Skip to content

A epidemia de esgotamento emocional entre mulheres na flor da idade

Design Dolce sob imagem por kcslagle em Canva

Pressão social, redes digitais e autocobrança alimentam uma geração de mulheres à beira do colapso

Nas últimas décadas, se observa uma escalada preocupante nos diagnósticos de transtornos emocionais entre mulheres na faixa etária de 25 a 45 anos. Dados epidemiológicos revelam que condições como síndrome de burnout, transtornos de ansiedade generalizada têm atingido proporções alarmantes nesse grupo demográfico. Especialistas atribuem esse fenômeno a uma conjunção de fatores socioculturais contemporâneos, onde se destacam as exigências multifacetadas da vida moderna e a distorção de padrões comportamentais propagados digitalmente.

Estamos diante de uma geração de mulheres que internalizaram a necessidade de desempenho impecável em todas as dimensões da existência. O corpo, porém, não mente – quando a psique é sistematicamente negligenciada, os sintomas físicos e emocionais emergem como gritos silenciosos de socorro”, analisa a psicóloga Maria Klien.

Design Dolce sob imagem por Alejandro Prinpato em Canva

Segundo dados de um estudo publicado em 2024 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 38% das mulheres nessa faixa etária relataram episódios frequentes de estresse agudo, com prejuízos significativos em relacionamentos e autoimagem.

Há uma dificuldade em priorizar o autocuidado, especialmente para aquelas que assumem duplas ou triplas jornadas. A maternidade, quando presente, muitas vezes intensifica a sensação de desamparo”, complementa a psicóloga.

Maria Klien destaca os mecanismos psicossociais por trás desses números. “As plataformas digitais criaram um palco permanente de comparação social. A idealização de vidas supostamente perfeitas, somada à cultura da hiperprodutividade, gera um ciclo vicioso de autocobrança. Muitas pacientes sequer percebem quando cruzam a linha entre o esforço saudável e a autodestruição silenciosa”.

No que tange às relações interpessoais, a psicóloga observa que os vínculos afetivos são frequentemente os primeiros a sofrer as consequências. A irritabilidade, o retraimento social e a dificuldade de concentração minam tanto os relacionamentos amorosos quanto os laços familiares. No caso específico das mães, a sobrecarga emocional frequentemente se manifesta através da chamada “culpa crônica” – a sensação permanente de não estar à altura em nenhum dos papéis exercidos.

Design Dolce sob imagem por York Foto em Canva

A reconstrução do diálogo interno é fundamental. Isso implica abandonar a noção de que repouso é sinônimo de preguiça, ou que limites pessoais constituem fraqueza. A terapia tem se mostrado particularmente eficaz no desenvolvimento de habilidades para identificar e desmontar esses padrões de pensamento disfuncionais”, propõe Maria Klien.

A psicóloga finaliza com uma reflexão urgente. “Precisamos ressignificar coletivamente o conceito de sucesso. Mulheres saudáveis não são aquelas que tudo suportam, mas sim as que aprendem a reconhecer e respeitar seus pontos de ruptura sem perder a dignidade. Esta talvez seja a verdadeira revolução feminina do nosso tempo”, conclui Klien.

Maria Klien é psicóloga, pós-graduada em neuropsicologia, palestrante, escritora e empresária nas áreas de cannabis medicinal e cogumelos medicinais. Sua atuação clínica combina abordagens convencionais com práticas integrativas, com foco na escuta das manifestações emocionais vinculadas ao medo e à ansiedade. No campo empresarial, desenvolve soluções voltadas ao cuidado psíquico, criando instrumentos que colaboram para o manejo de questões subjetivas e a preservação da saúde mental.

@psimariaklien

Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

Demais Publicações

Que tal um roteiro para a Europa?

Quer saber como montar um roteiro que seja a sua cara? Então vem comigo que eu vou te contar tudo!

As 10 peças inteligentes que toda mulher deve ter no trabalho

Em um mundo profissional cada vez mais dinâmico, estar bem-vestida deixou de ser apenas uma questão estética para se tornar uma ferramenta de comunicação

E se o problema não for você?

Estudos explicam por que tantas mulheres passam a vida acreditando que há algo de errado com elas

Saúde sexual! Quem precisa de tratamento?

Disfunções, medos ou falta de desejo: quando as barreiras na intimidade exigem ajuda profissional e como o tratamento na terapia pode devolver a você o direito ao prazer

Muito antes do ChatGPT, alguém já estava fazendo as perguntas que discutimos hoje

Muitas das questões que hoje associamos à inteligência artificial surgiram antes dela

Projeção lúcida

Como atuo em várias dimensões para resolver um processo no trabalho

Antes da medalha existe o treino invisível

Você tem preparado sua equipe apenas para executar tarefas ou para construir relacionamentos?

Sequestro umbilical

Entre as dores do pós-parto e os julgamentos da sociedade, uma reflexão necessária sobre a empatia com as mulheres e o laço inquebrável da maternidade real

Drogas, surto e despertar: uma jornada em busca da própria verdade

O terapeuta Kempes Macedo compartilha sua trajetória para provocar reflexões sobre os caminhos da cura, do autoconhecimento e da reconstrução de si

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

arte-painel-dolce-cantiga-crianca_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções