Skip to content
Psicóloga Comportamental e Cognitiva, Neuropsicóloga, Psicopedagoga

Os pais também ficam tristes?

Design Dolce sob imagem por Chameleomseye em Canva

Devemos criar um clima familiar no qual se possa expressar todos os tipos de emoções e, acima de tudo, ensinar as crianças a gerenciá-las

Pais e mães se entristecem. Às vezes choram. E até há os que façam birras. Mas a experiência clínica tem-me mostrado que a maior parte dos pais e mães dá o seu melhor no sentido de protegerem os seus filhos das emoções mais negativas.

Não é que queiram armar-se em super-heróis. Querem, isso sim, proteger as suas crianças do lado mais duro da vida. Querem poupá-las da realidade. Querem manter viva a fantasia e preservar o direito à felicidade daqueles seres pequeninos que tanto amam. E, por isso, mentem. Estando tristes, respondem que não, não estão: “Está tudo bem”. Limpam as lágrimas, esboçam um sorriso, torcem para que a criança não se aperceba daquilo que realmente sentem e afundam-se em sentimentos de culpa.

Design Dolce sob imagem por Evgenyatamanenko em Canva

Quem é que disse que somos melhores pais se ocultarmos a nossa tristeza? Onde é que está escrito que é mais saudável mentir às crianças? A verdade é que, as crianças são particularmente intuitivas. E atentas. Então, na medida em que são educadas num ambiente emocionalmente seguro, é natural que perguntem se estamos tristes quando notam essa emoção no nosso rosto. Aquilo que para alguns pais é encarado como um problema é, na verdade, um sinal de que estão a fazer um bom trabalho.

Claro que nenhum pai ou mãe tem o direito de colocar sobre os ombros dos seus filhos o peso dos seus próprios problemas. Nenhum pai ou mãe tem legitimidade para partilhar com as suas crianças assuntos que elas não possam digerir. Mas isso não tem nada a ver com a manifestação de emoções.

Nenhuma criança gosta de ver os pais tristes. Mas a aflição de um filho ao deparar-se com a tristeza do pai ou da mãe é significativamente maior quando o adulto mente. Porque quando as palavras dizem uma coisa e a intuição da criança diz outra, a confusão é maior e dá lugar à intranquilidade.

Se o seu filho lhe perguntar se está triste, não há nenhum problema em assumir que sim, está.

Design Dolce sob imagem por Pixland em Canva

O mais importante é que ao assumir a sua tristeza, ela surja acompanhada de uma mensagem muito importante: a garantia de que a sua tristeza não tem nada a ver com a criança, isto é, a explicação de que a criança não tem culpa por você estar triste. Você não está assim porque o seu filho não arrumou os brinquedos ou porque não quis se alimentar de forma saudável. Seja claro!

Devemos criar um clima familiar no qual se possa expressar todos os tipos de emoções e, acima de tudo, ensinar as crianças a gerenciá-las.

É tão importante relatar a emoção negativa quanto revelar a solução. Desta forma, as crianças observarão que existem problemas no mundo que afetam a todos (até mesmo seus pais), mas que não representam uma ameaça porque muitos destes problemas têm uma solução.

Os pais devem dar aos filhos informações suficientes para ajudá-los a entender que não há motivo para ficar com medo ou confuso e que podem sempre perguntar e falar sobre as suas dúvidas.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Mineira de Poços de Caldas, Cynthia Wood Passianottoé formada pela Universidade São Marcos, com especialização em Neuropsicologia e em diversas outras áreas que focam na formação infantil e adolescente. Mãe de 2 filhos, casada com o também psicólogo Luciano Passianotto, Fundou e dirige o espaço Crescendo e Aprendendo no Morumbi, no qual se dedica no trabalho educacional e de orientação à educação de crianças e adolescentes há mais de 20 anos.

Demais Publicações

O tribunal do presente na tentação do anacronismo

Exigir que o passado obedeça à cartilha moral do presente não é sinal de evolução, mas de arrogância cultural — a fúria puritana sempre preferiu a condenação ao esforço da compreensão

Cemitérios históricos que são verdadeiros museus a céu aberto

Muito além de locais destinados às despedidas e à memória dos que partiram, alguns cemitérios preservam importantes registros da história, da arte e da sociedade

Dislexia

O primeiro sinal possível de dislexia é em relação a grande dificuldade que a criança tem em assimilar o que é ensinado

O Convite: proposta indecente ou terapia de casal?

Entre a provocação dos vizinhos e a ciência do afeto: o que acontece quando o desejo do outro nos obriga a acordar?

A cor reflete a personalidade da sua casa

Mais do que estética, a cor é a linguagem visual da sua identidade: ela molda atmosferas, desperta memórias e traduz a forma como você escolhe viver o seu espaço

O ambiente que você frequenta determina até onde você pode chegar

O verdadeiro valor de uma comunidade está no quanto você se envolve, contribui, aprende e constrói relacionamentos genuínos

Proéxis na escadaria

Qual espaço está reservando em sua vida para a reflexão, para as conversas que ampliam sua lucidez e para as companhias que ajudam a fortalecer seu propósito evolutivo?

E se vivermos 120 anos?

Em "Homo Longevus", Luiz Paulo Foggetti usa a longevidade como provocação para repensar amor, trabalho, família, solidão, espiritualidade e a própria ideia de finitude

O que acontece nos primeiros anos de vida pode influenciar a forma como uma criança se relaciona com o mundo?

A biodécodage amplia o olhar terapêutico para experiências relacionadas à gestação, nascimento e primeiros anos de vida

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

dolce-mulher-publ-22-segredos-da-mulher-confiante-post-inst
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções