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Estilista, designer e especialista em Luxury Branding Fundadora do Studio Van Lyz

A moda como espetáculo cultural

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

O calendário global e o poder dos grandes eventos

Olá, meu querido amigo e querida amiga da Dolce Fashion! Hoje trato um pouco dos eventos de moda e suas traduções.

Existe uma mudança muito clara acontecendo na moda contemporânea, e ela não é apenas estética, é estrutural. A moda deixou de ser um sistema restrito de lançamentos para se tornar um dos maiores espetáculos culturais do nosso tempo.

O calendário global, que antes organizava a indústria, hoje organiza também o desejo (eu amo esse desejo), a atenção e a narrativa. As grandes semanas de moda, New York Fashion Week, London Fashion Week, Milan Fashion Week e Paris Fashion Week, continuam sendo pilares fundamentais, mas já não pertencem apenas ao mercado. Elas pertencem ao mundo.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Hoje, cada desfile é pensado como uma experiência. Não se trata mais apenas de roupas na passarela, mas de cenários, trilhas, casting, narrativa e, principalmente, emoção. Casas como Chanel e Louis Vuitton compreenderam isso com maestria, transformando seus desfiles em verdadeiras performances culturais, capazes de reverberar globalmente em segundos.

Eu costumo dizer que a moda vive hoje o seu momento mais estratégico. Não estamos mais falando de coleções estamos falando de presença.

Essa percepção também é compartilhada por importantes vozes da crítica internacional. A jornalista Vanessa Friedman, uma das mais influentes do mundo, já destacou que os desfiles contemporâneos “não são apenas sobre roupas, mas sobre a construção de significado e relevância cultural em tempo real”.

Já Tim Blanks, referência histórica na cobertura das semanas de moda, reforça que os desfiles se transformaram em “plataformas emocionais onde moda e espetáculo se fundem para capturar a atenção global”.

E Suzy Menkes, uma das críticas mais respeitadas da indústria, frequentemente aponta que o excesso de teatralidade pode, em alguns casos, competir com o próprio produto, o que revela um ponto importante: o espetáculo precisa ser estratégico, não apenas grandioso.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

Um dos maiores exemplos dessa transformação é o Met Gala. O que antes era um evento beneficente tornou-se uma das plataformas culturais mais influentes do mundo. Ali, moda, arte e celebridade se encontram sob uma curadoria que provoca reflexão, posicionamento e identidade. Não é apenas um tapete vermelho, é uma narrativa visual global.

Outro movimento que observo com atenção é o surgimento de formatos híbridos, como o Vogue World, que mistura desfile, performance e entretenimento, levando a moda para fora dos espaços tradicionais e aproximando-a do público de forma mais direta e sensorial.

Dados internacionais de organizações como McKinsey & Company em parceria com a Business of Fashion mostram que a indústria da moda é hoje uma das mais influentes na construção de comportamento e desejo, justamente porque entendeu que experiência gera conexão, e conexão gera valor.

Design Dolce Morumbi sob imagem em Canva

E aqui está um ponto essencial da minha leitura: a marca que não cria experiência, desaparece no ruído visual contemporâneo.

Esse movimento também tem impacto direto nas cidades. Paris, Milão, Nova York e Londres transformam suas semanas de moda em verdadeiros polos de turismo, negócios e visibilidade internacional. A moda, nesse contexto, deixa de ser apenas estética e passa a ser economia, cultura e posicionamento global.

No Brasil, vejo esse movimento acontecer de forma muito particular. A São Paulo Fashion Week, por exemplo, traz uma leitura mais orgânica, mais conectada à identidade e à diversidade cultural. Talvez ainda menos espetacularizada do que o circuito europeu, mas com uma potência criativa única.

E isso, para mim, é o que define o futuro da moda.

O espetáculo não é excesso é estratégia. A moda entendeu que, para continuar relevante, precisa emocionar, envolver e criar memória.

Hoje, o calendário global da moda não é apenas uma agenda. Ele é um mapa de influência. Cada evento carrega uma mensagem, cada desfile constrói uma percepção e cada aparição comunica um posicionamento. Por isso, acompanhar esse movimento é importante para construção da história, cultura e movimentos sociais.

A moda não apenas acompanha o mundo. Ela participa ativamente da forma como ele se expressa. E eu, acredito muito na importância de observá-la e criar narrativas próprias com identidade,.

Obrigada, querido amigo e amiga, e nos vemos em breve com mais informação e moda.

Até a próxima semana. Abraços.

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Marlize Baierle é estilista, empresária de moda, designer e especialista em Luxury Branding, iniciou sua carreira no mercado de luxo em Milão na criação de joias e roupas, especialmente com peças exclusivas para noivas e guarda roupas personalizados, com atenção voltada às tendências globais. Graduada em artes, destacou-se no sul do país como produtora de casamentos e eventos corporativos e hoje divide sua agenda entre Santiago, no Chile e São Paulo, atuando como consultora de branding e etiqueta corporativa com olhar e toque especial que buscam sempre a elegância e um diferencial de destaque no interesse de seus clientes. É fundadora do Studio Van Lyz que trabalha na valorização da exclusividade e estética refinada.

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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