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Viva a democracia!

Design Dolce sob imagem por Chinnapong em Canva

A sinfonia da democracia, quando bem regida pela inclusão, não toca apenas para o espírito, mas enche a mesa de todo o seu povo!

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Por André Naves

A democracia não é um porto seguro em que se atraca, mas um oceano em que se navega!

É uma sinfonia em constante composição, cuja partitura são os direitos humanos e cuja regência pertence à vontade da maioria — uma vontade que só se torna sublime quando aprende a modular seu volume para que os solos mais delicados, os dos grupos minorizados, possam ser ouvidos e aplaudidos.

Ela é a busca incessante por uma harmonia onde cada instrumento, do mais potente ao mais sutil, é indispensável para a grandiosidade da obra.

A história, quando lida com a alma e com os fatos, nos canta que as nações afinadas por essa orquestra democrática são as que verdadeiramente prosperam. A prosperidade que dela emana não é uma riqueza febril e efêmera, mas o florescer de um pomar perene plantado no solo fértil da segurança institucional: só com a certeza de que as regras do jogo não mudarão com o humor dos ventos permitem que as raízes da confiança se aprofundem. Por outro lado, a areia movediça do autoritarismo engole sonhos e sementes.

Devemos, entretanto, nos manter atentos já que essa orquestra pode desafinar sempre que nossa insensibilidade não nos permita enxergar que a principal dissonância, o ruído que ameaça romper a melodia, é o abismo da desigualdade social.

Design Dolce sob imagem por Elemento 5 Digital em Pexels

De um lado, a miséria que não apenas dói no corpo, mas amputa a alma, confinando milhões a uma existência de sobrevivência que lhes nega o direito de sonhar. Do outro, uma opulência que se isola em bolhas de consumismo, tornando-se insensível aos clamores da rua.

Esse fosso não é apenas uma falha econômica; é uma fratura ética que cinde a nação. Ele pulveriza a alteridade, essa capacidade sagrada de sentir a dor do outro como se fosse nossa e, a partir dela, construir o protagonismo individual de cada um! O resultado é a desagregação, a corrosão da confiança, a transformação do concidadão em adversário. É nessa hora que a Democracia fica à prova, deixando uma ferida aberta em nosso tecido social.

O antídoto para isso? A democracia assumir sua face mais corajosa: a de regente ativa! Ela não pode ser uma espectadora passiva da injustiça. Sua batuta deve ser firme, traduzida em investimentos públicos que funcionam como o potencializador de cada individualidade e coletividade. Investir em educação de excelência é afinar as cordas do futuro. Garantir saúde universal é assegurar que nenhum músico desfaleça antes do final da peça. Esses atos não são gastos, são a própria composição da justiça social.

Onde há Justiça e previsibilidade, a desigualdade social diminui, pois a própria estrutura incentiva a distribuição de oportunidades, e não o seu acúmulo.

Imagem por Universidade de Brasília from Brasília, Brasil, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons

É lá então, no palco da Inclusão, que a verdadeira mágica acontece. A inclusão social não é apenas um ato de reparação; ela é a pedra fundamental da criatividade. Grupos homogêneos tendem a polir as mesmas ideias até o esgotamento. A verdadeira centelha criativa nasce do encontro do diferente, do inesperado.

Como nos ensinou a genialidade de Victor Hugo, é da convivência entre inteligências diversas que jorra a luz… As diferentes vivências, as visões de mundo moldadas por trajetórias distintas, as soluções pensadas por quem enfrenta barreiras que outros nem sequer enxergam — são como pedras de diferentes texturas e origens que, ao se chocarem, produzem o fogo da ideia nova.

Essa luz, essa centelha criativa, é o motor da inovação. E a inovação, por sua vez, é a base de todo desenvolvimento econômico sustentável e genuíno no mundo contemporâneo. O ciclo, então, se revela em toda a sua esplêndida lógica: a democracia, ao possibilitar e promover investimentos inclusivos, não está apenas fazendo justiça. Ela está, estrategicamente, cultivando o ambiente mais fértil possível para a criatividade e a inovação, que são as verdadeiras moedas da prosperidade.

Portanto, uma nação que escolhe ser mais justa não está fazendo uma afronta à economia. Pelo contrário, está construindo o único alicerce sólido sobre o qual uma economia vibrante, humana e perene pode, de fato, ser erguida.

A sinfonia da democracia, quando bem regida pela inclusão, não toca apenas para o espírito, mas enche a mesa de todo o seu povo!

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André Naves é Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Escritor e professor

Colaboração da pauta:

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Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

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