Skip to content

O São Paulo FC que a gente vive e o dever de não desistir do nosso clube

Imagem criada com ferramentas de inteligência artificial.

Procurar e valorizar exemplos positivos não é ingenuidade; é um ato de responsabilidade com o futuro do clube

Por Marcelo Maia

Há um fenômeno curioso — e perigoso — na forma como nos acostumamos a consumir informação nos dias de hoje. A notícia ruim, o escândalo da vez e a denúncia bombástica sempre ganham a primeira página e dominam os grupos de mensagem com uma velocidade avassaladora. Falar mal gera engajamento imediato. É rápido, fácil e nos dá a falsa sensação de que, ao nos indignarmos, cumprimos o nosso papel.

Nas últimas semanas, como sócio que frequenta e vive o São Paulo Futebol Clube há quase duas décadas, tenho assistido com incômodo a essa onda que atropela o nosso cotidiano. Não se trata de ignorar a gravidade dos fatos recentes: as apurações, o impeachment, a expulsão de figuras públicas e a cobrança por punição a quem feriu o estatuto são passos necessários e inegociáveis para a instituição. Limpar a casa é preciso.

No entanto, há algo que a poeira dos escândalos insiste em esconder: o São Paulo FC não se resume às suas manchetes mais tristes.

Divulgação

A vida real que acontece nas alamedas

Quando a barulho das redes sociais diminui e a gente caminha pelas dependências do Morumbi, a realidade que se apresenta é outra. O São Paulo real é aquele feito de encontros, de saúde, de pertencimento e de memória afetiva.

É o pai que sente o orgulho no peito ao ver o filho dar os primeiros passos esportivos no COTI (Centro de Orientação Esportiva). É a turma da terceira idade encontrando no COTI (Centro de Orientação da Terceira Idade) um espaço de vitalidade, respeito e convivência. É a energia do grupo da ginástica, a precisão das turmas da sinuca e do tênis, a resenha sagrada dos “rachões” e do futebol social ao final do dia. São as amizades construídas ao longo de 10, 20 ou 30 anos que transformam o clube na extensão da nossa própria casa.

Existiria esse lado bom se não houvesse, por trás dele, a boa intenção de pessoas corretas? Obviamente que não.

O clube social só continua vivo, pulsante e acolhedor para as nossas famílias porque existe uma imensa maioria silenciosa de sócios, funcionários e até conselheiros que acordam cedo, trabalham com seriedade e dedicam seu tempo por amor à instituição — sem buscar holofotes, ganhos pessoais ou vaidades políticas.

A tentação do “está tudo podre” e a armadilha da omissão

Diante da crise, o caminho mais cômodo é adotar o discurso niilista de que “ninguém presta”, “está tudo tomado” ou que “o clube não tem jeito”. Apontar o dedo e se distanciar da solução é uma tentação tentadora, mas é exatamente aí que mora o perigo. Quando os bons se omitem por desalento, o espaço fica livre justamente para quem enxerga o clube como balcão de negócios.

Se queremos um Conselho Deliberativo forte, independente e capaz de exigir transparência e gestão de excelência no futebol profissional, essa mudança não nascerá de um passe de mágica. Ela começa no clube social e no olhar atento de cada um de nós.

Divulgação

Em tempos de desconfiança generalizada e de “caça às bruxas”, convido meus amigos e irmãos são-paulinos a fazerem um exercício simples de reflexão antes das próximas eleições: olhe para o lado. Observe quem realmente vive o clube, quem respeita o associado, quem trabalha na infraestrutura sem alarde e quem mantém uma conduta ilibada dentro e fora do Morumbi.

Procurar e valorizar esses exemplos positivos não é ingenuidade; é um ato de responsabilidade com o futuro do São Paulo. Identificar os maus gestores e eliminá-los do processo é dever da justiça e da política do clube, mas reconhecer os bons é a nossa única garantia de reconstrução.

Não podemos deixar que o ruído de alguns apague a história e a dignidade de muitos. O São Paulo tem jeito, sim — e a solução passa pela nossa capacidade de enxergar além das sombras e escolher caminhar ao lado de quem realmente honra a nossa camisa.

Nas próximas semanas, quero compartilhar por aqui algumas histórias e reflexões sobre esses bastidores e sobre a vida que faz o nosso Morumbi pulsar. Afinal, cuidar do São Paulo é um dever de todos nós.

Marcelo Maia, sócio do SPFC há quase 20 anos, empresário e consultor, é também diretor e sócio da Touchédigital Marketing OnLine e conselheiro no Portal Dolce Morumbi®

@marcelo_emaia

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gostou da matéria? Quer fazer comentários, críticas ou sugestões, escreva para a Dolce Morumbi®: contato@dolcemorumbi.com

Demais Publicações

Tudo começa com “Veja bem…”

Nada me irrita mais do que fazer uma pergunta simples e não receber uma resposta simples

A beleza encontra inovação, negócios e futuro na Beauty Fair 2026

Novos modelos de negócio surgiram e o próprio profissional da beleza passou a ter uma relação diferente com sua carreira

Cachoeiras no caminho de sua viagem

Conhecer as grandes cachoeiras do mundo é uma maneira de descobrir a força e a beleza do planeta em seu estado mais impressionante

O luxo invisível: quando o antigo encontra o novo

O futuro do luxo não está em abandonar o passado, mas em saber dialogar com ele

Unindo forças contra o bullying

O papel da família e da escola na proteção de crianças e adolescentes

Coincidências existem? O tecido invisível das sincronicidades

O termo sincronicidade, criado pelo psicólogo Carl Gustav Jung procura descrever dois ou mais eventos que acontecem ao mesmo tempo sem que exista entre eles uma ligação física ou uma relação convencional de causa e efeito

Cinco dicas mostram como usar superfícies inspiradas em pedra natural na decoração da casa

Materiais com visual mineral ganham espaço em projetos residenciais que buscam sofisticação, desempenho e integração entre arquitetura e decoração

Ela não está louca, está perimenopáusica

Oscilações hormonais podem afetar sono, humor e memória antes dos primeiros fogachos

Cansei de ser resiliente

Talvez amadurecer seja descobrir que nem toda batalha precisa ser vencida, algumas precisam ser encerradas

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

arte-painel-dolce-cantiga-crianca_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções