Skip to content
É profissional de Marketing, terapeuta integrativa e escritora e pode lhe ajudar a deixar a maternidade mais leve!

Fé, teimosia e militância materna rumo a uma nova página da vida

Design Dolce sob imagem por Shtrunts em Canva

Quando o peso solitário de decisões que devemos ter na vida chega, a fé serve como alicerce e guia para lutar pela inclusão de minha filha e reescrever a rotina de toda a família

Existe uma solidão que só quem decide sozinho conhece. A solidão de segurar o mapa de duas vidas nas mãos e traçar rotas diferentes, com o coração dividido entre a certeza da necessidade e o ecoar da culpa. Na semana passada, eu virei a página de um capítulo na vida da Sara. Depois de onze anos, muitas tentativas, e os últimos três em uma escola particular onde as coisas simplesmente não andavam (não por falta de vontade, mas porque as escolas não estão preparadas para a verdadeira inclusão), eu decidi trocar minha filha de escola. No final do ano, sim, mas a vida não obedece ao nosso calendário ideal. E isso eu aprendi com a Sara.

Foi uma decisão que ecoou em mim por dez dias muito intensos. Dez dias de emoções cruas e contraditórias, dúvidas, autocobranças e coragem. A clareza de saber que era o melhor para ela nesse momento se embatia contra a culpa de deixar um filho em escola particular e o outro na pública. A solidão de carregar sozinha o peso de cada questionamento, cada “e se?”, cada busca na internet, de conversas com outras mães, de noites em claro, em busca de uma resposta. Chorei muito? Sim. Rezei ainda mais. Pedi, à minha espiritualidade, que iluminasse o caminho dela, não o meu. Que me mostrasse a direção certa, mesmo que ela fosse a mais difícil. Segui confiante.

Design Dolce sob imagem por Newman Studio em Canva

Eu queria uma escola municipal que é referência em inclusão aqui na região. A vaga, no entanto, saiu em outra escola, menos preparada. Sinto muito a energia dos lugares e pessoas, e sabia que não era lá o lugar dela também. Mas algo dentro de mim não se abalou. Uma fé quieta e teimosa insistia que não era o fim da linha. Ela foi por quatro dias para aquela escola, e enquanto dava seus primeiros passos num ambiente novo, eu corria. Providenciei uma solicitação extrajudicial e a entreguei pessoalmente na Secretaria de Educação. Foi um ato de militância materna. E, no dia seguinte, o telefone tocou: a vaga na escola que eu queria para ela havia saído.

Mais uma mudança, e eu ainda tive que administrar as emoções dela. Com sua aversão a escolas, devido às dificuldades que enfrenta, e sua ansiedade à flor da pele, a alopecia dela aumentou. Foram momentos difíceis, onde precisei ser um pouco fria para seguir o melhor caminho. Tudo isso vai passar e vamos rir juntas pelas conquistas que virão!

Assim, a alegria veio, mas ela chegou misturada com um conforto profundo no peito e uma boa dose de confusão mental. A vaga é no período da tarde, o que vai virar a rotina da casa de cabeça para baixo: a minha, a da Sara e a do Rafael, que continuará estudando pela manhã. São dias que não cabem em 24 horas. Dias desgastantes, cansativos, vividos no modo de sobrevivência, enquanto o trabalho, que exige atenção total, não para.

Imagem por Prostooleh em Freepik

E no meio desse turbilhão, respiro fundo e me agarro à minha crença mais profunda: tudo acontece com um propósito e a espiritualidade está me guiando. Talvez, cada um estudando em um horário, eu ganhe a liberdade que não sabia que precisava. O Rafael, em uma idade mais independente, poderá seguir seu rumo com mais autonomia, e eu, talvez, consiga oferecer a cada um a atenção individualizada que suas demandas únicas pedem.

E eu, onde me encaixo em tudo isso? Você deve se perguntar. A resposta é simples e complexa: me encaixo onde consigo. É uma fase. Eles estão crescendo, e cada escolha de hoje é a semente do futuro deles. Mas eu não me apago no processo. Não deixo de fazer minhas coisas, de me cuidar. Com mais limitações, é claro, mas sigo me colocando em um lugar prioritário tanto quanto o deles. Cuidando principalmente da minha espiritualidade, que é o meu alicerce para não cair em pedacinhos.

Porque no final, depois de toda a luta, da culpa, das lágrimas e da papelada, uma certeza me acalenta: já deu tudo certo. E se não deu, é porque ainda não chegamos ao fim da história. E eu, de um jeito ou de outro, estarei lá, me encaixando, me reinventando, e cuidando. Sempre.

Publicidade | Dolce Morumbi®

Publicidade | Dolce Morumbi®

Publicidade | Dolce Morumbi®

Os artigos assinados não representam, necessariamente, a opinião do Portal. Sua publicação é no sentido de informar e, quando o caso, estimular o debate de questões do cotidiano e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo

Gisele Ribeiro é profissional de marketing, terapeuta integrativa e autora do livro Diário de uma mãe nada especial – Desmistificando a mãe idealizada no qual compartilha detalhes íntimos da sua trajetória na maternidade e como isso mudou sua, principalmente a profissional.

Demais Publicações

Menu da minha pausa

Diferente da maternidade, que acaba sendo uma escolha, a menopausa não é opcional

A vida nos impõe dureza

A violência e o medo tentam nos esvaziar, mas a nossa natureza é feita de algo muito mais profundo

Com nova NR-1, empresas passam a responder por riscos ligados à saúde mental

Por Adriana S. Carreira A atualização da NR-1 marca uma inflexão relevante na forma como as empresas brasileiras

Torturante band-aid no calcanhar

Acho que não existe coisa pior do que sentir a presença de alguma coisa que não deveria dar sinal de vida

Fertilização In Vitro tem maior taxa de sucesso em tratamentos de reprodução e abre a possibilidade de gestação compartilhada

A técnica é a mais indicada para casais homoafetivos femininos que buscam tratamentos de reprodução para realizar o sonho da maternidade

Turismo do “quase invisível”

Você pode se surpreender com o que você encontrar em uma caminhada ou uma viagem para outro destino

O retorno do brilho: o luxo que quer ser visto

O brilho retorna como expressão emocional e posicionamento estético consciente

Crianças altamente sensíveis

Crianças que são altamente sensíveis muitas vezes somatizam a dor dos amigos e precisam desenvolver limites emocionais

Painel Dolce Morumbi

As Mais lidas da Semana

Publicidade Dolce Morumbi

publ-gisele-ribeiro-reiki-16.10.25-1-1
PlayPause
previous arrow
next arrow
arte-painel-dolce-abtours_1_11zon
PlayPause
previous arrow
next arrow
Imagem por Marcos Kulenkampff em Canva Fotos

Seções