canva

Preconceito de gênero ainda existe e é um dos principais problemas

Os dados mais recentes do Painel de Empreendedorismo Feminino, do Sebrae, realizado com informações da PNAD Contínua, do IBGE, apontam que até o último trimestre de 2023 um terço dos donos de negócios no Brasil era composto por mulheres, o equivalente a 10,1 milhões de empresas. O setor de serviços figura como uma das principais escolhas femininas para entrada no mundo dos negócios, com 55,83% das empresas.

Apesar deste cenário, certos estigmas ainda existem e são um obstáculo a mais para o empreendedorismo feminino. Kathia Alves, fundadora e CEO da VIP Solutions, empresa especializada em soluções de telefonia em nuvem, passou por situações embaraçosas até se impor como executiva na área de telecomunicações. “Como CEO de uma empresa do setor dominado por homens, enfrentei desafios significativos, incluindo o viés de gênero que dificultava o meu acesso a redes de relacionamentos, grupos de negócios e recursos”, afirma. Segundo ela, a preocupação com a forma de falar e de se comportar era constante para evitar que houvesse margem para alguma interpretação errada.

Flavia Mardegan, especialista em vendas e fundadora da Mardegan Transformation and Results, consultoria focada em ajudar empreendedores e gestores a aumentarem os seus resultados comerciais, não titubeia quando questionada sobre ter sofrido algum tipo de preconceito em sua jornada profissional. “Muitos! Eu me formei e comecei a trabalhar muito nova. Sofri preconceitos de várias formas: por ser jovem, o cliente tinha receio de entregar um projeto alto na mão de uma ‘menina’; e por trabalhar numa área comercial majoritariamente composta por homens. Eu era a única mulher de uma equipe de seis pessoas”, conta.

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Design Dolce sob imagem por Pixels Effect em Canva

A empresária, inclusive, aderiu ao compromisso da equidade de gênero, um dos 18 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estipulados pela ONU, com metas para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem paz e prosperidade até 2030.

Para Beatriz Oliveira, especialista em experiências turísticas e fundadora da Pervoy Turismo, o seu maior desafio ainda é conciliar a maternidade com a demanda dos negócios. “Como mãe solo, posso dizer que é um grande desafio equilibrar a administração do meu negócio com a minha vida particular. Tenho uma boa rede de apoio e sei que isso não é a realidade de muitas das empresárias pelo Brasil afora. O que pesa muito é a sensação de termos que provar a todo momento que somos uma excelente profissional, provar o nosso valor para a sociedade”, relata.

Já para Renata Bottura, CEO da Muvita Coworking, empresa que oferece soluções para empresas e profissionais, a desigualdade de gênero é uma realidade no mercado de trabalho e pode ser esse o motivo que leva muitas mulheres ao mundo do empreendedorismo como forma de crescimento profissional. “O nosso esforço é muito maior para conquistar espaços em um mundo dominado pelo machismo estrutural. O assédio, a discriminação pelo gênero, o manterrupting, a pressão estética, as dificuldades com a maternidade e a informalidade no mercado de trabalho são somente alguns dos desafios pelos quais as mulheres passam em busca da equidade de gênero em seu espaço no mundo dos negócios”.

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Design Dolce sob imagem por Andrea Piacquadio em Pexels

As empreendedoras seguiram na contramão do que revelam os dados do Sebrae, de que os segmentos de negócios nos quais existem a predominância de mulheres no comando são os setores de alimentação e bebidas, de beleza e cosméticos, de artesanato e vestuário. Porém, a maior presença de mulheres empreendedoras em setores antes vistos como majoritariamente masculinos, ou seja, serviços, comércio e indústria, já é percebida e celebrada. Com as competências sendo postas diariamente em xeque, as empresárias contaram com a resiliência para manter os seus negócios. Sobre o que diriam às mulheres que desejam empreender, as empresárias são unânimes ao afirmar que o mais importante é acreditar em si mesmas e ter confiança nas próprias habilidades e conhecimentos. O conselho que dariam é o de investir constantemente no desenvolvimento pessoal, buscando aprender e evoluir.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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